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15 DOENÇAS (CRÓNICAS, DE DIFÍCIL CURA). MAS FALTA A 16: TODAS AS 15 SÃO PARA O PADRE DA PARÓQUIA VIZINHA PORQUE NÃO SOFRO DELAS...

por Zulmiro Sarmento, em 07.01.15

No encontro de Natal com a Cúria Romana, o Papa Francisco elencou as 15 doenças que enfraquecem a Igreja e os homens que a formam. Um texto riquíssimo que se assume como verdadeiro exame de consciência.

1. Sentir-se imortal ou indispensável
“Uma cúria que não se autocritica nem se actualiza, que não procura melhorar é um corpo doente. O Papa recorda que uma visita aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver o nome de tantas pessoas que “talvez pensassem ser imortais, imunes às responsabilidades”. É uma doença daqueles que “se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Deriva muitas vezes a patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”, do narcisismo.

2. Excesso de activismo
A doença daqueles que, como Marta na passagem do Evangelho “se afundam no trabalho, negligenciando, a ‘parte melhor’; o sentar-se aos pés de Jesus. O Papa recorda que Jesus “chamou os seus discípulos a ‘descansar um pouco’ porque negligenciar o descanso conduz ao stress e à agitação.”

3. Petrificação mental e espiritual
Daqueles que “perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem debaixo da correspondência transformando-se em ‘máquinas rotineiras’ e não em homens de Deus”, incapazes de “chorar com os que choram e rir com os que riem!”

4. Excessiva planificação
“Quando o apóstolo planifica tudo minunciosamente e acredita que assim as “coisas efectivamente progridem, transformando-se num contabilista. Preparar bem é necessário mas sem cair na tentação de querer controlar a liberdade do Espírito Santo… É sempre mais fácil e cómodo reclinar-se nas suas posições estáticas e imutáveis."

5. Falta de coordenação
É daqueles que “perdem o sentido da comunhão e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade”, tornando-se “uma orquestra que produz ruído porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e equipa."

6. Alzheimer espiritual
Isto é, a “perda progressiva das faculdades espirituais” que “causa graves limitações às pessoas”, fazendo-as viver num “estado de absoluta dependência dos seus pontos de vista muitas vezes imaginários”. Esta doença identifica-se em quem “perdeu a memória” do seu encontro com o Senhor, em quem depende das suas “próprias paixões, caprichos e manias”, em quem “constrói à sua volta muros e hábitos.”

7. Rivalidade e vanglória
“Quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias se tornam o objectivo prioritário da vida… É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos e a viver um falso ‘misticismo’ e um falso ‘quietismo’. ”

8. Esquizofrenia espiritual
É a doença daqueles que vivem “uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica da mediocridade e do progressivo vazio espiritual que os títulos académicos não conseguem preencher”. Atinge com frequência aqueles que “abandonam o serviço pastoral, limitando-se às papeladas burocráticas, perdendo deste modo o contacto com a realidade, com as pessoas concretas. Criam desta forma um mundo paralelo, onde metem de lado tudo aquilo que ensinam aos outros” e conduzem a uma vida “escondida” e ”frouxa.”

9. Murmuração e intriga
[a doença] Aproveita-se da pessoa e transforma-a numa “semeadora de discórdia” (como Satanás) e, em tantos casos “mata a sangue frio” a fama dos colegas e irmãos. É a doença das pessoas covardes que, não tendo a coragem de falar directamente, falam nas costas. Estejamos atentos ao terrorismo dos boatos!.”

10. Divinização dos chefes
A doença dos que “cortejam os superiores”, vitimas do “carreirismo” e do “oportunismo” e que “vivem ao serviço pensando unicamente naquilo que devem obter e não no que devem dar. São “pessoas mesquinhas”, inspiradas apenas no seu “egoísmo fatal”. Também pode contagiar os superiores hierárquicos “quando cortejam alguns dos seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas cujo resultado final é uma verdadeira cumplicidade.”

11. Indiferença
“Quando se pensa apenas em si mesmo perde-se a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu saber ao serviço dos colegas. Quando por ciúme ou má fé se experimenta gozo por ver cair o outro, em vez de o animar e encorajar. 

12. Cara de enterro
É a enfermidade das pessoas “anti-sociais e desagradáveis, que entendem que, para serem respeitadas é necessário pintar a cara de tristeza, gravidade e tratar os outros – sobretudo os que são considerados inferiores – com rigidez, dureza e arrogância.”
“A severidade encenada e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança em si mesmo. O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e portadora de alegria.” O papa Francisco convida a que sejamos cheios de humor e com capacidade de nos rirmos de nós mesmos: “O bem que nos faz uma boa dose de humor!”.

13. Acumulação

Verifica-se "Quando o apóstolo procura colmatar o vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade mas apenas para se sentir seguro.

14. Grupinhos
Quando “a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo e, em algumas situações, a Cristo. Também esta doença tem na sua génese boas intenções mas, com o passar do tempo, escraviza os membros transformando-se ‘num cancro’ “.

15. Exibicionismo
Verifica-se "Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em bens para obter mais-valias ou ainda mais poder. É a doenças das pessoas que procuram, sem cessar, multiplicar poderes e, tendo em conta esse fim, são capazes de caluniar, de difamar e de descridibilizar os outros, mesmo nos jornais ou nas revistas. Naturalmente, o que pretendem é exibir-se e demonstrar que são mais capazes do que os outros.” Uma doença que “faz muito mal ao corpo porque conduz as pessoas a justificar o uso de qualquer meio para atingir determinado fim, muitas vezes em nome da justiça e da transperência.”

