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Religião: «Fé só complica a vida» quando tem «moralismos e tabus», diz teólogo católico

por Zulmiro Sarmento, em 09.12.11

«Crise do sentido» é o drama mais profundo das sociedades secularizadas, defende sacerdote das Jornadas do Instituto Superior de Teologia de Viseu

Lisboa, 24 nov 2011 (Ecclesia) – O padre Arnaldo Pinho, professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, considera que a “a fé só complica a vida, quando vem carregada de moralismo e tabus”.

Na intervenção que proferiu esta terça-feira nas Jornadas do Instituto Superior de Teologia de Viseu, o docente sublinhou que a indiferença face ao religioso constitui a maior dificuldade para a ação da Igreja, refere o site da diocese viseense.

Além da perda dos “valores absolutos”, a sensibilidade para o simbólico também foi afetada porque o ensino artístico e religioso deixou de fazer parte da educação, sublinhou o docente no encontro dedicado ao tema “Desafios da secularização à transmissão da fé”.

Depois de apontar que o irracional passou a ser nota dominante nas opções individuais e coletivas, Arnaldo Pinho afirmou que a sociedade da abundância é cruel e defendeu que é necessário criar uma cultura de consenso e comunhão.

A Igreja, por seu lado, deve valorizar o trabalho dos leigos, acentuando a corrresponsabilidade de todos os fiéis, sustentou o investigador, que se insurgiu contra o “narcisismo eclesial”.

Arnaldo Pinho frisou a importância da formação dos católicos adultos e salientou que a valorização das tradições e da religiosidade popular corresponde à compreensão da cultura profunda, onde a fé pode oferecer o sentido da existência.

A “crise do sentido” é para o padre Anselmo Borges, da Universidade de Coimbra, o drama mais profundo das sociedades secularizadas, onde a afirmação do cristianismo é possível e necessária.

A ausência de Deus provoca um vazio que se procura preencher através do cálculo, da eficácia, do bem-estar e do prazer, que no entanto são insuficientes para ultrapassar a angústia da morte, referiu o sacerdote.

Na mesa-redonda de encerramento das Jornadas, que decorreram segunda e terça-feira no auditório do Seminário Maior de Viseu, Manuel Matos, José Melo e Helena Castro, professores do Instituto Superior de Teologia, falaram da pedagogia da fé no quadro das propostas do Concílio Vaticano II (1962-1965).

O intimismo religioso e a redução da fé a um individualismo sem consequências na sociedade conduzem à apostasia silenciosa e a um “cristianismo cultural” baseado em justificações pseudocientíficas, constituindo uma forma de ateísmo, indicaram.

A vivência intensa da espiritualidade cristã, testemunhada em público, constitui, segundo os participantes, podem conduzir ao “encantamento” suscitado por uma relação pessoal com Deus.

GIDV/RJM

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publicado às 04:51

Tema da Solenidade da Imaculada Conceição

por Zulmiro Sarmento, em 08.12.11



 

Na Solenidade da Imaculada Conceição somos convidados a equacionar o tipo de resposta que damos aos desafios de Deus. Ao propor-nos o exemplo de Maria de Nazaré, a liturgia convida-nos a acolher, com um coração aberto e disponível, os planos de Deus para nós e para o mundo.
A segunda leitura garante-nos que Deus tem um projecto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher – um projecto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projecto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios.
A primeira leitura mostra (recorrendo à história mítica de Adão e Eva) o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos caminhos de egoísmo, de orgulho e de auto-suficiência… Viver à margem de Deus leva, inevitavelmente, a trilhar caminhos de sofrimento, de destruição, de infelicidade e de morte.
O Evangelho apresenta a resposta de Maria ao plano de Deus. Ao contrário de Adão e Eva, Maria rejeitou o orgulho, o egoísmo e a auto-suficiência e preferiu conformar a sua vida, de forma total e radical, com os planos de Deus. Do seu “sim” total, resultou salvação e vida plena para ela e para o mundo.

