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Vozes deliciosas II

por Zulmiro Sarmento, em 11.06.11

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publicado às 04:19

Vozes deliciosas

por Zulmiro Sarmento, em 10.06.11

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publicado às 03:55

Uma entrevista. Uma jovem. Um projecto de vida com Jesus Cristo

por Zulmiro Sarmento, em 16.04.11

Entrevista à cantora Católica Claudine Pinheiro

 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Portal Cristo Jovem conversou com a Claudine Pinheiro no dia seguinte ao seu concerto do Festival Jota. Partilhamos aqui contigo essa conversa para que possas conhecer um pouco melhor a voz do livro /cd “Água Viva”.


Portal CJ: Em primeiro lugar, quem é a Claudine Pinheiro?
Claudine Pinheiro: Eu tenho 29 anos, trabalho nas Edições Salesianas, pertenço ao Movimento Juvenil Salesiano e sou animadora de grupos de jovens no Colégio Salesiano do Porto.

Portal CJ: Como é que começou o projecto “Água Viva”?
C.P.: Tudo começou com o facto da minha irmã ter feito Erasmus em Espanha, em Sevilha. Lá conheceu os CD’s da irmã Glenda. No regresso trouxe-me um de presente, o “A solas com Dios”. Eu gostei muitas das músicas e fui partilhando com algumas pessoas do centro de catequese do qual eu faço parte. Num baptismo cantamos o tema “Tu és a Água Viva”, e a recepção da comunidade foi muito bom e muito caloroso. Todos se deixaram tocar tanto pelas músicas da Ir. Glenda que comecei a pensar em gravar um disco em português com aqueles temas. Achei que era interessante levar mais longe estas músicas.
Falei com o Pe. Rui Alberto, que tinha entrado na altura para a direcção de produção das Edições Salesianas e propus-lhe a edição do CD. Contactámos a editora espanhola “Produções de La RAIZ”, gravei uma demo da canção “Tu és a Água Viva” com um colega meu, o João Paulo, e enviamos. Eles gostaram e começou todo o processo de escolha das músicas e gravação do CD.

Portal CJ: E isso foi em que ano?
C.P.: Isto tudo começou em 2002 quando a minha irmã me ofereceu o CD. A gravação começou no final desse ano e demorou cerca de dois anos a ser gravado. Acabou por ser editado em Junho de 2004.

Portal CJ: Este não é um “CD Normal”, uma vez que a acompanhar o CD está um livro que é vendido em conjunto. Como surgiu essa ideia?
C.P.: A ideia surgiu da parte do Pe. Rui Alberto, em conversações com a editora espanhola. Numa das reedições do CD “A Solas con Dios”, este incluía um extra com algumas propostas pastorais que a Ir. Glenda tinha elaborado, para cada um dos temas. Nós achámos este projecto muito interessante. Além disso pensamos que seria importante para o mercado, para os nossos agentes pastorais, um subsídio deste tipo, com propostas para rezarem as músicas individualmente ou em comunidade. Lançar “apenas” o CD deixar-nos-ia a todos mais pobres.

Portal CJ: A quem destina este projecto?
C.P.: Eu contava que o CD fossem maioritariamente absorvido por um público acima dos 25 anos, mas tenho-me apercebido que tem sido usado em todas as faixas etárias, a partir do 7º, 8º anos. Todas as músicas, sobretudo “Tu és a Água Viva”, são muito bem recebidas e há muitos temas que são usados em diversos contextos de oração e em retiros. Já encontrei grupos de adultos que adoptaram o livro /CD “Água Viva” como itinerário de um ano de catequese. Já encontrei seminaristas, Convivas que fizeram retiros com a ajuda das músicas e das propostas que estão no livro. Portanto, acabou por ser útil a muitas pessoas, o que é óptimo!

