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Dá que pensar!...

por Zulmiro Sarmento, em 20.09.10

Um dia, quando eu era caloiro na escola, vi um miúdo da minha turma a caminhar para casa depois da aula. 
 
       O nome dele era Kyle. 
 
       Parecia que estava a carregar os seus livros todos. 
 
       Eu pensei: 
 
       -'Porque é que leva para casa todos os livros numa sexta-feira? 
 
       Ele deve ser mesmo um marrão. 
 
       Como já tinha o meu fim-de-semana planeado (festas e um jogo de futebol com meus amigos no sábado a tarde) encolhi os ombros e segui o meu caminho. 
 
       Conforme ia caminhando, vi um grupo de miúdos a correr na direcção dele. 
 
       Eles atropelaram-no, arrancando-lhe todos os livros dos braços e empurraram-no, de tal forma que ele caiu no chão. 
       Os seus óculos voaram, e eu vi-os aterrarem na relva a alguns metros e onde ele estava. Ele ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza nos seus olhos. 
 
       O meu coração penalizou-se por ele. Então, corri até ele enquanto ele gatinhava à procura dos óculos, e pude ver lágrimas nos seus olhos. 
       Enquanto lhe entregava os óculos, eu disse: 
 
       -'Aqueles tipos são uns parvos. Eles deviam era arranjar uma vida própria'. 
 
       Ele olhou para mim e disse: 
       -Ei, obrigado! 
 
       Havia um grande sorriso na sua face. Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu ajudei-o a apanhar os livros, e perguntei-lhe onde morava. 
 
       Por coincidência ele morava perto da minha casa, então eu perguntei como é que nunca o tinha visto antes. Ele respondeu que antes frequentava uma escola particular. 
 
       Conversámos todo o caminho de volta para casa, e carreguei-lhe os livros. 
 
       Ele revelou-se um miúdo muito porreiro. Perguntei-lhe se queria jogar futebol no Sábado comigo e com os meus amigos, ele disse que sim. 
 
       Ficamos juntos todo o fim-de-semana e quanto mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele. E os meus amigos pensavam da mesma forma. 
 
       Chegou a Segunda-Feira, e lá  estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez. Parei-o e disse: 
 
       -'Diabos, pá, vais fazer o quê com os livros de novo? 
 
       Ele simplesmente riu e entregou-me metade dos livros. 
 
       Nos quatro anos seguintes Kyle e eu tornámo-nos melhores amigos. 
 
       Quando nos estávamos a formar começámos a pensar na faculdade. Kyle decidiu ir para Georgetown, e eu ia para a Duke. 
       Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria um problema. Ele seria médico, e eu ia tentar uma bolsa escolar na equipa de futebol. 
    

      Kyle era o orador oficial da nossa turma. Ele teve que preparar um discurso de formatura. Eu estava super contente por não ser eu a subir ao palanque e discursar. 
 
       No dia da Formatura eu vi Kyle. Ele estava óptimo. Ele estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos. 
 
 Ele saía com mais miúdas do que eu, e todas as raparigas o adoravam! 
       Às vezes eu até ficava com inveja. Hoje era um desses dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso por causa do discurso. Então dei-lhe uma palmadinha nas costas e disse: 
       -Ei, rapaz, vais-te sair bem! 
 
       Ele olhou para mim com aquele olhar (aquele olhar de gratidão) e sorriu. 
       -Valeu, disse ele. 
 
       Quando ele subiu ao oratório, limpou a garganta e começou o discurso: 
 
       -'A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Aos pais, aos professores, aos irmãos, talvez até a um treinador. Mas principalmente aos amigos. Eu estou aqui para lhes dizer ser um amigo para alguém é o melhor que se pode dar. 
 
       Eu vou-lhes contar uma história. 
 
       Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. 
       Ele tinha planeado suicidar-se naquele fim-de-semana. 
 
       Contou a todos como tinha esvaziado o seu armário na escola, para que a mãe não tivesse que fazer isso depois de ele morrer, e estava a levar as suas coisas todas para casa. Ele olhou directamente no meus olhos e deu-me um pequeno sorriso.    

      -'Felizmente eu fui salvo. O meu amigo salvou-me de fazer algo inominável'.   

      Eu observava, com um nó na garganta, todos na plateia, enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza. E vi a mãe e o pai dele a olharem para mim e a sorrir com aquela mesma gratidão.   

      Até aquele momento eu nunca me tinha apercebido da profundidade do sorriso que ele dirigiu naquele dia.   

      Nunca subestimes o poder das tuas acções. Com um pequeno gesto podes mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.   

