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600 mil iniciam ano de catequese em Portugal

por Zulmiro Sarmento, em 05.10.09

 

Novas publicações, consolidação de modelos alternativos de transmissão da fé são algumas das apostas

O lançamento de novas publicações, a consolidação de novas aproximações à transmissão da mensagem cristã e a insistência na formação dos catequistas são algumas das novidades do novo ano na catequese, que contará com a participação de cerca de 600 mil crianças e adolescentes.
O número de crianças e adolescentes que frequenta a catequese não tem correspondência com a participação na missa. Além de uma maior formação dos catequistas, é necessária “maior proximidade no interior das comunidades de fé – entre padres e agentes pastorais – para que elas se tornem mais atraentes”, refere Cristina Sá Carvalho, directora do Departamento de Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã.
Esta responsável revelou à Agência ECCLESIA que o livro para o terceiro ano chegará às livrarias dentro de aproximadamente uma semana. Com esta edição, fica revista a catequese da infância. “É um catecismo bastante exigente, mas eu acho que vai levar frescura ao trabalho com as crianças”, afirmou.
Na Semana da Educação Cristã, que ocorrerá de 4 a 11 de Outubro, será lançado mais um volume do “Curso Geral de Catequistas”, dedicado aos conteúdos bíblico-teológicos.
Modelos alternativos
“Há algumas dioceses que começam a reflectir sobre os modelos de catequese para a adolescência, de uma forma que me parece bastante produtiva”, afirma Cristina Sá Carvalho.
Não se trata de substituir os conteúdos, porque esses catecismos foram recentemente reeditados com materiais novos, mas procurar novas fórmulas, por exemplo no que diz respeito aos horários: “Os adolescentes têm muitas aulas e chegam cansados às paróquias; por isso, há comunidades que, de forma experimental durante este ano, vão transferir a catequese para o Sábado ou para uma manhã ou dia inteiros”.
Um dos problemas recorrentes da catequese é o facto de muitos dos adolescentes que terminam o período de formação não continuarem nas comunidades paroquiais. Cristina Sá Carvalho considera que uma das causas desta dificuldade reside na transmissão demasiadamente “escolar” dos conteúdos de fé: “A doutrina é muito importante, mas com as crianças e adolescentes o fundamental é “viver uma mensagem incarnada numa pessoa, que nos explica como é e o que se deve fazer”.
Num tempo caracterizado pela mutação acelerada, “é preciso que a Igreja deixe uma luz acesa à porta, porque hoje as pessoas vão embora, mas querem voltar. E quando elas regressam, temos a porta fechada e a luz apagada. Por isso é preciso compreender o que é o desejo da fé e o anseio permanente do ser humano em se encontrar com Deus.”
Envolvimento da família
“A família tem um papel importantíssimo na transmissão da fé. Não se consegue trabalhar contra ela; e, em contrapartida, toda a colaboração que ela oferece é extraordinariamente importante”, explica a psicóloga.
O papel das famílias é essencial, mas elas “são separadas quando sobem os degraus da igreja: as crianças vão para a catequese e os pais têm outro tipo de acompanhamento, com reuniões e cursos”. A evolução dos modelos catequéticos tenderá a evangelizar e a estar com a família, na sua diversidade, com as suas dificuldades de conciliação de horários e com a sua presença irregular aos encontros eclesiais. A directora do Departamento de Catequese está convencida de que “a Igreja se fortalece com os indivíduos, mas muito mais com as relações que estabelecem entre si, especialmente através do amor que se gera nas famílias, e nelas com Deus”.
Mudanças
Em Março realizar-se-ão as jornadas de catequistas, que têm sido bem acolhidas: “Os participantes ficam com muita informação sobre o que é feito nas dioceses e paróquias, o que se traduz num enriquecimento enorme”, afirma a responsável.
“Vai-se criando uma consciência de profissionalismo”, que corresponde às exigências dos temas a apresentar. Cristina Sá Carvalho dá como exemplo o terceiro ano, em que o catequista “vai ter que pensar e trabalhar cada sessão com antecedência, calma e concentração”.
Apesar do esforço que requerem, essas experiências são muito positivas para as crianças e adolescentes, assim como para quem comunica os conteúdos. Em muitas paróquias é comum usarem-se as tecnologias da informação, porque essas pessoas já estão na cultura do computador e do telemóvel.
O trabalho desenvolvido no Secretariado Nacional da Educação Cristã tem permitido a Cristina Sá Carvalho constatar que há cada vez mais padres a descobrir que a catequese é essencial para a sua paróquia, o que é motivo de “imensa esperança”. Este factor, aliado à opção de tornar o catequista um ministro laical, poderia contribuir para a que a Catequese fosse encarada com “coragem, profundidade e tempo”.
 
ECCLESIA

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