Portal CJ: O concerto que deste no Festival Jota teve algumas alterações em relações aos outros que tens dado até aqui. Como surgiram os concertos “Água Viva” e como foram evoluindo?
C.P.: Os concertos sugiram naturalmente... Quando gravei o CD nunca foi meu objectivo iniciar os concertos de oração, até porque, pessoalmente, desconhecia que se fizessem este tipo de encontros. Organizei um concerto de apresentação e lançamento, que foi feito na Feira do Livro do Porto. Passados 15 dias ligaram-me de Mangualde para saber se eu poderia ir lá cantar as músicas. Um pouco surpreendida aceitei.... Comecei os concertos com o Miguel Vilela (guitarra), que me continua a acompanhar até hoje, e pelo João Paulo ( baixo acústico e teclas), que entretanto teve de abandonar o projecto. Depois de Mangualde foram surgindo mais convites de pessoas que escutavam o CD ou que ouviam falar dos concertos.
Quantos às “alterações” de que falavas, a principal diferença esteve na produção do concerto, sobretudo no facto de, pela primeira vez ter um coro pela Ana Manuela e pelo João Pedro. A sua presença tornou o concerto mais emotivo, deu mais força e qualidade às músicas. O esforço de produção e um empenho extra deveu-se à “exigência” e empenho que implicavam uma presença no Festival Jota.




Portal CJ: No concerto de ontem, conseguiste criar na capela do Santuário um ambiente totalmente diferente do que se viveu no resto do Festival. Como é que te sentiste ao ver uma capela cheia de pessoas que, à uma hora da manhã, estavam ali dispostas para te ouvir a ti e à mensagem que transmites?
C.P.: Antes de dizer o que senti vou pegar nalgumas coisas que disseste... Acho que a decisão de fazer o concerto na capela foi uma decisão acertada da minha parte, seriamente discutida com a organização do Festival. As músicas da Ir. Glenda pedem uma outra intimidade que se perderia no palco e noutro ambiente mais “solto”, mais exterior. O facto de estarmos dentro da igreja ajudou a tranquilizar e acalmar as pessoas, deixando-as mais receptivas à música e à ambientação do santuário estava muito bem preparada pela organização. Além disso tivemos (Edições Salesianas) a oportunidade de investir numa iluminação cuidada. O resto, sinceramente, eu acho que é tudo Graça de Deus. Há ali um momento em que não sou eu, em que não são as pessoas, é toda uma oração que se cria através das músicas e que têm o mérito todo deste projecto. A Ir. Glenda tem a capacidade de musicar de forma muito simples passagens da bíblia, mas com uma intensidade muito grande. O que eu sinto é um profundo agradecimento a Deus, sinto-me abençoada por ter a oportunidade de poder proporcionar estes concertos.

Portal CJ: Ontem foi um ponto especial para o projecto “Água Viva”?
C.P.: Para mim foi sem dúvida, porque foi a primeira vez que estive integrada num grande festival de música católica. Já tinha actuado no primeiro Mulifestival David, hoje Multifestival Gaudeo, mas os contornos e objectivos da actividade são diferentes. Aqui pude estar ao pé de nomes como a Banda Jota, que tem um nome há vários anos... Esta presença foi sinal que o percurso que eu tenho feito já tem alguma “validade” e algum reconhecimento por parte do publico. O facto de ter sido uma proposta diferente dentro do Rock e do Pop, stilo que compôs a maioria do cartaz, foi para mim importante!

Portal CJ: Achas que se inicia uma nova fase no projecto “Água Viva”?
C.P.: O que eu gostava mesmo era que se iniciasse um novo projecto! Este já tem três anos e, como disse, nunca tinha tido a intenção de ter assim um projecto musical, de fazer concertos de oração com o livro /Cd “Água Viva”. Mas agora sinto-me impelida a fazer um segundo projecto dentro desta linha, porque as pessoas vão pedindo, e eu sinto que as pessoas precisam de música nesta área de oração. Os concertos de oração são importantes para as comunidades onde eles se realizam, por isso mais do que uma “nova fase”, pode ser um ponto de partida e motivação para eu tentar ir mais longe...

Portal CJ: Esse novo projecto será também com músicas da Ir.Glenda?
C.P.: Não. A ideia, para já, é editar músicas originais... Talvez, quem sabe, algumas versões de temas de outros grupos, como os Brotes de Olivo, grupo espanhol de quem gosto muito. Mas estou a procurar que as músicas sejam originais.

