por Zulmiro Sarmento, em 03.05.09
Quando a moda discursiva da crise se esvaziar, a palavra Mãe ecoará novamente límpida e iniludível, na sociedade, como fonte simbólica de vida, de valores, de afectos e de amor maiusculizado. Até lá, não obstante os ataques ruidosamente mediáticos que vai sofrendo, a palavra Mãe continua eivada de sentido e vai subsistindo ao crescente autismo dos (seus) filhos.
Porta-estandarte de abnegação, de entrega, de tempo efectivamente afectivo, a Palavra de Mãe distingue-se por ser:
†mais presente do que o Sol;
†mais iluminada do que a luz;
†mais tenaz do que o vento;
†mais perspicaz do que a terra;
†mais ágil do que a água;
†mais protectora do que o ar;
†mais quente do que o fogo;
†mais sensível do que o gelo;
†mais forte do que o mar;
†mais célere do que o trovão;
†mais subtil do que o tempo;
†mais equilibrada do que a natureza.
E é precisamente por assumir no quotidiano dolorosamente belo das famílias tantas dimensões quantas as necessidades, para fazer face à(s) crise(s), que a Palavra de Mãe nunca se esgota, num continuum criativo, paciente e terno. E isto porque, apesar da liquidez volúvel do nosso tempo, a Palavra de Mãe vem crivada de esperança e de caridade, mesmo quando revestida de silêncio.
Que a nossa voz de Mãe perdure enraizada e incólume às múltiplas pressões de que é alvo, certa de que será ouvida e se inscreverá em novos olhares sobre a realidade do presente e do amanhã.
Helena Cristina Guimarães
Departamento Arquidiocesano de Pastoral Familiar de Braga
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