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Tá tudo explicado. Pois tá. E mesmo assim, como diz fulana de tal, basta no 3º período começar...

por Zulmiro Sarmento, em 22.10.11

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publicado às 04:30

Resistências à mudança

por Zulmiro Sarmento, em 21.10.11

 

Quem anda atento às mudanças sociais e culturais e não se esquece que a Igreja está ao serviço da sociedade e das pessoas tem consciência de que muitas coisas têm de mudar na acção pastoral. Nem sempre as mudanças são aquelas de que as pessoas falam, movidas por razões sopradas e pouco sabedoras do que na Igreja é essencial.

O concílio Vaticano II foi o acontecimento com maior força propulsora da mudança a operar-se na Igreja. Realizou-se para isso mesmo, segundo os objectivos anunciados por João XXIII, que queria não a continuação de uma Igreja clerical, mas o surgir de uma Igreja Povo de Deus, marcada pela Comunhão e pela Missão. Uma Igreja capaz de entender a sociedade e de dialogar com ela sobre o desígnio de Deus a operar-se na história humana. Uma autêntica mudança que toca em conceitos e critérios, em atitudes e projectos.

Não era fácil a conversão, sobretudo dos que, embrenhados nas estruturas e nos modelos tradicionais, teriam sempre grande dificuldade em se libertarem para poderem adquirir a liberdade interior sem a qual não são possíveis as verdadeiras mudanças. Quem viveu o antes do Concílio, e logo o seu depois, entende estas dificuldades porque as sentiu. Destes, os primeiros, dependia muito o rumo e o impulso conciliar. Foi-se, porém, pelo mais fácil e espectacular, passou-se, em muitos casos, ao lado dos grandes apelos à conversão, sossegou-se a consciência pensando que os outros é que tinham de mudar, deu-se lugar a superficialidades que não seriam inócuas, pôs-se patine em muitas coisas velhas. O ambiente era de cristandade e mera conservação, com sentença de morte anunciada a partir dele próprio, pensando-se, logicamente, que não sobreviveria. Acabou por ser ele mesmo marcar o ritmo da anti mudança. Com tudo isto, andou-se para trás e deram-se muitos passos em vão.

Bento XVI disse, recentemente, na Alemanha, que, na Igreja, “há mundo a mais e Espírito a menos”. E falou que, sem a conversão profunda do Papa, dos bispos e padres, dos religiosos e leigos, de toda a Igreja, não haverá mais lugar para o Espírito. Mundo a mais, quer dizer que os critérios profano e as preocupações temporais se sobrepõem à moção do Espírito, o Único que pode dar a vida. 

O Concílio foi uma lufada de ar fresco para a Igreja, que tanto pode perdurar ainda, como ter sido esquecido uma mera recordação. Os textos conciliares deixaram de ser lidos, meditados, entendidos como rumo e caminho. Muita gente da Igreja voltou à velha rotina, a programar para conservar, sem se interrogar se por aí pode alguma vez passar o vento da renovação pastoral. Os esquemas pastorais, a utilização dos recursos humanos e materiais, a linguagem, mesmo com as novas técnicas, parecem permanecer ao serviço de um passado que nada diz às pessoas de hoje. A maioria destas teve acesso generalizado ao ensino, experimentou a democracia, tomou consciência do seu valor como pessoa, sente o direito e o dever de participar. Os tempos de cristandade sempre de sabor clerical. Por isso estão desadequados e fora do tempo. Teimar neles é produzir o vácuo religioso e eclesial, continuar a construir muros que dividem e valas intransponíveis. O problema não está em sentir a dificuldade das mudanças que se impõem, mas em teimar em não querer, nem procurar caminhos novos que permitam os rumos novos que urgem na Igreja.

Os decisores eclesiais, mesmo quando inovam, estão rodeados de caminhos de tropeços que não os deixam andar. Uns incómodos, outros acarinhados. Uns doem, outros agradam. Estes tropeços, tanto se chamam grupos corporativos, como costumes, bairrismos impensáveis, ânsia de honras e vaidades, que o Concílio execrou mas que continuam a prodigalizar-se. Não se entende, quando o grito evangelizador é insistente, que se perca tempo e se desgastem energias em banalidades e disputas que cheiram a mofo e sujam a imagem da Igreja.