Portal CJ: As Edições Salesianas têm sido pioneiras e até mesmo únicas a fazer este tipo de concertos de oração. Como surgiu esse projecto?
C.P.: Como editora católica, creio que somos a única que está a promover, de forma tão organizada e “sistemática”, os concertos de oração, formação e animação. Para além do “Água Viva”, as Edições Salesianas têm o projecto “N’Ele” e “Músicas para a catequese” que passam pela interpretação ao vivo das canções dos cd’s com o mesmo nome. Com os concertos que fui fazendo, a editora, na pessoa do Pe. Rui Alberto, foi detectando que na área da pastoral há pessoas que precisam de ajuda e formação. Assim, passamos a aliar a esses momentos de formação, novas formas de evangelizar e catequizar através da música!

Portal CJ: E a aceitação tem sido boa?
C.P.: Sim! A prova disso é que são sempre as pessoas que nos pedem os concertos, porque ouviram falar ou porque estiveram num concerto e querem organiza-lo na sua ou noutra comunidade.

Portal CJ: Enquanto artista e colaboradora das Edições Salesianas, sentes que a música, esta nova fase da música cristã que se está a viver em Portugal, pode ajudar a aproximar os jovens da Igreja?
C.P.: Eu penso que sim! A música pode ser um bom instrumento, mas não chega! Quem a escreve e interpreta tem de ser autêntico e acreditar naquilo que está a cantar. A música pode ser uma forma de os chamar, e aqui no festival foi de facto uma forma de chamar e de convocar jovens. Mas não bastou só chamar os jovens para estarem nos concertos. Os jovens não são tontos e não se deixam manipular de forma fácil. A música pode ser importante para os atrair, mas depois é preciso que a proposta seja coerente e seja também apelativa.



Portal CJ: Há quem diga que a Igreja está desactualizada, no entanto penso que será mais a forma de comunicação da Igreja que está a ter dificuldades em se adaptar a esta nova sociedade. Consideras que a Igreja está a ter dificuldades em comunicar com os jovens de hoje?
C.P.: A questão da comunicação e da juventude são duas áreas que me são muitas queridas, justamente porque tenho formação em Comunicação e estou ligada à Família Salesiana, cuja vocação é a educação dos jovens.
Eu creio que a Igreja não está assim tão desactualizada quanto isso. Tem havido actividades muito interessantes, só que, se calhar, continuamos a privilegiar os sectores mais conservadores em vez de estarmos a apoiar estas novas iniciativas. Há muitas propostas, como é o caso do Portal Cristo Jovem e de duas rádios católicas na Internet. Há também grupos católicos na área do Pop e do Funk que começam a nascer... Aqui no Festival Jota, tivemos “O teu palco” que esteve sempre com gente disponível a tocar e a cantar. As coisas estão a acontecer e a nascer, talvez seja tempo das pessoas mudarem os clichés, e deixarem de usar sempre a mesma conversa, os mesmos argumentos. Se há tempo em que a mensagem de Jesus Cristo está actual é hoje, porque as propostas lançadas aos jovens em nada diferem da essência da mensagem de Jesus Cristo, que apelava à autenticidade, à fidelidade, ao amor...Portanto mais actuais do que isto não poderíamos ser!

Portal CJ: Estamos a terminar esta entrevista, queres dizer alguma coisa em jeito de remate?
C.P.: Quero dar os parabéns ao Portal Cristo Jovem, agradecer a oportunidade de partilhar o meu projecto e desejar-lhe as maiores felicidades.

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publicado às 05:24

EU, PADRE CASADO, ME CONFESSO

por Zulmiro Sarmento, em 25.03.11

Anda por aí um burburinho dos diabos, à conta de uma declaração de uma centena e meia de teólogos alemães que, há falta de um tema mais original, decidiram questionar o celibato sacerdotal. É, juntamente com o famigerado sacerdócio feminino, uma insistente proposta de alguns grupos de católicos pouco ortodoxos que, se me permitem a charada ecuménica, de tão reivindicativos dir-se-ia que são protestantes.

Não obstante alguns contornos mais caricatos, a questão é séria e merece alguma reflexão. Depois de uma etapa fundacional em que, à imagem de

Cristo, os apóstolos e outros, como São Paulo, se mantiveram célibes “pelo reino dos Céus”, vieram tempos em que os presbíteros podiam ser casados. Contudo, tendo em conta os resultados dessa primitiva experiência, entendeu-se preferível retomar a tradição evangélica, repondo o celibato sacerdotal na Igreja Católica latina. Portanto, um eventual regresso à anterior situação representaria, em termos históricos, um retrocesso, ainda que disfarçado de revolucionária novidade e, o que é pior, um afastamento em relação ao exemplo de Cristo, que é o modelo e a razão do sacerdócio eclesial.
Há, sobre esta matéria, um duplo equívoco, que importa esclarecer.

