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A Liturgia da Palavra Dominical

por Zulmiro Sarmento, em 31.08.14

XXII DOMINGO TEMPO COMUM – VOCAÇÃO E RADICALIDADE

Às vezez tem-se a sensação que Deus pede demais. Parece aos que mais se dão nos caminhos da fé que mais é pedido. Multiplicam-se as dificuldades,  aparecem inúmeras provações, é-se confrontado com as mais diversas crises, acontecem doenças, insuficiências económicas, problemas na educação dos filhos, e chega a perguntar-se “que mal fiz eu, ó Deus, para ser tratado assim.” Teresa d’Ávila, a reformadora do Carmelo, ao referir os sofrimentos vividos por tantos dos melhores cristãos, exclamava, agora sei porque é que tens tão poucos amigos. Toda esta linguagem que humanamente se compreende, que tende a atribuir a Deus todas as coisas negativas que nos acontecem, não é porém, assim. A dor e o sofrimento estão colados à natureza humana. São o limite nascido da nossa imperfeição. O desafio está em saber pela nossa relação com Deus como suportar o sofrimento, vivê-lo e até ter capacidade para oferecê-lo. Aliás, Jesus, no mistério da crucifixão, foi o primeiro a oferecer o sofrimento pela redenção de toda a humanidade.

Ao ler o Evangelho da liturgia de hoje, compreende-se a radicalidade que é pedida a quem quer seguir Jesus Cristo até ao fim. No diálogo com os discípulos, Jesus é muito claro: se alguém quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” e acrescenta ainda, “quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la, mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.” E a terminar este projecto de radicalidade chega mesmo a dizer “que importa ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua vida”. A vocação do cristão parece fácil mas não poide ficar-se em comodismos estéreis. Pedro julgava testemunhar o seu amor a Jesus convidando-O a não subir a Jerusalém, mas Jesus pediu expressamente que ele se afastasse, porque a missão que recebera do Pai, deveria ser vivida até ao fim, até à crucifixão no Calvário. A radicalidade da vida de Jesus iria projectar-se no convite à radicalidade que Jesus fazia aos seus.

Pode perguntar-se, porém, se será possível uma entrega total da vida se ela não está cimentada num grande amor.  Sentiu isso já no Antigo Testamento Jeremias que diz na sua profecia, “vós me seduzistes; Senhor, e eu deixei-me seduzir; vós me dominastes e vencestes”. O profeta foi capaz de enorme sofrimento porque estava centrado num grande amor. É esta a atitude do cristão dominado pelo amor de Jesus ao segui-l’O pode viver a radicalidade em todas as expressões. É o pedido que Jesus faz aos seus discípulos que O amam e que Ele ama. S. Paulo oferece hoje uma síntese perfeita: “peço-vos irmãos, que pela misericórdia de Deus, vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa (…) para viverdes o que é bom, o que Lhe é agradável, o eu é perfeito” (Rm 12, 1-2).

 

Monsenhor Vítor Feytor Pinto (in Revista LiturgiaDiária, ed. Paulus)

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publicado às 16:09

Vaticano: Papa denuncia «pecados» contra unidade da Igreja

por Zulmiro Sarmento, em 31.08.14

 

(Lusa)(Lusa)

Francisco diz que bisbilhotice e maledicência são «sinal» do diabo

Cidade do Vaticano, 27 ago 2014 (Ecclesia) - O Papa Francisco denunciou hoje no Vaticano os “pecados” que afetam a unidade da Igreja, em cada comunidade católica, e afirmou que a bisbilhotice e maledicência são “sinal” do diabo.

“A divisão é um dos pecados mais graves numa comunidade cristã, porque a torna sinal, não da obra de Deus, mas da obra do diabo”, alertou, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro, perante dezenas de milhares de pessoas.

Segundo o Papa, o diabo é “aquele que separa, destrói as relações, semeia preconceitos”.

“Deus, pelo contrário, quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, perdoarmos e amarmos, para nos parecermos cada vez mais com Ele que é comunhão e amor”, acrescentou.

Francisco observou que os pecados contra a unidade não são só “as grandes heresias, os cismas” mas também as “falhas” presentes nas comunidades, que definiu como “pecados paroquiais”.

“Por vezes, as nossas paróquias, chamadas a ser lugar de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por invejas, ciúmes, antipatias”, lamentou.

Deixando de lado o discurso preparado, o Papa perguntou aos presentes se era “bom” haver “bisbilhotice” nas paróquias, por exemplo, quando alguém assume cargos de responsabilidade.

“Isto não é a Igreja, isto não se deve fazer. Não digo que corteis a língua, tanto não, mas pedir ao Senhor a graça de não o fazer. Isto é humano, mas não é cristão”, precisou.

Francisco sustentou que estes “pecados” acontecem quando as pessoas se colocam “em primeiro lugar” e no “centro”, com as suas ambições pessoais, julgando os outros.

O Papa falou ainda nas “divisões” que aconteceram na história da Igreja, com “guerras” entre cristãos, apelando à oração entre cristãos e a um “exame de consciência”.

A catequese insere-se num ciclo de conferências sobre a Igreja, “santa, por ser fundada por Jesus Cristo” e “composta por pecadores, que fazem todos os dias a experiência das suas próprias fragilidades e misérias”.

O Papa deixou depois saudações em várias línguas, incluindo aos peregrinos lusófonos: “O Senhor vos encha de alegria e ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste a vosso respeito. Rezai por mim. Não vos faltará a minha oração e a bênção de Deus”.

OC

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publicado às 16:08


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