Padres dehonianos

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 05:17

Natal com menos... Natal melhor

por Zulmiro Sarmento, em 07.12.11

Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho

Ser hoje luz num tempo de sombras, parece ser o “destino” de cada um de nós no tempo que passa, num tempo que passa e que dói, que dói esta dor funda da impotência, da impotência diante dos gigantes das sombras que se agigantam e que parecem querer tomar de assalto tudo o que mexe, tudo o que respira e tudo o que sonha.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

O mundo, o país e cada um de nós, vive tempos de esperança e de mudança, em que o novo surge como a nova fronteira a conquistar, mas onde o medo e os medos teimam em formar barreira diante dos olhos, destes olhos feitos para ver a luz, feitos para encarar o medo, feitos para não terem de ver o sol só refletido nos charcos.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

Se calhar, a maior conquista do tempo do medo que passa, foi precisamente esta de nos ter tirado a capacidade de ousar levantar a cabeça, de ousar olhar para além do imediato do já, em direção ao menos “imediato” do ainda não, mas que está e vive em tensão de devir, de futuro, de projeção para diante, num diante que encontra a utopia e faz dela o sonho, um sonho que vence o medo, um sonho que se abre à luz.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

É por aqui que passa o segredo, este segredo que invejosamente levamos dentro sem partilhar, que envergonhada e pudicamente escondemos e que não conseguimos dar à luz e que nos faz gemer, gemer as dores do parto que tarda, gritar o grito das vozes caladas.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

E no entanto, a gravidez do tempo existe, as dores do parto afligem-nos, o nascimento tarda em acontecer, e o meu povo sofre, e a minha gente grita, o grito surdo que a voz rouca não é capaz de calar, mas que o medo embota, e que o desespero não deixa encontrar a paz.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

Neste tempo de vozes que gritam, que gritam a esperança que não é, que gritam promessas que não são, que esboçam sorrisos que são só esgares, eu paro e pasmo, qual basbaque embrutecido diante do palácio da ignomínia alcandorado em conto de fadas, das mil e uma noites de uma aurora boreal que é só ilusão e nada, de um nada que teima em ser e de um ser que já não é.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

E eu caminho, oh sim, caminho ao mesmo tempo em direção ao nada e ao ser, em direção ao outro e a mim, em direção ao nada e ao tudo, deixando para trás o passado que já foi, indo ao encontro do futuro que parece tardar em vir, no presente que cada vez que se deixa tocar no futuro que se torna passado, porque afinal, não existe.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

E é aqui que começa a minha “crise”, a crise de saber quem sou, onde estou, como estou, quem serei, como serei, onde estarei, como estarei! E é aqui que me dou conta de mim, da minha pequenez de ser, mas de um ser que é, de um ser chamado à existência nesse espaço virtual entre o já e o ainda não, entre o abismo do tudo e a profundidade do nada, num silêncio às vezes só habitado por fantasmas e por vozes, onde a minha se confunde, mas não deixa de existir e de falar. E de dizer NATAL!

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

 

Fantasmas e vozes de mim, deste ser que me habita e que eu procuro, deste ser que é e que é eternidade, uma eternidade que é já, que é este hoje do meu ser, que é ao mesmo tempo nada e tudo, porque sou eu, em relação comigo, em sorrisos e lágrimas, em alegrias e desesperos, em sonhos e fantasias, em “nadas” e em “tudos” que me habitam, que me “moram” onde eu moro, seja onde for, porque o meu “eu” não tem “lugar”, é, simplesmente, e pronto, comigo, em mim e para além de mim, porque infinito, porque eterno, porque tudo e porque nada, porque é, ao mesmo simultaneamente eternidade e tempo, imanência e transcendência, limite e infinito, kairós e eskaton, já e ainda não.

Por isso hoje é tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!

FELIZ NATAL!

Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho

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publicado às 10:15

Cónego António Pereira Rego – um bosquejo imperfeito

por Zulmiro Sarmento, em 06.12.11

Roberto Carneiro

Açoriano

Ilhéu de gema. Nascido há 70 anos em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, Açores. Mantém intactas as raízes atlânticas que ele tanto ama. Identifica-se com a força lávica das terras arquipelágicas, convive com os mistérios das fajãs, olha fixamente o sagrado Pico, contempla o mar mais intensamente azul que é dado ver, revê-se na omnipresença do Divino Espírito Santo, cultiva a fé do Senhor Santo Cristo no Convento de Nossa Senhora da Esperança. Açoriano genuíno guarda de Quental a universalidade do poema e de Nemésio a arguta observação do bicho humano.

