Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Sínodo das famílias ou dos bispos? (1)

por Zulmiro Sarmento, em 19.10.15

Frei Bento Domingues, O.P.

1. Há dias, um amigo dizia-me, com ar sentencioso: a vida de uma pessoa, comparada com a duração do mundo, não é apenas breve, é insignificante. Vós, os católicos, tendes a mania de negar a evidência, inventando a ideia de vida eterna quando, de facto, não passa de um fruto enganador da megalomania do desejo. Para não entrar numa discussão estéril, citei-lhe uma frase de Manuel da Fonseca, mais radical e evidente: isto de estar vivo, ainda vai acabar mal! A conversa tinha começado pelos rumores em torno do Sínodo dos Bispos. Segundo este amigo, está a preparar-se a primeira grande derrota do Papa Francisco. O seu raciocínio era simples: os bispos de todo o mundo dispõem de um passado e do Direito Canónico que lhes oferece a ilusão - assim como à Cúria vaticana - de mandar no imaginário de uma realidade universal, com uma longa história de muitas configurações culturais e religiosas: a Família. Para eles, as normas contam mais do que a felicidade ou infelicidade das pessoas e dos casais. O Papa Francisco, pelo contrário, acordou para as exigências do humanismo cristão, mas não conseguiu acordar os outros bispos do sono dogmático. Anselmo Borges fez muito bem em apresentar um artigo de J. M. Castillo que mostra e documenta que não existe nenhuma declaração dogmática que imponha a indissolubilidade absoluta do casamento [1]. Nestas crónicas, notifiquei, desde 1993, as posições que justificavam a possibilidade do acesso dos divorciados recasados à Eucaristia, assim como a discussão aberta em torno da indissolubilidade do Matrimónio que o Direito Canónico impôs [2]. Além disso, se a vida das pessoas é muito breve, a ética inter-geracional não pode pensar apenas em termos do tempo curto das pessoas, mas insistir no tempo longo: o mundo não começou agora nem vai acabar hoje. Não é saudável deixar para o futuro o que já é possível resolver. A espiritualidade do provisório, do pão nosso de cada dia, é parecida com o dito do poeta: não há caminho, o caminho faz-se caminhando. De qualquer modo, o Evangelho de Jesus Cristo segue a lei do alívio dos oprimidos, não a atitude farisaica que carrega os abatidos sempre com mais pesos. 2. Ao que parece, há agitações no Sínodo e fora do Sínodo, com ameaças de cismas, de cisões na Igreja e não sei que mais! Parece-me que se está a esquecer algo de muito elementar: estamos perante o Sínodo dos Bispos sobre a Família, não do Sínodo das Famílias traçando orientações para a sua caminhada segundo as diferenças de continentes e culturas. Este virá a seguir. Agora estamos perante o Sínodo dos bispos celibatários, com responsabilidades inalienáveis na Igreja universal, confrontando pontos de vista antropológicos, cristológicos e pastorais para oferecerem um bom contributo para a felicidade das famílias. Não alimento sonhos delirantes nem visões apocalípticas sobre esta grande reunião. Procurou-se esquecer o Vaticano II (1962-1995) que foi a grande revolução católica do séc. XX. Agora, estamos a colher as consequências desse vazio. Foram várias gerações que o não aprofundaram e que ouviram, a vários níveis, as vozes que apresentaram a sua memória como uma desgraça para a Igreja. Quando se julgava que estava enterrado para sempre, surge o Papa Francisco estragando esse cálculo. Muitos queixam-se de que é o no seio do clero mais novo que surgem os padres mais reacionários. Talvez. São, porém, facilmente cooptados pelos movimentos e grupos que desejam neutralizar o impacto Bergoglio, a nível interno da Igreja e da sociedade. São manipulados que tentam manipular. 3. Em vez de perder tempo com as atoardas sobre os possíveis cismas na Igreja, devido à livre discussão que o Papa Francisco introduziu na sua orientação pastoral, talvez fosse melhor começar a pensar e a desenhar o próprio Sínodo das Famílias, segundo os continentes geográficos e culturais, a partir das paróquias, dos movimentos, dos casais, de forma inclusiva, em termos de caminhada, mais ou menos longa, segundo os contextos. Os Bispos têm mensagens e orientações para as famílias, mas não serão as famílias que vivem experiências de êxitos e fracassos matrimoniais a poderem apontar caminhos possíveis para a felicidade familiar? Várias vezes nestas crónicas, destaquei a falta de senso quanto ao acesso dos divorciados recasados à Comunhão Eucarística, cuja simbólica é uma ceia. Como é possível convidar uma pessoa para jantar e dizer-lhe: vem, mas não podes comer!? Além disso, recomenda-se a estes pais - cuja norma os impede de comungar - que preparem e acompanhem a comunhão dos filhos. De repente, a criança pode pensar: mas a comunhão será só para crianças? Aí começa a debandada. Público, 18.10.2015 - - - - - - [1] Anselmo Borges, Casamento católico: indissolúvel? DN 10.10.2015; José Maria Castillo, El Papa puede admitir a la eucaristía a los divorciados vueltos a casar, Religión Digital, 26.08.2015. [2] Frei Bento Domingues, A Humanidade de Deus, p. 203-206, 1995; As Religiões e a Cultura da Paz, p 88-91, 2002. Cf. Fidélité et Divorce, Rev. Lumière & Vie, n.206, 1992 ; Francisco Gil Delgado, Divórcio en la Iglesia. História y Futuro, 1993; Michel Legrain, Os Divorciados e a Igreja, 1995.