O primeiro decorre da suposição de que só há amor quando há uma vida sexual activa e, portanto, a imposição do celibato implica a frustração emocional do padre que, entregue à sua própria solidão, fica assim mais exposto às fraquezas da humana condição. Já São Paulo advertira: mais vale casar-se do que abrasar-se. É certo. Porém, o sacerdote não é um homem sem amor, muito embora a sua realização afectiva não tenha expressão sexual. Um presbítero que não ame, que não esteja apaixonado, é certamente um ser vulnerável e fragilizado, não por ser padre, mas precisamente por o não saber ser.

Com efeito, o ministério sacerdotal não se reduz a uma função burocrática, em cujo caso o celibato não faria sentido, mas antes se realiza naquele “amor maior” de que Jesus Cristo é o perfeito exemplo. E é bom recordar que o Verbo encarnado não é apenas Deus perfeito, mas também perfeito homem, pelo que a sua circunstância celibatária não só não foi óbice como condição para essa plena realização da sua natureza humana.

Outro lapso é supor que os padres da Igreja Católica são solteiros, o que manifestamente não corresponde à realidade. Saulo de Tarso, quando disserta sobre a grandeza do sacramento do matrimónio, refere-o a Cristo e à sua Igreja, por entender que esta aliança é de natureza nupcial. Por isso, o sacerdote católico, configurado com Cristo pela graça da sua ordenação, “casa” com a Igreja, que é a sua esposa, não apenas mística mas também real e existencial, na medida em que lhe exige uma entrega exclusiva e total.

Há tempos ouvi na rádio uma conhecida balada, em que se repetia um refrão que é aplicável ao celibato sacerdotal: “eu não sou de ninguém, eu sou de todo o mundo e todo o mundo me quer bem”. Nem mais: para ser de todos e para todos é preciso não ser de ninguém em particular. É o que também me dizia um amigo quando, dando-me as Boas Festas, desejava felicidades para a minha família que, acrescentava com inspirada eloquência, “somos todos nós”.

Mas há mais. Os inimigos do celibato sacerdotal obrigatório são muito mais generosos do que se pensa pois, não satisfeitos com dar uma mulher aos padres, querem dar-lhes duas: a esposa e … a sogra!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Voz da Verdade, 2011-03-20

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publicado às 05:38

PASSO A REZAR

por Zulmiro Sarmento, em 23.02.11

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publicado às 06:00

Jesuítas: «Passo-a-rezar» comemora primeiro aniversário com dois milhões de downloads

por Zulmiro Sarmento, em 23.02.11

Site prepara novas iniciativas para continuar a «oferecer oração» aos portugueses

 

Lisboa, 17 Fev (Ecclesia) – O sítio «passo-a-rezar», página que oferece orações na Internet, comemora hoje o seu primeiro aniversário, prometendo uma aposta renovada neste “novo modo de rezar em português”.

Dados divulgados esta quinta-feira falam em 600 mil visitantes, dois milhões de downloads e 2,5 milhões de páginas visitadas.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA pelos responsáveis desta iniciativa, dinamizada pelos jesuítas, sublinha-se o sucesso da “proposta diária de encontro com Deus”.

Música, páginas da Bíblia e momentos de reflexão marcam mais de uma dezena de minutos de proposta diária, disponível em formato mp3 (áudio) para poder ser descarregada e ouvida “em qualquer lugar”.

“Durante este ano, foram muitos os momentos especiais”, assinalam os promotores do “passo a rezar”, com destaque para a visita de Bento XVI a Portugal, em 2010, e a iniciativa “Sete Pausas na Beleza” de José Tolentino Mendonça, nas vozes de Susana Arrais e Pedro Granger.

“Quinze escritores, trinta leitores, trinta editoras musicais tornam possível o passo-a-rezar”, referem os jesuítas portugueses.