A vida de António Rego cheira a maresia.

 

 

Pastor

Ordenado sacerdote em 1964, após estudos de Filosofia e Teologia no Seminário de Angra do Heroísmo, resiste heroicamente à crise vocacional pós-conciliar e aos dramas interiores de um espírito inquieto no serviço às grandes causas de humanidade. Fixa-se na paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Angra onde desenvolve notáveis tertúlias junto dos jovens que têm o privilégio de com ele partilhar as infindáveis discussões sobre o Kairos e o Cronos. Apesar da sua intensa atividade noutras esferas de intervenção sócio-cultural, e de um notável percurso de densificação intelectual, não esquece nunca que é, em essência, Padre e Pastor ao serviço dos outros. Por isso, cultiva uma constante relação de proximidade com a ação pastoral e paroquial. A sua dedicação à cidade dos homens é o seu leitmotiv.

A vida de António Rego tem o perfume de Deus.

 

Esteta

Conviver com ele é sinónimo de participar numa fascinante aventura estética. António Rego acredita convictamente num Deus da beleza. “Sei que Deus é mais estético que ético” afirma António Rego, numa sentença que, muito embora arrojada, sintetiza em coerência uma crença profunda. Nele cada ideia é uma catedral, cada palavra um poema, cada imagem um fresco, cada artigo uma sinfonia.

A vida de António Rego vem cinzelada com sentido artístico.

 

Cultura

Homem culto que cultiva o significado profundo das coisas. Desde cedo compreende que cultura e fé encerram uma chave transcendente e subtil da existência do mundo e do próprio ser. Mergulha na cidade dos homens em busca de sinais de divino, aqueles que ajudam a descortinar o sentido final da existência. Com o seu olhar crítico descobre verdades onde proliferam as mentiras e denuncia falsidades revestidas de verdades.

A vida de António Rego é um hino de celebração cultural.

 

Comunicador

António Rego é a incarnação do Espírito que comunica sem cessar. Inicia a paixão pela rádio com Hoje é Domingo, programa bandeira do Rádio Club de Angra nos anos 60, prossegue a experiência radiofónica na Rádio Renascença onde desenvolve uma mal compreendida missão de sacrifício nos anos difíceis da Revolução dos Cravos. Lança-se na escrita na União (Angra do Heroísmo) e marca décadas com os seus inconfundíveis artigos na Ecclesia, no Diário de Notícias, na Revista Atos, e noutros órgãos de comunicação que dão origem a três livros de antologia. Mas é na televisão que António Rego encontra a criatividade total na combinação de palavra e imagem, de razão e a emoção, de realismo e figurativo, de reportagem e de notícia: na RTP e na TVI, no programa religioso e na transmissão de grandes eventos de Igreja, na redação e na direção de informação, António Rego deixa a sua marca de qualidade e de originalidade nos mais de 1500 programas de TV em que deixou a sua “assinatura”.

A vida de António Rego é sinal inequívoco da força do Verbo.

 

Docência

Professor universitário nas suas áreas de especialidade – comunicação social e realização televisiva – conquista centenas de alunos e discípulos para a arte de comunicar com elegância em géneros e linguagens variadas. É exímio a combinar a teoria e a prática, fazendo de uma carreira de realizações desde o 70X7 ao 8º Dia o livro aberto de ensino e de estudo disponível para os alunos. A todos cativa com a sua humilde excelência e a sua qualidade na simplicidade.

A vida de António Rego contém a magia do mestre que dá sem procurar receber.

 

Serviço

A ter de encontrar uma palavra que caracterizasse um homem de invulgar envergadura moral ela seria SERVIÇO. O sentido do serviço é uma constante nas suas opções de fundo e na sua dedicação à Igreja. Como Diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais ou como primeiro Diretor de Informação da TVI, assim como Representante da Igreja Católica na Comissão do Tempo de Emissão das Confissões Religiosas ou como Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, a sua permanente disponibilidade constitui um traço dominante de personalidade.

