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«Aos Três, que são Um»: um soneto do bispo Arquimínio

por Zulmiro Sarmento, em 18.05.08

 

Pai santo, de glória e fulgor revestido,

Que os anjos adoram, imersos em luz,

O Reino celeste por Ti prometido,

É fruto bendito, que nasce da cruz.

 

Em ti, bom Jesus, eu contemplo o amor:

Cravado na cruz, em suplício atroz,

Em vez de vingança e de pleno rigor,

Ao Pai imploraste perdão para nós!

 

Paráclito Santo, poder e brandura,

És força que muda em encanto a amargura,

Arco-íris sereno anunciando bonança.

 

Louvando o mistério da eterna Trindade,

E nele o prodígio da sua unidade,

Eu voo nas asas da fé e da esp'rança.

 

 

São Mateus, 2008

 

D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo Emérito de Macau

 

                                                                                  •

 

      Este soneto foi-me entregue em mão pelo próprio autor em visita recente que me fez a minha casa à beira-mar. Com estas palavras: «Encontrei-o entre as minhas coisas. É para ti».

     Um soneto de se reverenciar. E à Santíssima Trindade que hoje celebramos com(o) Solenidade em toda a Igreja Católica. Uma relíquia que possuo duma alma inteiramente dedicada a Deus e à salvação dos outros. Soube por ele que não é a única peça literária. Pudera que tudo o que possui (não de "terreno", isso de nada me importa! A ele devo todas as mensalidades e propinas e afins para ser padre e depois para ter um mínimo de dignidade, já como padre, a nível de  coisas materiais, dado que não fui bafejado,  por onde paroquiei, com rendimentos nem sequer mínimos, além dos ratos me passarem de noite por cima da cara porque dormia no chão da casa paroquial para dar a única cama a minha mãe, tal a degradação vergonhosa) de musical, espiritual, homilético, pastoral e episcopal (insígnias, etc.) fosse entregue em boas mãos e salvaguardado rigorosa e religiosamente para sempre. Em museu (missionário) por exemplo, porque não!? Ele é a preciosa e última relíquia portuguesa episcopal do Padroado do Oriente. E isto diz tudo, mas mesmo tudo. D. Arquimínio é (ainda) lúcido em grau elevado para responder com humildade e largueza de espírito à sua memória futura. Estou certo que tem tudo previsto e assente. Nisto não me surpreenderá, como em tudo. Na sua terra natal, ao contrário de todos os outros, em situações semelhantes, tem-nos dado um exemplo de vida de «padre bispo» que ressoará por muitos séculos.

     Mas nada de pressas. Que Deus o conserve. D. Arquimínio numa visita ao Centro de Saúde da Madalena por motivos de pressão arterial alta segredava-me ao fim de quatro horas, pela noite dentro, deitado numa cama eléctrica e com as pernas erguidas acima da cabeça: «E eu que julgava chegar até aos noventa!». Que Deus o oiça. Porque se sente e é de facto ainda muito útil à sua Igreja que tanto ama. Mas para quem tem (alguma) pressa há a frase sábia: «morte desejada, vida acrescentada». E entenda quem quiser.

 

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