In PÚBLICO

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:41

Que horror, temos um Papa que acredita no Evangelho!

por Zulmiro Sarmento, em 18.10.14

A frase é referida pelo padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da companhia de Jesus, em entrevista a Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, no passado dia 8 de outubro, e postada em [http://www.ihu.unisinos.br/noticias/536058-e-preciso-ouvir-o-mundo-senao-o-mundo-nao-nos-ouvira-entrevista-com-adolfo-nicola, acedido a 16-10], com tradução de Moisés Sbardelotto

 

E a exclamação transcrita em epígrafe integra um quadro caricatural que o entrevistado viu em Espanha e que representa um padre desesperado, com as mãos na cabeça: “Que horror, temos um papa que acredita no Evangelho!”. A caricatura espelha bem a tensão existente entre a linha do Papa argentino, a da refontalização necessária da Igreja e aplicação das atitudes evangélicas aos tempos e homens de hoje nos diversos recantos do mundo, e a atitude conservadora da defesa de uma Igreja que acumulou pelos séculos todo um complexo de tesouros de coisas novas e velhas e que pretende tornar-se equipolente ao denominado “depósito da fé”.

 

O Papa quis e pediu que falassem claro, com liberdade e franqueza, na escuta daquilo que o Espírito tem a dizer à Igreja. E falaram os bispos, os cardeais, os peritos e os casais convidados. Produziram um relatório intercalar sobre os assuntos discutidos na primeira semana dos trabalhos do Sínodo.

 

Uns, agora, dizem que o relatório não corresponde à verdade; outros clamam que não reflete o pensamento e a posição do conjunto dos padres sinodais; outros levaram a mal o facto de o terem conhecido pela comunicação social (não apreciando a linha de transparência sinodal e vaticana); e outros ainda se queixam de que não foram tidas em conta as vozes dos tidos por mais conservadores. Por seu turno, o grupo de padres sinodais próximos de quem elaborou o relatório explica que se trata de um mero documento de trabalho, que tem em vista fazer o ponto de situação das matérias discutidas –relatio disceptationum (relatório dos debates) – ou dar conta do andamento dos trabalhos da assembleia do sínodo, muito longe de conclusões finais, faltando ainda percorrer metade do percurso sinodal. Do sínodo há de surgir um relatório final com sugestões de decisão para o Santo Padre considerar com inteira liberdade. Por outro lado, deve ter-se em conta que, a seguir a esta assembleia de 2014, outra está convocada para daqui a um ano, a qual se destina a aprofundar as matérias ora debatidas e a reexaminar nas igrejas locais, com base no aludido relatório final, e a oferecer a resposta doutrinal e pastoral aos problemas suscitados pelo mundo (que “é preciso ouvir”, senão “não nos ouvirá”) e assumidos no debate.

 

Ninguém, por menos habituado que esteja ao fenómeno, deve escandalizar-se com os momentos de tensão, mesmo quando o cardeal Müller, o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, disser e tornar a dizer que o relatório é uma vergonha. Aquilo que os crentes devem aceitar é o produto final dos concílios e dos sínodos – depois de aceite e mandado publicar pelo Sumo Pontífice. Não é cada ponto de discussão nem a forma do debate que fará doutrina ou norma pastoral. Todos os concílios foram palco de acesas discussões e lugar de desemboco de grandes lições de teologia. Foi assim já no Concílio de Jerusalém, como se pode ler no livro dos primórdios da vida da Igreja nascente, o livro dos Atos dos Apóstolos (15,6-29).