O Papa Francisco concluiu recordando que leu uma vez que os "sacerdotes são como os aviões, só fazem notícia quando caem, no entanto são muitos mais os que voam. Muitso são os que os criticam, mas são poucos os que oram por eles." Uma frase que Francisco considera "verdadeira porque mostra a importância e delicadeza do nosso serviço sacerdotal e o mal que poderia causar ao corpo da Igreja a queda de um só sacerdote."

 

 

Tradução e adaptação por Claudine Pinheiro a partir do texto publicado no Vatican Insider

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publicado às 12:56

Nostalgia de Deus

por Zulmiro Sarmento, em 07.01.15

 

Notamos uma busca de Deus neste mundo materializado em que vivemos. Há uma curiosa lenda que tenta explicar essa ânsia nostálgica de Deus no íntimo de cada ser humano.

Depois do primeiro fracasso com o primeiro homem, Deus decidiu criar outro. Fez um belo boneco de barro e depois de activá-lo com o sopro a vida iria modelar-lhe um rosto. Tomou o boneco nas suas mãos e animou-o. Mas o boneco, logo que se sentiu com vida, fugiu das mãos do Criador. Queria ser ele mesmo a escolher o seu próprio rosto. Andou, andou e, longe de Deus, parou para pensar qual seria o seu rosto.

Foi experimentando diversos rostos que viu à sua volta na Natureza. Tomou o rosto de águia e passou a viver orgulhoso, como ave de rapina. Tomou o rosto de réptil e a sua língua só lançava veneno. Tomou o rosto de leão e passou a viver à custa dos mais fracos. Tomou o rosto de flor, mas cansou-se de ser objecto de adorno. Tomou o rosto de pedra, mas não pôde resistir muito tempo a tanta passividade.

Continuou a fazer várias experiências, mas cada vez se sentia menos homem. Começou a ficar cada vez mais triste e a sentir saudades do calor das mãos que o tinham criado e lhe iam modelar um rosto. Mas não sabia o caminho do regresso...

Esta procura ansiosa de Deus que se vem observando no decurso da História e mais se observa actualmente pelo aparecimento de numerosas seitas e de movimentos de cariz religioso, esta procura do Transcendente revela-nos essa nostalgia. Mas nem sempre os homens encontram o caminho do regresso às mãos do Criador. Alguns desistem e dizem-se agnósticos. Outros, torturados por esse desencontro, acham mais fácil negá-lo. E dizem-se ateus.

Outros procuram identificar-se com o rosto de Jesus Cristo, rosto visível do Pai Criador de todas as coisas.

Esta é a imagem verdadeira do Deus-Pai apresentada por Jesus Cristo. Só esta imagem pode levar à verdade sobre a fé e a esperança.

Mario Salgueirinho

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publicado às 10:45

NÃO «ARRUMEMOS» O PRESÉPIO

por Zulmiro Sarmento, em 07.01.15
 

 

  1. A esta hora, muitos presépios já foram desmontados.

A lição da manjedoura porventura já estará esquecida. Alguma vez terá sido aprendida?

 

  1. O Natal mostra que Deus, quando vem até nós, não corre atrás dos poderosos.

Está disponível para todos, mas não alimenta dúvidas acerca de quem está mais próximo: dos pequenos. Tudo o que for feito a eles é feito a Ele (cf. Mt 25, 40).

 

  1. A Igreja de Cristo só pode estar onde Cristo esteve, onde Cristo está: aberta a todos, mas ao lado dos pobres.

Há uma nova ordem que se inaugura. Na base não está o poder, está o amor. Não está o mando, está o serviço.

 

  1. Na missão, não convencemos apenas pelas palavras.

Aliás, ninguém será convencido pelas palavras se os gestos não estiverem em conformidade com elas.

 

  1. Como Jesus foi sempre a transparência do Pai — «quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9) —, não deveria a Igreja procurar ser sempre a transparência de Jesus?

Para tal, não basta ser o eco das Suas palavras. É fundamental procurar ser a reprodução das Suas atitudes, dos Seus gestos.

 

  1. Jesus é a Palavra feita vida e a vida feita Palavra. Palavra e vida estão plenamente sintonizadas em Jesus.

Num tempo em que se gritam tantas palavras, faz pena que a Palavra de Jesus seja remetida ao silêncio e atirada para o esquecimento. Se a memória ainda a guarda, a prática, muitas vezes, parece que não a acolhe.

 

  1. Ao desmontarmos o presépio, não atiremos para longe a manjedoura. Retenhamos a sua permanente lição.

A manjedoura é o certificado da humildade de Deus e o convite ao despojamento da Igreja.

 

  1. Deus não entra no mundo pela pompa. Deus vem pela simplicidade e pela pobreza.

Uma Igreja pobre será — sempre — a maior riqueza que teremos para oferecer.

 

  1. Estiquemos o Natal a todo o ano. Construamos um Natal para toda a vida. Não apaguemos a luz que Deus acendeu em nós.

Não eclipsemos o sorriso. Cubramos o cinzento dos nossos dias com a luz do presépio, com o encanto da manjedoura, com a paz de Belém.

 

  1. Deixemos brilhar, à nossa frente, a estrela da bondade. E deixemos, atrás de nós, um rasto de esperança.

Enfim, não arrumemos totalmente o presépio. Ele deixou de ser visível cá fora. Mas tem de continuar presente na nossa vida: aqui e agora!

 

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publicado às 02:33


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