As maiores recriminações de Cristo foram feitas aos conservadores interessados do seu tempo, que não queriam andar, nem deixavam que outros andassem. Parece que a história se repete, com prejuízo irreparável das pessoas e da sociedade. Ao repensar a acção da Igreja hoje, há que estar atento porque, em alguns casos, os falar-se de renovação e ao dar exemplo de coisas novas, o horizonte é muito curto, o que não admira pelo pouco que se estuda, lê e reflecte, se escuta, avalia e inova. Os que querem de verdade são sonhadores e utópicos. Os que parece que querem são agentes promovidos.

D. António Marcelino
AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 04:22

É mesmo verdade, mas quem deu e/ou aceitou este nome à localidade ficou com o juízo a ferver!...

por Zulmiro Sarmento, em 20.10.11
"Vá pra Puta que o Pariu!"
não vai ter mais problema, pois o lugar existe... e dá até para ir de "ônibus!"
Apanha o 307!
Fica na cidade de Bela Vista de Minas, em Minas Gerais.Bela Vista, uma pequena cidade cercada de mato no interior de Minas Gerais, (no Brasil é claro).Uma grande surpresa, um dos bairros tem o nome de Puta que Pariu!
O município de Bela Vista de Minas foi criado pela Lei nº 2764, de 30 de Dezembro de 1962, desmembrando do município de Nova Era, declarando naquele momento, às margens do Córrego do Onça a Independência de Bela Vista de Minas.A cidade é divida em 7 bairros: Bela Vista de Cima, Lages, Serrinha, Córrego Fundo, Favela, Boca das Cobras e... Puta que Pariu.
Podem pesquisar!É só digitar "Puta que pariu" no Google e confirmar, só no Brasil mesmo.
Imaginem o padre da paróquia dizer que vai celebrar uma missa na Puta que Pariu! Ou o Jornal nacional informar que o debate entre os candidatos ao governo de Minas será realizado na Puta que pariu.
Agora você já sabe...
Quando quiser mandar alguém para aquele lugar, é só dizer:
Apanha o 307!
Recebido por mail... Muito engraçado.

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publicado às 04:15

O orçamento para 2012

por Zulmiro Sarmento, em 19.10.11

O Orçamento de Estado para 2012 parece mau demais para ser verdade. O cenário económico que o suporta prefigura a pior recessão desde 1975, com uma queda no produto de 2.8% em 2012 após ter descido 1.9% este ano. O consumo das famílias deve cair uns impressionantes 4.8% no ano que vem, depois de se ter reduzido 3.5% em 2011, enquanto o investimento se encontra em queda livre (-10.6% em 2011 e -9,5% em 2012), tendo-se reduzido sempre desde 2001, excepto em 2007. O desemprego, que há dois anos está acima do seu máximo histórico, continuará a subir até 13.4%, atingindo quase 750 mil pessoas.

Em cima disto temos um rosário de medidas dolorosas. No lado fiscal o Governo, ao contrário de anos anteriores, preferiu não mexer nos valores das taxas dos grandes impostos. Em contrapartida altera uma miríade de escalões, deduções e isenções, multiplicando pequenas subidas de receita fiscal. Os aspectos mais marcantes são a alteração da estrutura das listas do IVA, subindo muitos bens das taxas reduzidas, e o alargamento da base tributável do IRS eliminando deduções.

Do lado da despesa avulta uma grande medida: o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas acima de certo nível de receita. Para além disso existem múltiplas reduções na Administração em esforços de racionalização.

Uma estratégia destas não é apresentada ligeiramente nem por engano. Trata-se de um violentíssimo esforço de ajustamento. Será justificado? Todos vivemos por cá nos últimos anos e seguimos a irresponsabilidade e incapacidade que nos trouxeram a esta situação. Fomos o último país a acordar para a necessidade de austeridade perante a crise internacional, após mais de um ano de despesas eleitoralistas em 2009. O resultado foi a maior subida do défice público da nossa história, de 3.5% do PIB em 2008 para 10.1% em 2009. Seguiu-se a repetida inoperância das medidas de ajustamento, simbolizada na sequência dos quatro PECs, que agravaram o défice para 11.4% em 2010, depois ajustado a 9.8% por medidas extraordinárias. Tudo terminou com o pedido de ajuda internacional, por ruptura de acesso ao crédito, em Abril deste ano.

