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NUNCA MAIS

por Zulmiro Sarmento, em 06.11.10

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

(Sophia de Mello Breyner)

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publicado às 06:34

Carta aos professores

por Zulmiro Sarmento, em 19.10.10


 "Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são
justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que,
 
por cada vilão há um herói,
 
que por cada egoísta, há também um líder dedicado,

 ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo,
 
ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada,
 
ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória,
 
afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso,
 
faça-o maravilhar-se com os livros,
 
mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu,
 
as flores do campo, os montes e os vales.
 
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa
 vale mais que a vitória vergonhosa,
 
ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
 
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros,
 
ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros
 também entraram.

 Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho,
 
ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os
 homens também choram.
 
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só
 contra todos, se ele achar que tem razão.

 Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro
 aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser
 corajoso.
 
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só
 assim poderá ter fé nos homens.
 
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."
 
Abraham Lincoln, 1830 ( dizem que é dele )

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publicado às 06:41

Frase do dia

por Zulmiro Sarmento, em 11.10.10
As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, mas tiram o melhor partido de tudo o que têm.

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publicado às 06:42

"O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO".

por Zulmiro Sarmento, em 13.09.10

GANHEI CORAGEM
 
Rubem Alves
 
... colunista da Folha de S. Paulo ...
 
"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que
ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em
que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.
 
Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.
 
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem
política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é
o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o facto é que a vontade do
povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
 
A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação
histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direcções opostas. Bastou que
Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se
entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés
ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
 
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao
contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a
prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E
o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a
e disse:
"Agora você será minha para sempre".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de
Deus.
Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia
os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam
mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.
 
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo
dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o
povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em
praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro
de churrasco e os gritos.
 
 
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados,
têm consciência. São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções
colectivas.
Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se
incorporados a um grupo tornam-se capazes dos actos mais cruéis. Participam
de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma
bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
 
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da colectividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
 
Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.
 
O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os
votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais
sedutoras.
O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à
colectividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos
trabalham.
 
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
 
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
 
O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.
 
O povo, unido, jamais será vencido!
 
Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de
silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser
obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.
 
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
 
Rubem Alves

 

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publicado às 06:03

Frases eternas

por Zulmiro Sarmento, em 06.09.10

O VERDADEIRO AMOR NUNCA SE DESGASTA. QUANTO MAIS SE DÁ MAIS SE TEM.

(Antoine de Saint-Exupery)

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publicado às 06:33

Frases eternas

por Zulmiro Sarmento, em 04.09.10

QUEM NÃO SABE O QUE É A VIDA, COMO SABERÁ O QUE É A MORTE?

(Confúcio)

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publicado às 06:24

O Destino

por Zulmiro Sarmento, em 04.08.10

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publicado às 06:35

Frases eternas

por Zulmiro Sarmento, em 31.07.10

Ser amigo é entender o silêncio, a ternura, o mistério.

 

(Ely M. Becker)

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publicado às 06:47

Frases eternas

por Zulmiro Sarmento, em 29.07.10

A paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade.

 

(João Paulo II)

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publicado às 06:45

Frases eternas

por Zulmiro Sarmento, em 27.07.10

A confiança é um acto de fé e esta dispensa raciocínio.

 

(Carlos Drummond de Andrade)

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publicado às 06:42


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