A vida de António Rego encerra uma generosa lição de serviço eclesial.

****

Erik Erikson, notável psicanalista que influenciou todo o século XX, legou-nos uma teoria densa sobre as etapas da vida humana. Na sua 8ª e última etapa (mais de 65 anos), Erikson fala-nos da felicidade que resulta de poder olhar para trás e encontrar uma vida plena de sentido e de contribuição para os avanços da sociedade e dos concidadãos: é o que ele designa pelo sentimento de integridade. A força da etapa última de uma vida bem vivida, e íntegra, decorre da sabedoria destilada de uma experiência refletida de anos sucessivos de dramas e alegrias, a qual permite discernir o essencial do acessório, o transcendente do humano, o permanente do transiente.

António Rego, Cónego, Padre, Comunicador, Professor, Pastor, Esteta e Príncipe da Cultura, bem pode repousar um olhar tranquilo sobre a obra de uma vida íntegra e saborear os muitos anos de vida ativa que lhe auguramos com aquela invejável sabedoria de quem se senta na cadeira de baloiço no alpendre e aguarda serenamente o porvir.

Dou Graças a Deus pelo Dom que é António Rego para todos os que tiveram a felicidade de fruir da poesia que misteriosamente coloca em tudo o que faz e pelo Sacramento que ele representa para os que buscam refrigério nas suas atribulações.

Dom e Sacramento sem iguais, cuja explicação talvez resida na alma de açoriano impenitente que nele habita, a qual, na imensidão do oceano circundante, vislumbra horizontes de eternidade e abraça os homens com um coração do tamanho do mundo.

Roberto Carneiro, professor universitário

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 13:07

Esta é a hora dos bons interromperem o seu silêncio!

por Zulmiro Sarmento, em 05.12.11

Bernardino Silva, Caritas Portuguesa

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos,

nem dos corruptos,

nem dos desonestos,

nem dos sem caráter,

nem dos sem-ética.

O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Martin Luther King

 

Vivemos, hoje, momentos complexos que ao longo dos anos não quisemos admitir que era o tempo da mudança. A mudança do mundo a que João XXIII foi sensível aprofundou-se e acelerou. A Gaudium et Spes assumiu-o claramente: “verificam-se transformações profundas nos nossos dias, nas estruturas e nas instituições dos povos, que acompanham a sua evolução cultural, económica e social” (G.S. nº 73).

Meio século depois, os efeitos da mudança contínua alteraram o rosto da humanidade, mudaram os valores das civilizações e traçaram um novo quadro para o sentido da vida, individual e coletiva. E os cristãos não ficaram imunes a esta transformação, mudaram ao ritmo da sociedade, encontrando, em geral, a chave da interpretação da vida e da história, na mudança da sociedade, e não no Evangelho e na fé como fonte de uma compreensão global da existência.

A transformação tornou-se mais solidária e interventiva, daí a vasta rede de instituições de solidariedade social existentes no nosso País, muitas das quais situadas na área de influência da Igreja Católica, contribuindo para a mudança de paradigma e seu enorme impacto na erradicação da pobreza. Contudo, sabemos que não chega fazer mudanças particulares se vivemos num Estado que gere o dia a dia dos cidadãos, criando-lhes dificuldades de acessos básicos do viver, em vez da melhoria do bem-estar individual e coletivo.

Exemplo disso é o novo imposto extraordinário, aprovado recentemente e, que irá incidir sobre o subsídio de Natal, afetando milhares de pessoas, nomeadamente os dependentes e pensionistas. Entre tantas outras medidas de austeridade, esta é mais uma grave decisão governamental que coloca as famílias numa situação ainda mais complicada.

É neste contexto, que as ações desenvolvidas pela Caritas Portuguesa (atuando através das Caritas diocesanas), na conceptualização e na inovação da intervenção social, surgem com particular relevo.

Em concreto, a Operação 10 Milhões de estrelas – um Gesto pela Paz, apresenta-se como uma resposta na promoção da justiça social e da solidariedade, num momento complexo e ímpar das famílias portuguesas. O apelo à importância das verbas recolhidas por cada Caritas diocesana reforça a eficácia que cada um de nós poderá ter na divulgação e promoção desta ação, contribuindo para o pleno sentido do agir humano tendo em vista o bem comum.