Agora que perdemos a credibilidade externa, para mais no meio de grave crise europeia, a única alternativa à derrocada financeira é a tentativa séria e dura de ajustamento. É preciso mostrar um empenhamento irredutível que convença os credores do nosso compromisso na estabilização orçamental. Este é o ponto decisivo, que o Governo erigiu como prioridade absoluta. O ano de 2011 já tinha um limite definido de 5.9% do PIB para o défice, que não foi cumprido. Ou melhor, será atingido de novo com recurso a expedientes contabilísticos. O resvalar das despesas e receitas do Estado, com sucessivas surpresas desagradáveis bem conhecidas, conduziu o défice este ano a 7.7%. Perante a indispensabilidade de cumprir a imposição lançou-se mão de medidas extraordinárias que permitem atingir formalmente os desejados 5.9%. Mas, na ausência de mais truques no ano que vem, será dos reais 7.7% actuais que temos de descer em 2012 para chegar aos pretendidos 4.5% da meta desse ano.

Não será a cura pior que a doença? Não é este o caminho que a Grécia seguiu e que já se viu que falhou? Dizê-lo é admitir à partida a inevitabilidade da derrocada financeira. Podemos já assumir essa via, o que terá como consequência cortes imeditos ainda mais drásticos, face à perda consequente da ajuda externa, e sobretudo muito mais prolongados, pois demorará décadas até sermos readmiti-dos como país respeitável. A alternativa, em que aposta este Orçamento é que, ao contrário dos gregos, os portugueses consigam fazer os sacrifícios necessários para ainda cumprir os seus compromissos com os credores, mantendo-se como país honesto.

Decisiva é a forma como Portugal enfrentará o triste cenário. Se mergulhar em contestação como os gregos, não haverá solução senão falir. Se suportar os sacrifícios e procurar novas soluções vencerá a crise. Este é o grande desafio desta geração.

João César das Neves

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 03:23

Andam a dobrar a juventude

por Zulmiro Sarmento, em 18.10.11

 

Nuno Miguel Guedes

Qua, 12/10/11

 

Talvez seja por lidar com as palavras como ofício mas a verdade é que gosto de estar atento ao modo como as pessoas conversam. Não se trata de bisbilhotice , até porque temo que seja cada vez mais raro encontrar seres humanos com algo de relevante para dizer; não, interessa-me neste caso mais a forma do que o conteúdo. Gosto de saber como a língua é usada, as músicas sortidas das frases, os diálogos improváveis, algumas expressões geniais. É um exercício inofensivo, barato, portátil (praticável em qualquer paragem de autocarro, café ou repartição de finanças) e sempre útil para quem escreve.

Infelizmente, a última experiência deixou-me aterrorizado. Descobri, sem margem para erro, que os adolescentes da franja etária 12-16 não têm voz própria: alguém faz a dobragem dos seus diálogos.

 

Parece um mau argumento de um filme de Woody Allen, mas é a minha convicção. Explico: dediquei-me há uns dias a ouvir a forma como a minha filha (14 anos) e as amigas conversavam. O resultado foi traumático. A entoação e as expressões-tipo eram traduções selvagens do modo de falar das teenagers americanas. Um exemplo clássico encontra-se nas formas descritivas:«A stôra de Inglês é, tipo, chata», em que 'tipo' substitui o bordão 'like' («She was, like, you know...»); as interjeições a mesma coisa: «E vocês viram o cabelo do Luís? Oh meu Deus, é sei lá, tipo – horrível?», em que a interrogação significa na verdade uma afirmação. Qualquer infeliz que tenha assistido a um episódio em português da Hannah Montana sabe do que estou a falar.

 

Não me entendam mal, leitores: não sou um empedernido reaccionário linguístico. Não acho que os adolescentes devam falar com tiradas à Pai Tirano («Ó inclemência! Ó martírio!»). Pelo contrário, sei que a língua é viva e objecto de fácil contaminação, o que a torna apaixonante (e por isso não susceptível de a formatarem com «acordos» mas isso são outras lutas). Só tenho pena é que os jovens tenham preguiça de formar a sua própria gíria, os seus próprios bordões e manias de dizer que os afastem do linguajar dos adultos. Isto é uma dobragem transladada do americano, que a não ser contrariada poderá no limite fazer com que qualquer dia um dos versos  mais famosos de Camões seja lido «Amor é um fogo que arde, tipo, sem se ver».

 

Desdobrem-se, por favor.

