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PENSEMOS NISTO. QUANTIDADE VERSUS QUALIDADE

por Zulmiro Sarmento, em 29.10.14

Quatro características dos católicos que escandalizam os não católicos (e com toda a razão)

 
Sim, nós, católicos, somos pecadores como todos os outros, e a “fé só de nome” assola todas as religiões. Mas podemos ser bem melhores! Nós temos a plenitude do Evangelho de Jesus Cristo e o pleno acesso à sua graça infinita. Não deveríamos manter um padrão bem mais elevado?
 
É muito importante notar que nenhum dos problemas que eu listo a seguir são inerentes ao catolicismo como tal: esses problemas vêm de indivíduos católicos que não vivem a própria fé. Além disso, nenhum desses problemas se aplica à totalidade dos católicos, pelo menos não de forma significativa. Mas se aplicam a um número de católicos suficientemente relevante para causar escândalo entre os não católicos, dando a eles fáceis motivos para não levar o catolicismo a sério.
 
Eu não tenho a pretensão de achar que não faço parte do problema. Eu faço. Mas gostaria também de fazer parte da solução.
 
Por isso, gostaria de mencionar quatro aspectos em que nós, católicos, escandalizamos os não católicos. Precisamos melhorar nesses quatro pontos para transmitirmos de verdade o Evangelho ao mundo.
 
1) Nós, católicos, não falamos o suficiente sobre Jesus
 
Jesus Cristo aparece no centro e na frente de cada cruz na maioria das igrejas católicas. É o Evangelho de Jesus Cristo o que nós temos que levar até os confins da terra. É Jesus Cristo quem, misteriosamente, se faz presente no altar em cada santa missa. Jesus é o centro absoluto da fé católica, o princípio e o fim de tudo.
Ou deveria ser.
A nossa pouca vivência real desta verdade é um problema tão sério que nem há como exagerá-lo. Mesmo entre os católicos mais fiéis, parece que há uma dedicação de tempo bem maior para falar da Igreja, do clero, do papa, da missa, dos ensinamentos morais, dos sacramentos, de Maria e dos santos, todos muito importantes, é claro, mas bem menos dedicação para mencionar Jesus.
Sim: os evangélicos, às vezes, estão certos ao dizer que todos aqueles outros aspectos podem acabar virando uma distração. E eles têm o direito de se escandalizar com isso.
É claro que a solução não é o outro extremo, de deixar de lado todos esses aspectos da nossa fé. Mas precisamos enxergar a ordem correta das coisas. Os católicos devem seguir o ensinamento da sua Igreja e colocar Jesus em primeiro lugar, pois Ele é o Deus encarnado e o único que pode nos salvar. Todo o mais é uma ajuda para nos aproximarmos de Jesus.
 
2) Nós, católicos, não conhecemos a Bíblia
 
“A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”. Esta frase não foi dita por um pregador fundamentalista, mas por um santo católico doutor da Igreja: São Jerônimo. A frase é citada na “Dei Verbum”, a constituição dogmática sobre a Revelação Divina promulgada pelo Concílio Vaticano II, em 1965.
Parece, portanto, que uma grande quantidade de católicos é ignorante de Cristo.
A Igreja católica concorda com os irmãos e irmãs protestantes quando eles afirmam que a bíblia é a Palavra inspirada por Deus. A bíblia é fonte fundamental para aprendermos sobre Cristo e sobre o caminho da salvação. Como católicos, somos incentivados a conhecer a bíblia, mas a maioria de nós não se empenha nesse conhecimento.
 
3) Nós, católicos, dissentimos dos ensinamentos da Igreja
Por que os outros cristãos e os não cristãos levariam a sério os ensinamentos católicos se parece que nem sequer os católicos levam a sério a própria doutrina?
Muitos protestantes chegaram a dizer-me o seguinte: é difícil levar a sério a suposta autoridade dos bispos (um aspecto essencial do catolicismo) quando a impressão que se tem é a de que eles mesmos permitem muita dissidência. Quando eu falo com meus amigos evangélicos sobre a fé, aponto a confusão e a desunião que a “sola scriptura” provoca entre os protestantes e mostro que o magistério católico oferece uma solução, pelo menos em princípio. Mas é exatamente por isso que parece tão chocante o fato de que os nossos bispos permitam, em torno a questões importantes, a mesma dissidência, confusão e desunião que existe entre os protestantes no tocante à “sola scriptura”. De que adianta ter um bispo, perguntam eles, que não conserva a fé nem mantém a ordem? Qual é então, questionam eles, a necessidade do magistério?
 
4) Nós, católicos, não vivemos na prática os ensinamentos da Igreja
 
Este problema é parecido com o anterior e se resume ao seguinte: a hipocrisia não atrai ninguém.
Sim, todos nós temos pecados e ninguém é perfeito, independentemente da sua religião. Mas será que estamos mesmo tentando ser melhores? A nossa fé faz mesmo alguma diferença em nossa vida real?
É um reducionismo dizer que a Igreja tem posições morais contrárias à cultura dominante. Mas o testemunho da Igreja acaba ficando ainda mais reduzido quando nós, católicos, não demonstramos viver essas posições. Não inspiramos os não católicos a praticar a virtude heroica solicitada pelos ensinamentos da Igreja quando nem nós damos o exemplo do esforço para praticá-la.
 
Precisamos de uma reforma.
A Igreja é a Igreja de Cristo, independentemente da fidelidade ou não dos seus membros. Além disso, há muitos fiéis católicos fazendo muitas coisas excelentes.
Mas precisamos de uma reforma.
Não se trata de um cisma, e sim de uma verdadeira reforma de vida, do tipo modelado pelos santos católicos. É com essa reforma que poderemos cumprir mais efetivamente o mandamento de Cristo e o primeiro propósito da existência da Igreja: testemunhar o Evangelho da salvação para o mundo inteiro.

BRANTLY MILLEGAN | aleteia.org

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