Através da iniciativa Operação 10 Milhões de estrelas – um Gesto pela Paz, a Caritas Portuguesa lança uma mensagem clara de solidariedade e apela aos cidadãos, em particular aos cristãos, para se mobilizarem em torno dos mais carenciados contribuindo com a compra de uma vela pelo preço de 1 euro.

Diante do quadro atual de crise, ninguém pode permanecer passivo, como se as soluções para os problemas pessoais e coletivos pudessem vir dos outros, sem o contributo de cada um. O debate que é preciso fazer não deve situar-se apenas ao nível das premissas e dos valores, mas deve igualmente sugerir ações que possam promover a solidariedade.

A hora difícil que estamos todos a viver ao nível dos valores humanos, requer uma profunda reflexão e o envolvimento alargado da sociedade portuguesa, na resposta aos desafios que se colocam. E dessas respostas sairá a possibilidade de construir, em consenso, uma Economia ao serviço do ser humano e uma Política que a ajude a encontrar-se e a cumprir as tarefas de uma civilização que tem de ser cada vez mais humana.

Porém, a força e a potência criadora, Deus, é sempre a mesma. Por conseguinte, é no encontro com Deus que os homens e mulheres se transformam fazendo uma história de vida humana em comunhão com uma história divina. Esta é a hora dos bons interromperem o seu silêncio!

Bernardino Silva, Coordenador nacional da Operação 10 Milhões de estrelas – um Gesto pela Paz

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publicado às 13:06

Tema do 2º Domingo do Advento - Ano B

por Zulmiro Sarmento, em 04.12.11

 

A liturgia do segundo domingo de Advento constitui um veemente apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Por sua parte, Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem aceitar reformar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.
Na primeira leitura, um profeta anónimo da época do Exílio garante aos exilados a fidelidade de Jahwéh e a sua vontade de conduzir o Povo – através de um caminho fácil e direito – em direcção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus.
No Evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos (e, claro, os homens de todas as épocas) a acolher o Messias libertador. A missão do Messias – diz João – será oferecer a todos os homens esse Espírito de Deus que gera vida nova e permite ao homem viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, de transformação, de mudança de vida e de mentalidade.
A segunda leitura aponta para a parusia, a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância – isto é, a vivermos dia a dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. Se os crentes pautarem a sua vida por esta dinâmica de contínua conversão, encontrarão no final da sua caminhada terrena “os novos céus e a nova terra onde habita a justiça”.

 

Padres dehonianos

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 14:28

ADVENTO

por Zulmiro Sarmento, em 04.12.11

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publicado às 04:40

Uma desmotivação perigosa

por Zulmiro Sarmento, em 03.12.11

Refiro-me à educação e à escola. Uma desmotivação que pode afectar alunos, pais, professores, governantes e a própria sociedade.

A escola, espaço-tempo cada vez mais indispensável, no presente e no futuro, necessita do amor, da paixão e da competência de todos os que a ela estão ligados e, muito justamente, integram uma desejável comunidade educativa. É uma instituição diferente de uma máquina de produzir coisas. A máquina só precisa de ser alimentada e orientada em função do que produz. A escola é, por sua vez, um espaço humano de relações pessoais e institucionais, com objectivos definidos. Se estas relações perdem o equilíbrio ou deixam empobrecer os laços comuns necessários, todo o processo se desvirtua e entra em perigosa derrapagem. Então, nem se ensina, nem se educa.
Um preocupante abandono da escola e o insucesso escolar, ainda verificado em grau elevado, as reacções violentas dos alunos e dos pais de “filhos sem defeitos”, para com os professores, a escola e quem a dirige, um desprezo alargado, por parte dos alunos, do esforço necessário e da disciplina indispensável, um número elevado de professores, com frequência enrodilhados nos seus problemas profissionais, a comunidade envolvente que só se queixa do que sopra dos lados da escola, o Estado, sempre distante das pessoas e dos problemas, a baralhada de ordens e contra ordens dos últimos anos, sem que se consiga ver o porquê, tudo isto são ingredientes perigosos, que podem fazer explodir um sistema, já de si frágil e melindroso.