 
Retirado do Sapo

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publicado às 03:16

Bento XVI convoca os cristãos para o “Ano da Fé”

por Zulmiro Sarmento, em 17.10.11


 «...decidi convocar um especial “Ano da Fé", que começará em 11 de outubro de 2012 – 50º aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II – e terminará em 24 de novembro de 2013, solenidade de Cristo Rei do universo. As motivações, as finalidades e as linhas diretivas deste Ano foram expostas em uma carta apostólica que será publicada nos próximos dias.
O Servo de Deus Paulo VI convocou um análogo “Ano da Fé” em 1967, por ocasião do 19º centenário do martírio os apóstolos Pedro e Paulo, durante um período de grandes mudanças culturais. Considero que, transcorrido meio século da abertura do concílio, ligada à feliz memória do Beato João XXIII, seja oportuno recordar a beleza e a centralidade da fé, a exigência de reforçá-la e aprofundar nela no âmbito pessoal e comunitário, e fazê-lo em perspectiva não tanto celebrativa, mas sim missionária, na perspectiva, justamente, da missão ad gentes e da nova evangelização.»
Bento XVI, Angelus 16.10.2011)

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publicado às 11:14

Ligar os pontos

por Zulmiro Sarmento, em 17.10.11

Numa cultura que se recusa a encarar [a doença e a morte] Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade

D.R.

É estranho dizer-se de um homem que morre aos 56 anos que tenha tido três vidas. Mas é isso que apetece dizer quando se escuta o inspirador discurso que Steve Jobs fez em 2005, na entrega de diplomas da universidade de Stanford, e que hoje podemos perceber claramente como uma espécie de testamento. Jobs conta, então, três histórias, que correspondem a momentos-chave do seu percurso. A primeira descreve os seus difíceis começos e ele chama-lhe “ligar os pontos”. O arranque da vida não podia ser mais áspero. Entregue para a adoção assim que nasceu, uma adolescência hesitante, a entrada numa universidade que os pais não conseguiam pagar nem ele verdadeiramente suportava, a dureza de uma juventude feita de biscates, meio à deriva…Mas no meio disso, a aprendizagem pessoal do valor das coisas, a busca exigente daquilo que realmente gostava e aceitar pagar o preço, em dedicação e esforço. Ele conta, por exemplo, que escolheu frequentar minuciosamente um bizarro curso de caligrafia. Só dez anos mais tarde, quando inventou o revolucionário Macintosh, percebeu que esse conhecimento viria a ter uplicação preciosa. Como diz Steve Jobs, precisamos confiar que os pontos dispersos do nosso percurso se vão ligar e receber daí confiança para seguir um caminho diferente do previsto.

A segunda história é sobre o amor e a perda. Ele inventou com um amigo, na garagem da sua casa, um negócio que, em apenas uma década, passou a mover 2 biliões de dólares e 4000 empregados. E, precisamente, quando julgava ter alcançado o auge despedem-no. Impressionante é o modo como integra este golpe, depois de um primeiro atordoamento: «Decidi começar de novo. E isso deu-me liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida». A verdade é que ele se reinventa e volta à liderança da empresa da qual havia sido dispensado.

A terceira história é acerca da doença e da morte. E numa cultura que se recusa a encarar qualquer uma delas, Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade: «A morte é muito provavelmente a melhor invenção da Vida…O nosso tempo é limitado então não o desperdicemos… Tenhamos a coragem de seguir o nosso coração». Por isso, a sua morte recente não nos obriga apenas a lembrar a revolução tecnológica que ele aproximou dos nossos quotidianos. Ela obriga-nos a arriscar “ligar os pontos” dentro de nós.

José Tolentino Mendonça

 

AGÊNCIA ECCLESIA

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publicado às 03:41

Tema do 29º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 16.10.11

A liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir acerca da forma como devemos equacionar a relação entre as realidades de Deus e as realidades do mundo. Diz-nos que Deus é a nossa prioridade e que é a Ele que devemos subordinar toda a nossa existência; mas avisa-nos também que Deus nos convoca a um compromisso efectivo com a construção do mundo.
O Evangelho ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obrigações com a comunidade em que está inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político.
A primeira leitura sugere que Deus é o verdadeiro Senhor da história e que é Ele quem conduz a caminhada do seu Povo rumo à felicidade e à realização plena. Os homens que actuam e intervêm na história são apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar os seus projectos de salvação.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus. Eleita por Deus para ser sua testemunha no meio do mundo, vive ancorada numa fé activa, numa caridade esforçada e numa esperança inabalável.

