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NÃO MATARÁS

por Zulmiro Sarmento, em 29.05.08

    

     Mais de novecentas mil armas ligeiras legais, e outras tantas ilegais, andam nas mãos dos portugueses. Algumas até sabemos que foram entregues de mão beijada após a "revolução de abril" à população mais inclinada à famosa luta de classes e à morte dos fascistas e com certos militares com tendências fortemente inclinadas a fazer de Portugal uma ditadura de cariz soviético, mas este é ainda um assunto tabu.

     No mundo, são mais de 639 milhões. Dá uma arma por cada 12 pessoas. Elas fazem uma vítima por minuto. Armas de caça e revólveres são as preferidas. São fáceis de manusear, até por uma criança. Compram-se em feiras e nos bairros problemáticos. O tráfico de armas é o terceiro negócio sujo mais lucrativo, a seguir ao tráfico de droga e de pessoas. Se os países pobres investissem nas escolas metade do que gastam nas armas, todas as suas crianças podiam frequentar o ensino básico.

     Continua-se a ajudar países que gastam a sua maior fatia no armamento. Mas quando há calamidades esquecem-se estas coisas. E na bonança nada se diz desses países em relação a não se prepararem para todas as situações.

     Birmânias e Chinas precisam de ajuda. Sim, precisam e urgente. Mas também os seus governantes ditadores precisam de tomar muito juízo.

          

Quantos milhares e milhares de crianças-soldado a ditadura da Birmânia tem ao  seu serviço e não a estudar nos bancos das escolas? E o colosso da China que só é pobrezinha quando interessa? E por aí adiante.

     O que mais me assusta são as armas, brancas e todas as outras, nas mãos de psicopatas que andam por aí camuflados de gente de bem. O «Correio da Manhã» traz-nos todos os dias histórias gritantes, de crimes passionais, ajustes de contas, distracções em manuseamentos diante de terceiros, ... tudo por causa da convicção mórbida de que ter uma arma resolve tudo, sentimo-nos mais seguros, mantemos a discreta distância com os vizinhos de rua ou do país.

     O pior ainda está para vir. A educação exemplar das nossas escolas portuguesas, onde os alunos não estão primeiro em quase nada e até servem de "cobaias" para enriquecer o currículo dalguns professores ávidos em fazer carreira com projectos e projectinhos que valem mais, certamente, que dar aulas e cumprir o programa depressa e bem; a religião, sua moral e valores são tidos como ultrapassados, descabidos e olhados com suspeita no Ministério e em muitas escolas (veja-se só a pseudo-confusão, certamente maliciosa, com as matrículas e o desconhecimento da lei em vigor), dará os seus "frutos" a seu tempo.

     Claro: sou um profeta da desgraça. Despropositado. O costume.

    

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