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No rescaldo do Carnaval

por Zulmiro Sarmento, em 08.02.08

          Passado que foi o Carnaval (que para mim foi vivido apenas pelo que mostrou a TV) apetece-me fazer algumas considerações sobre o que se passou este ano e no passado.

          Nas indumentárias/disfarces de Carnaval é recorrente vermos pessoas envergando trajes (quase sempre) de índole católica mais ou menos clara: 'frades e freiras', 'padres e bispos', com alfaias litúrgicas e objectos de culto... católico. Peças de vestuário e utensílios do culto muitas vezes tiradas das gavetas das sacristias sem conhecimento remoto dos párocos e que são usadas ainda (e mesmo que não fossem!) nos actos litúrgicos.

          Se nas crianças isso seria (mais ou menos) tolerável, mesmo que deseducando para o conceito de sagrado, em adultos - muitos deles primando por serem não ou pouco praticantes, mas ridicularizantes quanto baste - isso passa a roçar o abjecto, a ofensa e até o sacrílego.

          Ora, nem que seja por mera suposição mental, tentemos imaginar como reagiriam os nossos irmãos muçulmanos, judeus, budistas, hindus... se usássemos as suas vestes sagradas ou de visualização dos seus ministros de culto para nos disfarçarmos em desfile/montra de Carnaval. Pelo menos dos seguidores do profeta Maomé, se tal ousássemos, teríamos certamente uma reacção, no mínimo, contundente ou até suficientemente agressiva ou até mortífera, dos sectores fundamentalistas (que todas as religiões têm) para com os ocidentais (mais ou menos) infiéis. O pessoal, dito do ocidente, tem uma tendência doentia para esquecer as caricaturas do diverso tipo que tanta celeuma, ameaças e mortes, provocaram num passado recente. Para não falar, em ambiente de lição universitária, duma passagem escrita, doutros séculos, sobre determinada religião... em que o intelectual do Papa Bento XVI andou metido. Mesmo tendo carradas de razão.

          O que se sabe é que vários países da Europa têm a auto - proibição de venda destes trajes com sabor religioso, tanto cristão como outros. O que quer dizer, a nós pobres portugueses, que há sociedades muito mais evoluídas que a nossa, a nível de amadurecimento humano, cultural e social - por certo mais atentas ao que tal atitude significa - que viram há muito tempo que as religiões não podem ser objecto de chacota (NENHUMA e NUNCA!), pois se está a ofender umas das dimensões mais profundas da pessoa humana, a sua fé.

          Afinal, Portugal (a Europa) precisa, urgentemente, de reflectir sobre o seu caminho de identidade cultural, tanto nos grandes como nos pequenos aspectos. São horas de começar já...

          Uma sugestão: tanto mal faz a Maçonaria em Portugal... porque não vai esse pessoal, no próximo ano, vestido de avental e com o rigor dos arreios das lojas maçónicas?! Queria ver a cara desses que se julgam a nata intelectual e emancipada do meio!! Passa fora!

          Na Vila da Madalena, teve a sua graça, uma criança de uns quatro anos, paramentado à Quaresma, com vestes de simples costureira, e de óculos de sol escuros... Fiquei a magicar com os meus botões a ver se descobria qual o padre destas bandas que anda nas procissões de óculos de sol, todo p'rá frentex ...!! Aceito ajudas na descoberta.

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publicado às 13:57

400 anos e tão actual! (1)

por Zulmiro Sarmento, em 08.02.08

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