 

Padres dehonianos

Agência Ecclesia

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publicado às 05:12

Coitadindo! E... coitadinhos!

por Zulmiro Sarmento, em 15.10.11

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publicado às 04:18

Homilia de Encerramento da Semana Nacional da Educação Cristã

por Zulmiro Sarmento, em 14.10.11

Encerra-se neste Domingo a Semana Nacional de Educação Cristã, que este ano tem como  tema : “Família, transmissão e educação da fé”. Estamos em Fátima, lugar e santuário a que o Papa chamou “ Escola da fé”. Aqui se manifesta a fé dos milhares de peregrinos; se alimenta a fé de tanta gente que reza, ouve a Palavra de Deus, se aproxima do sacramento da Reconciliação e procura na Eucaristia a força espiritual; se testemunha a fé no acolhimento dado a todos por igual; se comunica a fé de mil maneiras a tantos que dela andam afastados Aqui podem também, os pais e os avós avivar a sua responsabilidade de transmitirem e fazerem crescer a fé dos seus filhos e dos seus netos.

Convida-nos o Santuário durante este ano a ”adorar a Santíssima Trindade. No mistério da Trindade tem a família a sua mais rica referência: Deus uno, Três Pessoas Divinas, o amor que faz a unidade, o mesmo projecto de salvação universal. A família, “comunidade de vida e de amor” poderá acaso beber em melhor fonte?

2. As famílias vivem hoje dificuldades grandes no seu dia a dia, mas todos sabemos que, numa família onde o amor é lei, os filhos são sempre a maior riqueza dos pais e dos avós, e a atenção a eles e ao seu maior bem é a maior preocupação dos pais. Deus encarregou os pais e os outros familiares que, a partir do Baptismo, sejam os primeiros responsáveis para que os seus filhos sejam de Deus, cresçam e andem sempre nos caminhos de Deus, que são os do bem. Assim serão felizes e farão os outros felizes.

Por vezes, as dificuldades e os problemas, mas também o descuido de muitos pais em se manterem fiéis à sua fé e, também, nesse ponto, serem modelo para os seus filhos, impede que a fé seja transmitida no primeiro e mais importante lugar, que é a casa dos pais, a casa de uma família cristã. Muitos de nós que aqui nos encontramos hoje, tivemos como primeiro lugar de catequese o colo das nossas mães ou das nossas avós. Aí aprendemos a olhar para o céu, a dizer o nome de Jesus, a benzer-nos, a rezar o Pai Nosso, a Avé Maria, a oração pequenina ao Anjo da Guarda. Era a primeira transmissão da fé, do sentido de Deus, como um grande valor educativo. Quando os pais entregavam os filhos à catequese paroquial, eles já iam de coração aberto para receber mais, já iam iniciados nos valores humanos e cristãos traduzidos em atitudes de vida. Não se manda aos pais que sejam educadores dos seus filhos, apenas se lhes pede que sejam pais.

3.Acontece que hoje já não é assim em muitas famílias que se dizem cristãs. Em Portugal inteiro chegam à catequese muitas crianças, talvez a maioria, que não sabem rezar nada, e nada sabem de Deus. Mais parecem filhos de pais não crentes e de famílias não cristãs.

Os pais não podem esquecer-se que quando pediram livremente o Baptismo para os filhos, assumiram o dever de os educar na fé, e que o Baptismo só tem sentido no desejo de que os filhos sejam de Deus, sejam santos. Se os filhos não forem de Deus, podem um não ser dos próprios pais. O baptismo não é apenas um rito religioso que recebe por força de uma tradição. É o maior dom que nos vem generosamente de Deus ao querer como seus filhos em Jesus Cristo. É o nascimento de uma vida nova que os pais não podiam , por isso a pediram à Igreja.

Certamente que a Igreja que tem como missão permanente, até ao fim dos tempos e em todos os lugares, dar a conhecer Deus e o seu desígnio de salvação para todos, sem excepção, vai ao encontro dos pais, não para os dispensar do seu dever, mas para os ajudar no seu dever de educadores da fé e da vida cristã. A catequese é esta tarefa da Igreja Mãe que se adapta às idades das crianças, dos adolescentes e dos jovens, pois que também ela é mãe, para ajudar a crer em Deus e a ser-lhe fiel.

Propõe-se a Igreja em Portugal sempre, mas muito especialmente este ano, dar aos pais uma formação mais adequada para que possam ser educadores da fé dos seus filhos, quer directamente, quer colaborando com os seus catequistas., ao longo dos dez anos de catequese. Deste modo também se pode ajudar a fé dos pais e de toda  a família, através da caminhada dos filhos.