 

Foi a grande assembleia dos líderes das comunidades cristãs, em Jerusalém, que discutiu a questão da necessidade de impor ou não a circuncisão aos cristãos de proveniência pagã.  Quando o Evangelho foi  anunciado aos não judeus  e estes fizeram a sua opção de fé em Jesus Cristo e, depois  de  batizados, passavam a  conviver  com os cristãos de origem judaica, que eram circuncidados, surgia o problema da desigualdade de situações perante a Lei de Moisés. Alguns dos cristãos provenientes do judaísmo entendiam que os gentios que se tornassem cristãos precisavam da circuncisão. Por isso, se desencadeou a magna reunião de Jerusalém para decidir. Entre os presentes, são mencionados: Paulo, Barnabé, Tiago, Simão, os apóstolos e presbíteros.

 

A fórmula da declaração da decisão tomada é usada até hoje nas decisões conciliares: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós......” (cf. At 15,28): “De facto, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso, além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas. Fareis bem preservando-vos destas coisas. Passai bem.” (At 15,23-29).

 

Ora, o Papa crê no Evangelho da misericórdia, e bem: “vai em paz e não tornes a pecar” (Jo 8,8); “a tua fé te salvou, vai em paz” (Mc 5,34; Lc 17,19); “em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro do que vós no reino de Deus” (Mt 21,31); haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se (Lc 15,7). Mas este evangelho também nos dá conta de disputas elucidativas. Leia-se, por exemplo: Mt 18,1-5; Mc 9,33-37; Lc 7,36-50; 9,54;15,25-32; Jo 7,25-53. E o que é de aceitar é a conclusão formulada por Jesus ou sob a sua autoridade.

 

A pari, seria bom que os padres sinodais cressem, com o Papa, ao menos no Livro dos Atos dos Apóstolos, onde se veem sérias discussões, a presença da Mãe de Jesus, eleições, união, partilha de bens (por entrega direta aos apóstolos ou por coleta), ensino, oração, pregação, “Fração do Pão”, assistência às mesas, martírio e conclusões – tudo sob a assistência do Espírito. Por outro lado, o Livro dos Atos compendia a pregação de Pedro, que assume o essencial do quérigma, expande o anúncio da Boa Nova aos gentios, testemunha a unidade, a solidariedade e o martírio, bem como todo o furor missionário de Paulo e companheiros.

 

***

 

Voltando a Adolfo Nicolás, cuja entrevista é um comentário ao decurso dos trabalhos sinodais, o conhecido como “papa negro”começa por assentir que o sínodo pode, segundo a intenção papal, ser lido como o cumprimento do Concílio Vaticano II:Há muitas forças que se afastaram um pouco, distantes do modo de pensar das pessoas, e Francisco está ciente disso”. Por isso, “quer que o Concílio seja uma realidade e não haja mais esse para a frente e para trás (…), mas que a Igreja vá em frente, porque a humanidade vai em frente e não se pode esperar”. E assegura que, tal como o Pontíficecitou o Concílio duas vezes na homilia de abertura do Sínodo, também nas apresentações dos Padres sinodais recorrem as referências conciliares.

 

Assim, o jesuíta-mor acredita que se trata de um retorno muito sólido ao Concílio. E explicita o seu pensamento: fala-se da Igreja, de estarmos num mundo imperfeito, da luta das pessoas, dos problemas das famílias e dos matrimónios; e veem-se pastores preocupados com a situação real, não com ideias abstratas. A questão já não reside no modo de comunicar ou forçar as pessoas a seguir uma vida ou outra, mas como escutar.

 

Embora haja muitas resistências (ampliadas por boatos), parece que as situações mais problemáticas estarão a ser enquadradas em termos da lei da gradualidade, segundo a qual, “é preciso ser positivo e ver as coisas boas, mesmo que a forma não seja perfeita”, não se podendo buscar apenas o perfeito ou nada”. Pelos vistos, o Papa segue a linha inaciana do crescimento gradual, não repentino (“o mundo não é preto e branco”). Assim, embora não se tenha ouvido isto na aula sinodal, “é melhor um casal que se quer bem do que um casal em que não há amor, não há nada, mesmo que tenham sido completados todos os ritos da Igreja”. Nicolás conta que, no tempo em que estava na Ásia, “sempre ouvia repetir que, para a mentalidade ocidental, europeia, o perfectum é quando tudo é perfeito; ao invés, se houver um defeito qualquer, já não é bom, é malum”. E contrapõe que, “se há algo de bom que pode crescer, é preciso alimentá-lo, alimentar a vida em todos os campos”.