A iniciativa já chegou ao Brasil e à rede social Facebook, prometendo agora novidades: uma campanha de donativos, uma “surpresa para a Semana Santa”, um livro e “oração diária, para todos”.

O projecto www.passo-a-rezar.net é uma iniciativa do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, uma obra da Companhia de Jesus (jesuítas) que se dedica à promoção da oração pessoal.

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publicado às 05:55

À descoberta do essencial

por Zulmiro Sarmento, em 28.07.10

Por estes dias fui visitar um doente. Não tinha grande proximidade, directamente, à pessoa, mas somente ao filho. Nem sabia muito bem como poderia ser recebido, pois o doente – tanto quanto se sabe – não é muito religioso nem tão pouco praticante.
Era espantosa a serenidade – creio que real e não meramente induzida por medicamentos nem por disfarce – como aquele homem – consciente do estado de saúde, embora tentando evitar a total assumpção diante dos outros – quase olhava para as coisas de Deus... se é que n’Ele acredita!

Aquela espécie de serenidade foi como que provocadora. Naquela serenidade se revelava algo mais do que o passar de uma esponja sobre ‘sacanices’ (um eufemismo para talvez dizer pecados ou coisas menos correctas para consigo mesmo e os outros) do passado mais ou menos longínquo. Naquela serenidade poder-se-ia reflectir a confiança em quem o assiste (directa ou indirectamente) nestas horas (possivelmente) derradeiras.
Ficou-me, no entanto, a necessidade de reflectir sobre alguns aspectos a exigir maior ponderação e discernimento, sugerindo-me breves perguntas:
. Que cuidado temos com os doentes?
. Que consolação dámos aos doentes?
. Que presença de fé manifestamos para com os (nossos) doentes?
. Quando devemos (se devemos!) falar de Deus aos doentes em fase terminal?
. Como se pode (ou deve) preparar um doente descrente para o encontro com Deus?
. Sabemos enfrentar a nossa doença, cuidando da doença dos outros?
. Que temos feito pelas famílias dos doentes, sobretudo, nossos conhecidos e até familiares?

Sem pretendermos ideologizar a questão do cuidado prestado ou a prestar aos doentes, poderemos delinear breves sinais para uma preparação dos doentes que estão ao nosso cuidado e para que, quando estivermos em idêntica situação, possamos ser acompanhados condignamente... mesmo no aspecto espiritual/cristão.

1.Na debilidade somos mais autênticos?
Só uma pessoa com uma grande maturidade humana, psicológica e espiritual é capaz de aceitar-se na sua debilidade, sem se expor em excesso nem se esconder em exagero.
De facto, há pessoas que só estão bem a lamuriar-se, enquanto outras tentam fazer-se de fortes não deixando escapar as suas mais elementares fraquezas. O digno equilíbiro estará em sabermos ser nós mesmos, tanto nas horas de contentamento como nos momentos de revelação da nossa fraqueza, seja na doença seja na necessidade de apoio dos outros.
Nem a dimensão mais profunda e intensa da fé nos pode substrair às contigências de sermos e de vivermos na contínua exposição de nós mesmos à debilidade, que nos faz (ou deve fazer) mais humildes, mais fraternos e mais solidários.

2. Desmontar a máscara
Quando passamos pelo crivo da dificuldade – tanto psicológica como espiritual e moral – como que nos vamos conhecendo um pouco melhor, pois valorizamos o mais importante – pelo menos para nós – e relativizamos coisas que anteriormente (nos) pareciam imprescindíveis. No trato com as pessoas pode acontecer o mesmo: é nas horas de maior dificuldade que passamos a conhecer melhor quem gosta, efectiva e afectivamente, de nós. Tal como diz o povo: na prisão e na doença se percebe quem são os verdadeiros amigos. Certamente já todos podemos fazer este teste. No entanto, podemos dizer: como dói o abandono; como é difícil engolir as traições... sobretudo daqueles/as que consideravamos amigos!

3. O essencial está no nosso interior
Na caminhada da vida podemos ir descobrindo que o essencial não são as roupagens da moda nem as linguagens (mais ou menos) lisonjeiras, mas antes a correcção de vida entre os valores – dizemo-lo no contexto cristão – e a aferição do interior ao exterior, isto é, da nossa espiritualidade profunda até à profundidade da nossa correlação com o Espírito de Deus em nós.
Na medida em que se for degradando – como dizia São Paulo – o nosso homem interior se irá revelando o nosso homem espiritual, até à configuração com Cristo, o homem perfeito e glorioso em nós e através de nós.