4. Esta colaboração a pede ainda a Igreja aos pais em relação à formação cristã nas escolas, através da aula de Educação Moral e Religiosa Católica. Para os mais jovens compete aos pais pedir a sua matrícula. Aos mais velhos a motiva e a aconselhar a que o façam, como uma grande ajuda para a sua formação presente e futura.

Transmitir a fé e educar na fé não é apenas ensinar doutrina, nem levar aos sacramentos, mas é, sobretudo, ensinar vida e preparar para a vida, com a luz da verdade evangélica e o testemunho. Os valores humanos da verdade, da liberdade, do respeito pelos outros, da justiça, da honestidade, da solidariedade, da paz, do sentido da responsabilidade e do amor ao trabalho, são fundamentais na formação da gente nova. E tudo isto se aprende, antes de mais, no seio da família pelo testemunho dos pais, mas, também, na paróquia e na escola, através dos que desta tarefa fazem missão.

Neste dia, faço daqui, em nome dos bispos portugueses, dos bispos das vossas dioceses, dos vossos bispos, um apelo a todos vós, pais e mães, e avós, para que não descuideis a transmissão e educação da fé cristã dos vossos filhos e netos. Deus não se discute. Somos dele e a Ele pertencemos. E, como diz o povo crente, como dizeis vós mesmos: “Quem tem Deus tem tudo, quem não tem Deus, não tem nada”.

5. Pensemos como Maria e José se empenharam na educação de Jesus. Numa oração da família rezamos assim “Senhor, nosso Pai, Tu quiseste que  o Teu Filho nascesse e crescesse no seio de uma família como as outras. Assim, ao longo de uma vida simples, Ele aprendeu, a pouco e pouco, de José e de Maria, a tornar-se adulto e a descobrir a sua missão.” Sim, também Jesus de seus pais.

É isto que se pede aos pais: ajudar, por todos os meios ao seu alcance, os seus filhos a tornarem-se adultos e a descobrirem a sua missão, na Igreja e no mundo. Pais e mães, não saiais de Fátima sem pedirdes à Mãe de Jesus que vos ajude a ser verdadeiros educadores dos vossos filhos, de testemunhardes nas vossas comunidades esta preocupação e aqui, em Fátima, de  pedirdes, também, a mesma graça para todos os pais e mães, que andam, porventura, distraídos desta missão de pais cristãos.

6. A Palavra de Deus que há momentos foi proclamada, vem ao encontro da nossa vida, da vossa vida concreta. Na primeira leitura, ouvimos o Profeta Isaías dizer-nos, e dizer a todos os pais em sofrimento, que o “Senhor Deus enxugará as lágrimas de todos os rostos, pois é no Senhor, que pomos toda a nossa confiança”. E quantos pais e mães, muitos dos quais bem conheceis, choram os seus filhos transviados!

 Na segunda leitura S. Paulo, conta-nos a sua experiência de vida, por força da sua fé em Jesus Cristo, Ele que ó melhor modelo da vida de um crente que “sabe viver na pobreza e na abundância, em todo o tempo e em todas as circunstâncias… porque pode tudo em Jesus Cristo, Senhor,  Aquele que lhe dá força, e o conforta todos os dias”.  Que mais podemos nós querer?

O Evangelho ao narrar para o qual todos são convidados pelo Senhor, que não nos podemos dispensar de fazer o que nos compete, para podermos entrar na sala da festa preparada para todos. E, se a grande festa é de Deus, dela não podem estar ausentes os seus filhos.

7. Agradeçamos ao Senhor, por intercessão da Sua Mãe, que Ele quis que fosse também nossa Mãe, a graça de termos vindo hoje aqui, a esta “escola de fé” que é Fátima, para vivermos o nosso Domingo e para regressarmos mais fortes e mais conscientes dos nossos deveres e responsabilidades de cristãos na família, na sociedade, na Igreja. Agradeçamos, também, o trabalho generoso e dedicação gratuita dos muitos milhares de catequistas de Portugal, mais de setecentos participaram nesta Jornadas, e peçamos à Mãe do Céu os cumule de bênçãos para que possam dar às crianças e aos jovens um testemunho sério de vida cristã, colaborem com as famílias e encontrem nestas a melhor colaboração nas suas tarefas apostólicas.

 

António Marcelino, bispo coordenador da Comissão Episcopal da Educação Cristã

 

 
 

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  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D