 

E abona a sua posição com a asserção do cardeal Martini, que poderia constituir um grande contributo para o sínodo – “a pergunta sobre se os divorciados podem fazer a comunhão deveria ser invertida:como a Igreja pode chegar a ajudá-los, com a força dos sacramentos?”.

 

Não pode continuar a suceder que se tire um remédio a quem mais dele precisa: quem chegou a divorciar-se terá sofrido dificuldades, sofrimentos… e depois recebe a marginalização.

 

E não é necessário mudar a doutrina: “o problema não é doutrinal, mas de acompanhamento”. Os nossos princípios vêm daquilo que Cristo proclamou. “No entanto, como alguns na Aula explicaram muito bem, sempre há um espaço para a interpretação, e esse espaço é pastoral. Os exegetas fazem um grande serviço à Igreja, mas disseram a sua palavra e estão um pouco exaustos. A questão continua sendo pastoral. Não se trata de redefinir nada, mas de encontrar uma linguagem, uma experiência diferente”.

 

O Papa vem advertindo: não carreguem sobre as costas das pessoas “pesos insuportáveis”(cf Mt 23,4). É preciso criar uma linha de maior abertura, flexibilidade: “não falar de princípios, mas encontrar a realidade, acompanhar as pessoas”. Estar à escuta do Espírito “é toda a vida inaciana”. A Inquisição não ficou contente com Santo Inácio de Loyola, “examinaram-no oito vezes”. Quem ouve o Espírito não está vinculado a normas dos homens. Os inquisidores “viam um homem livre”, o que não era bom. O Espírito sopra onde quer e quem ouve a sua voz, mas não sabe donde vem nem para onde vai (cf Jo 3,8). E isso dá uma enorme liberdade.

 

***

 

Sabe-se agora que a assembleia, embora ainda marcada por perplexidades no seio dos círculos menores ou grupos linguísticos, concluiu revisão do relatório intercalar e vai publicar todas as propostas – que vão manter a dialética entre a linha da doutrina e encorajamento às famílias cristãs e apostólicas e a linha da misericórdia a aproximação às situações problemáticas, não assumíveis doutrinalmente, mas profundamente humanas. O cardeal arcebispo de Viena D. Christoph Schönborn disse que o Sínodo tem procurado “acompanhar” a história das pessoas no momento atual, seguindo as indicações do Papa: ‘não julgar, acompanhar’ a história da família”, uma forma de pensar que não é “relativismo”.

 

Embora o respeito pela pessoa não signifique aceitação de todos os comportamentos humanos, o arcebispo de Viena, mostrando-se “muito impressionado” pelo interesse mediático que esta assembleia sinodal provocou, defendeu a importância de “um alargamento da visão da família” e de ver o seu “papel fundamental”, para lá das “questões morais”. O Papa, segundo as palavras de Schönborn, não pediu para ver “tudo o que não funciona” na família, mas quis, “antes de tudo, mostrar a beleza e a necessidade vital da família”. Assim, convidou-nos a ter um olhar atento sobre a realidade”.

 

Por seu turno, o porta-voz do Vaticano, padre Lombardi, confessou aos jornalistas que a decisão de publicar as propostas dos diferentes grupos linguísticos revela “um caminho de abertura e transparência”. As ‘centenas’ de propostas e as mais de 260 intervenções nas sessões gerais, durante a primeira semana, levarão à publicação do chamado ‘relatório do Sínodo’, documento conclusivo da assembleia extraordinária convocada pelo Papa – documento cujo texto final dificilmente será conhecido ou publicado no sábado, mas que será objeto de reflexão nas Igrejas locais, com vista aos trabalhos do próximo sínodo dos bispos.