Há escolas que funcionam bem, professores exemplares, alunos brilhantes e cumpridores, pais abertos e próximos, comunidades colaborantes, gente do governo, atenta, que sofre e não desiste. Porém, a escola será sempre o ponto de encontro e o eco inevitável das famílias desestruturadas, dos filhos não amados, das crises sociais, dos professores sem segurança, das metodologias de ocasião, de uma sociedade sem rumo, de acontecimentos inesperados. Todos os ventos borrascosos que se levantam na sociedade açoitam duramente as famílias e entram, na escola, por portas e janelas. Não os impedem os seguranças contratados, nem lhes muda o rumo a simples boa vontade de esforços isolados.

A educação e a escola são uma causa nacional premente, a pedir urgência de reflexão e decisão. De quando em quando, surgem por aí, vindos de longe e com prestígio garantido, sociólogos e filósofos, educadores e políticos, com reflexões sobre a escola, no contexto de um projecto educativo realista. Ainda há pouco, em Lisboa, um sociólogo americano trouxe ao Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, propostas concretas e avaliadas para se ir ao encontro das dificuldades de comunicação entre a escola e a família, entre a escola e a sociedade local. Li, com interesse, o relato alargado dos jornais, e fiquei a pensar se o que se reflectiu parou nos que participaram, ou chegou a quem tem de experimentar, avaliar e decidir.
Família e escola não podem ser realidades em tensão permanente a acusarem-se mutuamente e a defenderem-se como indiferentes ou mesmo inimigas. Custe o que custar, têm de comunicar entre si, fazer rede, ir além dos preconceitos e das desconfianças. A escola, por meios adequados, pode educar a família, e a família pode, ao mesmo tempo, a ajudar a escola a ser melhor escola. Quem está em causa sãos os filhos, preocupação primeira e permanente, dos pais, e os alunos, razão de ser dos professores e da escola. Não há pais sem filhos, nem professores sem alunos.

A educação escolar, como a educação em geral, tornou-se uma actividade social cada vez mais complexa e difícil, qualquer que seja o espaço onde se realiza e os agentes que a assumem, como encargo ou tarefa de vida. Não pode, por isso, realizar-se no meio de escaramuças ou de indiferenças. Se o objectivo é formar pessoas para uma vida responsável, a colaboração vai mais longe que a procura de bons resultados escolares. Se fora apenas isto, os professores e a escola dirão que não recebem lições de quem não competência para as dar. Já se perdeu demasiado tempo com horizontes tão limitados. Pouco mais se tem procurado nos encontros com os pais, provocados pela escola, e com as reivindicações dos pais que raramente franqueiam as portas da mesma por outros motivos que não sejam as classificações escolares dos filhos.

Só rompendo um círculo tão pobre, se podem encontrar caminhos novos. Este só se romperá com pessoas motivadas, abertas a novos horizontes educativos e dispostas a colaborar. E tudo isto, só se faz, fazendo-se.

D. António Marcelino

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 11:35

Não há palavra obscena capaz de me acalmar perante esta multa... Que malvadez de denúncia; que denúncia mais parva!!

por Zulmiro Sarmento, em 02.12.11
Bento XVI processado por não usar cinto no papamóvel (Renascença)

Alemanha

Bento XVI processado por não usar cinto no papamóvel (Renascença)

Bento XVI vai ser processado, na Alemanha, por não ter usado cinto de segurança no seu papamóvel, quando visitou o país, em setembro. Multa pode chegar aos 2.500 euros, mas imunidade diplomática deve levar ao arquivamento do caso.

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publicado às 05:12

A última

por Zulmiro Sarmento, em 01.12.11

«Jesus,  faz-me falar sempre
como se fosse a última palavra que possa dizer.
Faz-me agir sempre
como se fosse a última ação que possa fazer.
Faz-me sofrer sempre
como se fosse  o último sofrimento que tenho para te oferecer.
Faz-me rezar sempre
como se fosse a minha última possibilidade, aqui na Terra,
de poder falar contigo».

(Chiara Lubich)

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publicado às 05:03

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