      Deus coloca-nos a todos nas vidas uns dos outros para que tenhamos um impacto um sobre o outro de alguma forma.   

      Procura o bem nos outros. 
 
 
 

Agora tens duas opções. Podes:
 
   

      1- Passar esta história aos teus amigos ou,
 
   

      2- Apagar este texto e agir como se ela não tivesse tocado teu coração. 
   

  Como podes ver, eu escolhi a primeira opção. 
   

  Amigos são anjos que nos deixam em pé quando as nossas asas têm problemas e não se lembram de como voar. 
   

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publicado às 06:28

Tema do 25º Domingo do Tempo Comum - Ano C

por Zulmiro Sarmento, em 19.09.10

A liturgia sugere-nos, hoje, uma reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado do lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções; em contrapartida, são convidados a procurar os valores do “Reino”.
Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia os comerciantes sem escrúpulos, preocupados em ampliar sempre mais as suas riquezas, que apenas pensam em explorar a miséria e o sofrimento dos pobres. Amós avisa: Deus não está do lado de quem, por causa da obsessão do lucro, escraviza os irmãos. A exploração e a injustiça não passam em claro aos olhos de Deus.
O Evangelho apresenta a parábola do administrador astuto. Nela, Jesus oferece aos discípulos o exemplo de um homem que percebeu como os bens deste mundo eram caducos e precários e que os usou para assegurar valores mais duradouros e consistentes… Jesus avisa os seus discípulos para fazerem o mesmo.
Na segunda leitura, o autor da Primeira Carta a Timóteo convida os crentes a fazerem do seu diálogo com Deus uma oração universal, onde caibam as preocupações e as angústias de todos os nossos irmãos, sem excepção. O tema não se liga, directamente, com a questão da riqueza (que é o tema fundamental da liturgia deste domingo); mas o convite a não ficar fechado em si próprio e a preocupar-se com as dores e esperanças de todos os irmãos, situa-nos no mesmo campo: o discípulo é convidado a sair do seu egoísmo para assumir os valores duradouros do amor, da partilha, da fraternidade.

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publicado às 06:45

ESPOSAS!!!

por Zulmiro Sarmento, em 18.09.10

UM DIA CONSIGO VIVER SEM ESPOSA!!!!
O marido e a mulher não se falavam há uns três dias.
Entretanto, o homem se lembrou que no dia seguinte teria uma reunião  muito cedo no escritório.Como precisava levantar cedo, resolveu pedir à mulher para  acordá-lo. Mas para não dar o braço a torcer, escreveu num papel:
'Me acorde às 6 horas da manhã'.
No outro dia, ele levantou e quando olhou no relógio eram 9h30. O  homem teve um ataque e pensou:
- Que meeeerdaaa! Mas que absurdo! Que falta de consideração, ela  não me acordou...
Nisto, olhou para a mesa de cabeceira e reparou um papel no qual  estava escrito:
- ...São seis horas, levanta!!!
Moral da História:
Não fique sem conversar com as mulheres, elas  ganham sempre, estão certas sempre e são simplesmente geniais na  vingança!!!!!!
O casamento é a relação entre duas pessoas, onde uma pessoa está sempre certa e a outra, é o marido!
Meu nome é MULHER!
Eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!
(O Autor é Desconhecido, mas um verdadeiro sábio...)

(Enviar a todas as MULHERES MARAVILHOSAS e só aos homens
inteligentes... )
 
 

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publicado às 06:21

Português, língua viva!

por Zulmiro Sarmento, em 17.09.10

Atão mô? tudo baril?
Aprendi muinto com este eméle bué da interessante que me enviastes! tipo...aprendi práí umas treuze palavras novas e, inclusiver, já amandei o eméle para um sem númaro de amigos! ...e prontus!
É assim... quando há estas novidades novas, vamos destrocando uns eméles e vamos aprendendo... já estou quase perssunal nisto!
Um abraço Cota e um beijo da nha mulher!
Jael Palhas

Nota: este eméle foi escrito (des)respeitando o novo (des)acordo ortográfico da língua prutuguesa.

 

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publicado às 11:55

Afinal, as avós não sabem tudo...

por Zulmiro Sarmento, em 16.09.10

O Paulinho tinha 9 anos e foi passar uns dias na casa da avó.
Estava a brincar na rua com alguns amigos e uma hora depois entrou em casa perguntando:
- Avó, como se chama aquilo quando duas pessoas dormem no mesmo quarto e ficam uma em cima da outra?
A avó assustou-se com a pergunta, pensou e achou que seria melhor dizer a verdade:
- Bem, Paulinho, isso chama-se uma relação sexual...
Paulinho satisfeito com a resposta voltou para a rua, para brincar.
Dentro de instantes entra em casa novamente, todo esbaforido, e diz:
- Avó, aquilo que eu lhe perguntei, chama-se BELICHE...e a mãe do Zezinho quer falar consigo!