 

O diretor da sala de imprensa da Santa Sé revelou, ainda, que o Papa reforçou a equipa de redação deste relatório final com a nomeação do cardeal sul-africano D. Wilfrid Fox Napier e do arcebispo australiano D. Denis Hart. Estes juntam-se a outros seis responsáveis nomeados anteriormente pelo Papa – os cardeais Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, e Donald W. Wuerl, arcebispo de Washington (EUA); D. Victor Manuel Fernández, reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina; D. Carlos Aguiar Retes, bispo de Tlalneplanta, no México, e presidente do CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano; D. Peter Kang U-Il, bispo de Cheju e presidente da Conferência Episcopal da Coreia; e o padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da Companhia de Jesus.

 

O Vaticano vai publicar ainda a tradicional mensagem final da assembleia sinodal, este sábado, da responsabilidade de outra equipa de redatores, após ter sido aprovada pelos participantes.

 

***

 

Nada se oculta. Vêm à tona as perplexidades, as hesitações, os maus humores, a doutrina, tal como as esperanças, as misericórdias, a magnanimidade de Deus e a sua compaixão pelos dramas dos seus filhos – os pródigos e os “mais velhos”.

 

2014.10.16

 

Louro de Carvalho

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15

O Sínodo da Família

por Zulmiro Sarmento, em 07.10.14

Papa inaugura sessões de trabalho com cardeais, bispos, religiosos, peritos e casais que convidou a «falar claro» e «escutar com humildade»

 

O Papa inaugurou hoje as sessões de trabalho da a terceira assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família, convidando os participantes a "falar claro".
"Que ninguém diga: 'isto não se pode dizer, vão pensar de mim isto ou aquilo'. É preciso dizer tudo o que se sente com ousadia", declarou, num breve discurso.
Francisco destacou a importância desta reunião para ouvir a "voz" das várias Igrejas particulares e revelou que após o consistório que decorreu em fevereiro deste ano recebeu uma carta de um dos cardeais presentes que se lamentava por outros "não tenham tido coragem de dizer algumas coisas, por respeito ao Papa, julgando que o Papa pensava de forma diferente".
"Isto não está bem, isto não é sinodalidade. É preciso dizer tudo o que, no Senhor, sentimos obrigação de dizer", observou.
O Papa convidou a "escutar com humildade" e acolher com "coração aberto" o que dizem os irmãos, com "paz e tranquilidade".
Francisco concluiu com uma observação de cariz teológico, sublinhando que o Sínodo decorre sempre com a presença e sob a presidência do Papa (cum Petro et sub Petro), "garantia para todos e custódia da fé".
253 pessoas, entre cardeais, bispos, religiosos, peritos, casais e representantes de outras Igrejas, marcam presença a partir de hoje na sala do Sínodo, para duas semanas de debate que, segundo o Papa, têm a "responsabilidade de trazer as realidades e problemáticas" das comunidades para ajudar a Igreja a seguir o "Evangelho da Família".
A lista integra 114 presidentes de conferências episcopais, como D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, e os chefes dos 13 sínodos de bispos das Igrejas Orientais Católicas, para além de 25 presidentes dos dicastérios da Cúria Romana e 26 cardeais, bispos e padres selecionados pelo Papa, que aprova ainda a escolha de peritos (‘adiutores secretarii specialis’) e ouvintes (‘auditores’), grupo que inclui 24 leigas e uma religiosa.
Os chamados ‘padres sinodais’, com direito a voto, são 191, vindos dos cinco continentes: 78 da Europa, 42 da África, 38 da América, 29 da Ásia e quatro da Oceânia.
O elenco inclui 62 cardeais, sete patriarcas, um arcebispo-maior, 67 arcebispos, 48 bispos, um sacerdote prelado e seis religiosos.
Participam por direito próprio os membros do XIII Conselho Ordinário do Sínodo, que tiveram a missão de preparar a assembleia extraordinária, a que se somam três membros eleitos, religiosos que representam a União de Superiores Gerais.
Aos padres sinodais juntam-se 16 peritos, que colaboram com o secretário-especial (D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, Itália), 38 ouvintes e oito delegados de Igrejas cristãs.
Segundo o secretário-geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, por causa do tema em debate a Santa Sé quis “dar particular relevo aos casais, pais e chefes de família”.
Neste sentido, a lista de participantes inclui 14 casais: um no grupo de peritos e 13 nos ouvintes.
“Cada casal terá 4 minutos para intervir, à semelhança dos cardeais que desejem tomar a palavra”, informou, em conferência de imprensa.
Fonte: aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:47


formar e informar

Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2017

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D