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APENAS DE PASSAGEM!...

por Zulmiro Sarmento, em 26.01.11

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.

A vida na Terra é somente uma passagem. No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente e  esquecem-se de ser felizes.

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publicado às 06:43

UM OLHAR DE AMOR

por Zulmiro Sarmento, em 11.08.08

     Um dia, Raoul Follereau, ao visitar uma leprosaria numa ilha do Pacífico, ficou surpreendido: entre tantos rostos desfigurados e quase mortos, havia um homem que conservava uns olhos límpidos, vivíssimos, e com um sorriso que a todos iluminava sempre que lhe diziam uma palavra amável ou lhe davam alguma coisa.

     Quando quis saber o que mantinha esse leproso tão agarrado à vida, disseram-lhe que observasse o que sucedia todas as manhãs.

     Raoul Follereau descobriu que, todas as manhãs, o homem descia para o pátio e sentava-se diante do alto muro que cercava a leprosaria. Esperava ali até que, a meio da manhã, aparecia durante alguns segundos outro rosto. Era um rosto de mulher, idosa e enrugada, que sorria. Então o homem comungava aquele sorriso e sorria também.

     A seguir, o rosto da velhinha desaparecia e naquele breve instante o  leproso tornava-se, resplandecente, já tinha alimento para aguentar mais uma jornada e aguardar que, no dia seguinte, regressasse o vulto sorridente.

     Essa mulher era a sua esposa. O leproso comentava: «Ao vê-la, sei que ainda estou vivo!»

     Esse olhar de amor era, de facto, suficiente para transfigurar esse doente, para lhe dar vida. Um olhar de amor faz esquecer as dores e restaura as forças. Um olhar de amor puro tem uma poderosa energia. É sinal visível do amor de Deus.

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publicado às 00:07

Um supermercado diferente

por Zulmiro Sarmento, em 06.08.08

     Um conto para ler num tempo em que as pessoas correm para os supermercados, mas não encontram aí todos os bens de que necessitam para viver com qualidade.

 

     Um dia, fui ao supermercado da cidade e vi que não tinha algumas coisas verdadeiramente importantes. Decidi então ir ao supermercado do Céu.

     Entrei. Uma música de fundo ajudava à reflexão e uma voz suave recomendava: « Pense bem naquilo de que necessita!» Comecei a circular e encontrei coisa maravilhosas.

     A primeira coisa que comprei, porque me fazia falta, foi paciência. Adquiri três embalagens. Na mesma secção estava a caridade e a compreensão, dois artigos de muita importância para ser feliz.

     Comprei uma embalagem gigante de sabedoria e três de amor. Estava lá um letreiro a dizer que o amor faz maravilhas. Pensei: se é verdade, com muita facilidade pode remover o egoísmo que se instalou no meu coração.

     Adiante havia uma prateleira com os frutos do ESpírito Santo: caridade, alegria, paz, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si. É evidente que enchi um cabaz com esses frutos tão deliciosos e que tornam a vida verdadeiramente saborosa.

     Fui parar depois à prateleira da oração. Um cartaz recordava que toda a pessoa necessita da oração, pois só assim escutará  a voz de Deus a dizer palavras de amor ao nosso coração.

     Encaminhei-me para a caixa, pensando que teria muito para pagar. Um anjo ia pegando nos produtos, um a um, e fazendo a conta. Como não via o ecrã da caixa, perguntei:

     — Quanto devo?

     O anjo olhou para mim e sorriu. Disse-me para levar tudo, dizendo que eram produtos de um altíssimo valor. Temendo não ter dinheiro para pagar todos esses produtos, voltei a perguntar:

     — Quanto devo?

     O anjo voltou a sorrir e disse-me:

     Não deve nada. Tudo o que se pode adquirir neste supermercado já foi pago por Jesus Cristo. Tudo é dado de forma gratuita. Tudo é graça.

   Tudo está, de facto, ao nosso alcance. Sente-se isto continuamente, mas a pressão exterior é tão forte, que perdemos muitas e contínuas oprtunidades.

     Que e quem será a criança, o adolescente, o jovem, o adulto e o idoso do séc. XXI nesta matéria das coisas do espírito!?

    

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publicado às 10:11

Prenda das Bodas de Prata

por Zulmiro Sarmento, em 23.01.08

         

          Era um casal muito pobre e também sem filhos.

          Ela fiava à porta da sua cabana pensando no marido. Toda a riqueza que ela possuía era uma bela cabeleira, gabada e invejada pelas mulheres da aldeia. Uma cabeleira negra, comprida, brilhante que brotava da sua cabeça como fios de linho da sua roca.

          Ele ia ao mercado vender algumas frutas. Sentava-se à sombra de uma árvore a esperar, firmando entre os dentes o seu cachimbo vazio. O dinheiro não lhe chegava para uma pequena porção de tabaco.

          Aproximavam-se os 25 anos do seu casamento. Em anos anteriores, nessa data, nunca tinham oferecido nada um ao outro porque a pobreza não lhes permitia esse luxo. Mas agora tinha de ser. Vinte e cinco anos é uma data marcante que é preciso comemorar. Assim pensavam os dois em segredo sem falarem um com o outro sobre o assunto. Era preciso fazer uma surpresa.

          Uma ideia cruzou a mente da esposa. Sentiu um calafrio de alegria e tristeza ao pensar nela mas era a única maneira  de conseguir algum dinheiro: venderia a sua cabeleira para comprar tabaco para o seu marido. Seria a melhor prenda que lhe podia dar. Ela imaginava-o já na praça, sentado atrás dos seus frutos, puxando longas cachimbadas e o fumo a evolar-se como aroma de incenso e jasmim a dar-lhe o prestígio e a solenidade de um grande comerciante.