 

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publicado às 11:55

Divinal !!!!

por Zulmiro Sarmento, em 15.09.10

 

Um casal tinha dois filhos, um de 8 e outro de 10 anos, que eram umas “pestes”. Os pais sabiam que se houvesse alguma travessura na zona onde moravam, eles com certeza estariam metidos.

A mãe das crianças ficou sabendo que o novo padre da cidade tinha tido bastante sucesso em disciplinar crianças.

Então ela pediu ao padre que falasse com os meninos. O padre  concordou, mas pediu para vê-los separadamente.

A mãe, então, mandou primeiro o filho mais novo.

O padre, um homem alto com uma voz de trovão, sentou o puto e perguntou-lhe austeramente:

- Onde está Deus??

O garoto abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som, ficou sentado, com a boca aberta e os olhos arregalados.

Então, o padre repetiu a pergunta num tom ainda mais severo:

- Onde está Deus ??
 
Mais uma vez o garoto permaneceu de boca aberta sem conseguir emitir nenhuma resposta.

Então, o padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto gritou:

- ONDE ESTÁ DEUS ???
 
O garoto saiu correndo da igreja directamente para casa e trancou-se no quarto.

Quando o irmão mais velho o encontrou, perguntou-lhe:

- O que é que aconteceu ?

O irmão mais novo, ainda tentando recuperar o fôlego, respondeu:

 

 - Desta vez estamos mesmo lixados! Deus desapareceu e acham que fomos nós!!!!!
 

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publicado às 12:47

A verdade dos nossos professores

por Zulmiro Sarmento, em 14.09.10

Só de ler, fiquei cansado...


JAMAIS A VERDADE FOI TÃO BEM ESCRITA

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...
 
Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
Que eu dê aulas!?...  

 

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publicado às 06:22

"O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO".

por Zulmiro Sarmento, em 13.09.10

GANHEI CORAGEM
 
Rubem Alves
 
... colunista da Folha de S. Paulo ...
 
"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que
ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em
que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.
 
Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.
 
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem
política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é
o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o facto é que a vontade do
povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
 
A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação
histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direcções opostas. Bastou que
Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se
entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés
ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
 
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao
contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a
prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E
o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a
e disse:
"Agora você será minha para sempre".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de
Deus.
Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia
os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam
mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.
 
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo
dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o
povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em
praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro
de churrasco e os gritos.
 
 
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados,
têm consciência. São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções
colectivas.
Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se
incorporados a um grupo tornam-se capazes dos actos mais cruéis. Participam
de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma
bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
 
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da colectividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
 
Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.
 
O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os
votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais
sedutoras.
O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à
colectividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos
trabalham.
 
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
 
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
 
O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.
 
O povo, unido, jamais será vencido!
 
Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de
silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser
obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.
 
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
 
Rubem Alves

 

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publicado às 06:03

Tema do 24º Domingo do Tempo Comum - Ano C

por Zulmiro Sarmento, em 12.09.10

 

A liturgia deste domingo centra a nossa reflexão na lógica do amor de Deus. Sugere que Deus ama o homem, infinita e incondicionalmente; e que nem o pecado nos afasta desse amor…
A primeira leitura apresenta-nos a atitude misericordiosa de Jahwéh face à infidelidade do Povo. Neste episódio – situado no Sinai, no espaço geográfico da aliança – Deus assume uma atitude que se vai repetir vezes sem conta ao longo da história da salvação: deixa que o amor se sobreponha à vontade de punir o pecador.
Na segunda leitura, Paulo recorda algo que nunca deixou de o espantar: o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. Esse amor derrama-se incondicionalmente sobre os pecadores, transforma-os e torna-os pessoas novas. Paulo é um exemplo concreto dessa lógica de Deus; por isso, não deixará de testemunhar o amor de Deus e de Lhe agradecer.
O Evangelho apresenta-nos o Deus que ama todos os homens e que, de forma especial, Se preocupa com os pecadores, com os excluídos, com os marginalizados. A parábola do “filho pródigo”, em especial, apresenta Deus como um pai que espera ansiosamente o regresso do filho rebelde, que o abraça quando o avista, que o faz reentrar em sua casa e que faz uma grande festa para celebrar o reencontro.

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publicado às 10:42

24 Domingo Tempo Comum - Ano C

por Zulmiro Sarmento, em 12.09.10

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publicado às 06:08



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