          Só obteve pelo seu belo cabelo umas poucas moedas. Mas escolheu com cuidado o mais fino estojo de tabaco. O perfume das folhas enrugadas compensava largamente o sacrifício do seu cabelo.

           Ao cair da tarde regressou o marido. Vinha cantando pelo caminho.

          Trazia na mão um pequeno embrulho: eram alguns pentes para a sua mulher. Para obter dinheiro para os comprar tinha vendido o seu cachimbo...

           São assim as surpresas do amor verdadeiro...

 

                               Tradução livre de um poema de Tagore

           

         

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publicado às 22:17

Um sonho de Maria de Nazaré

por Zulmiro Sarmento, em 23.12.07

          «Eu tive um sonho, José.

          Não o entendi muito bem, mas parece que era a respeito da celebração dos anos do nosso filho. Eu penso que era a respeito disso.

          As pessoas andavam há seis semanas a preparar esta festa. Tinham decorado e iluminado a casa e comprado presentes muito bonitos. Mas era curioso notar, que esses presentes, não eram para o nosso filho.

          Embrulharam esses presentes em papel muito bonito, amarraram-nos com fitas de várias cores e colocaram-nos debaixo de uma árvore. Sim, uma árvore, José, dentro da própria casa.

          A árvore também estava enfeitada. Os ramos estavam cheios de bolinhas luminosas e decorações brilhantes. Havia uma figura no ponto mais alto da árvore. Parecia a figura de um anjo. Oh! Era tão bonito!

          Toda a gente se ria e se mostrava feliz. Todos entusiasmados com os presentes.

          Deram os presentes uns aos outros, José. Não os deram ao nosso filho que fazia anos. Deu-me tanta impressão, que as pessoas nem sequer o conheciam, pois nem mencionavam o nome dele.

          Não é estranho, que as pessoas tenham tanto trabalho para celebrar os anos de uma pessoa que nem sequer conhecem?

          Tive mesmo a sensação que se o nosso filho aparecesse nesta festa seria um intruso e de certeza não seria bem recebido.

          Tudo estava tão bonito, José, é toda a gente estava tão contente, mas... deu-me tanta vontade de chorar.

          Que tristeza para o nosso filho Jesus, não ser desejado, nem sequer na festa dos seus anos.

          Sinto-me contente por ter sido apenas um sonho.

          Que terrível, José, se isto tivesse sido verdade!»

Este escrito perturbador, criado por alguém desconhecido, imbuído do verdadeiro sentido do Natal, chegou-me às mãos, pelos correios, duma amiga professora do 1º Ciclo. Pensei logo partilhá-lo com todos. É o tal remar contra a maré daqueles (Maçonaria!) que conseguiram com bastante êxito afastar Jesus do Natal como alguém estranho, simplesmente desconhecido. Um familiar mostrou-me, em conversa recente, que as crianças à pergunta sobre quem dá as prendas afirmam logo que é o pai natal e se interpeladas com o Menino Jesus, respondem atónitos: «quem é esse?!». E isto em ambientes ditos cristãos e que  se abrigam sobre o manto protector do Santuário do Senhor Bom Jesus...

Bem dizia o teólogo e profeta  Karl Rahner nos anos sessenta, tempos saudosos pós Concílio: «A Igreja será uma minoria»... Já é! O que há é paleio e gente "baptizada - pagã" a usufruir e exigir sobre (quase) ameaça, coisas religiosas às paróquias como "estações de serviço", para reabastecimento. E o que fica: reportagens fotográficas e em vídeo de um tempo – este agora! – para arquivo de fantochadas.

Quando é que esta gente entende que o rei vai nu, aliás, a Igreja vai nua?! Quem o dirá? Aqueles que ficarem para a história como loucos e tarados...? Sempre foi assim que os trataram. Porque havia de ser diferente agora!! Eu ando na lista já faz muitos anos. Com satisfação. Porque amo a Igreja. E fujo da tentação demoníaca de ser «funcionário» instalado, de Deus e da Igreja, com indumento e tudo... que ao ridículo vai um milímetro!

 

                                          

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publicado às 12:42

Conto Judaico

por Zulmiro Sarmento, em 02.11.07

Um velho rabino perguntou uma vez aos seus alunos como é que se pode reconhecer o momento em que a noite termina e começa o dia.

         — É quando se pode distinguir claramente, de longe, um cão de uma ovelha.

         — Não — diz o rabino.

         — É quando se pode distinguir uma tamareira de uma figueira.

         — Não — diz de novo o rabino.

         — Mas então quando é? — perguntaram os alunos.

         O rabino respondeu:

         — É quando, olhando o rosto de quem quem que for, tu reconheces o teu irmão ou a tua irmã. Até lá, há ainda noite no teu coração.

Apeteceu-me escrever este conto porque estou a tratar do Judaísmo (os nossos irmãos mais velhos na fé) em relação com o Catolicismo, como religião monoteísta, com os alunos mais velhos no ensino religioso, e devemos todos ter uma postura para com as religiões do maior respeito possível, e para tal é preciso conhecê-las na perspectiva deles e na nossa e depois fazer a síntese. Como este mundo seria diferente se as religiões monoteístas e as restantes, fossem as primeiras promotoras do diálogo e da paz entre os povos! Quanta guerra fruto da mais pura ignorância!

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publicado às 10:12


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