Porque acreditamos na força da descoberta do essencial ousemos deixar que o Espírito Santo nos descasque e faça verdadeiramente autênticos n’Ele e uns para com os outros.

A. Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)

 

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publicado às 06:44

Como uma Criança...

por Zulmiro Sarmento, em 20.04.10

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publicado às 07:07

Ressurreição, páscoa, vida nova

por Zulmiro Sarmento, em 03.04.10

A Natureza vinga-se mas a vida será nova

Hoje temos a ânsia de viver. Queremos agarrar a vida, e ela se nos escapa, apesar de todo o desenvolvimento da ciência e da técnica. É que a vida é passageira, nós somos peregrinos numa terra que não é nossa a não ser de passagem. A nossa casa, por mais bela, encantadora e confortável que seja, deixá-la-emos aos nossos vindouros ou um simples cataclismo pode reduzi-la nuns breves segundos ou minutos a uma montanha de entulho. Temos diante dos nossos olhos imagens da Madeira, do Porto do Príncipe (Haiti), do Chile, da Turquia, do tsunami que atingiu as costas orientais.
A nossa casa não passa de uma tenda nesta terra de peregrinação onde se estão multiplicando os cataclismos, os terramotos, os tornados, as grandes cheias, provocadas por pluviosidade nunca vista, provocando milhares de mortos, de feridos e sem tecto.
No livro de Isaías, o profeta apresenta Israel como um povo pecador. Mas, exilado para a Babilónia, ou obrigado a viver no Egipto, acaba por reconhecer o seu pecado, o mal que fez a um Deus bom e amigo, pondo de parte suas leis e preceitos. Arrepende-se e Deus vai buscá-lo com o carinho de Pai amoroso. V ai buscá-lo ao Egipto onde os carros, os cavalos e cavaleiros e guerreiros do faraó ficaram soterrados nas águas do mar, extinguindo-se "como um pavio que se apaga".
São Paulo diz aos Filipenses que as coisas materiais são um prejuízo. Daí que tenha renunciado a todas, Diz mesmo "a todas", e "considera-as como lixo. Esqueceu tudo o que ficou para trás e vai, corre ao encontro do Bem supremo, ao encontro de Cristo que o chama, para o atingir na ressurreição.
Nos, baptizados, pertencemos a uma nova família. Somos o novo Israel. Adquirimos uma nova humanidade em Cristo. Através de provações, de privações e de contradições Paulo e nós vivemos na esperança da ressurreição e da vida vida nova com Cristo. Não esquecemos que Deus abriu através do deserto um caminho, e fez brotar rios e fontes de água na terra árida, para matar a sede ao seu povo e aos animais dos seus rebanhos. Levou-os ao colo para a sua terra, terra onde correrá leite e mel...
Em São João deparamos, por exemplo, com a cena da mulher apanhada em adultério e que, segundo a Lei de Moisés, devia ser apedrejada. Então, os fariseus tentam armar uma cilada a Jesus (se dissesse que devia ser apedrejada, onde estaria a bondade que tanto anunciava? e se dissesse que não devia sê-lo, estaria contra a Lei. Tu que dizes? E Jesus não respondeu. Insistem. E Jesus respondeu: "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra". E eles começaram a ir embora, um a um, até ao último. Ficou só a mulher e Jesus. Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor! Nem eu te condeno, vai e não voltes a pecar...
Hoje estamos num mundo de fariseus e hipócritas, num mundo corrupto, porque sem Deus, e sem aquilo a que falsamente chamam humanidade. Ultraja-se a Natureza ecológica, incluindo a Natureza humana, em muitos países , também no nosso e na UE, com leis iníquas, que só manifestam a corrupção e a podridão sob a capa de sermos modernos. No ano 2000 no Congresso Missionário Mundial, em Roma, o teólogo conferencista, hoje arcebispo Bruno Forte dizia: "o grande pecado do homem de hoje é ter posto Deus de lado, é ter rejeitado Deus, não faz caso do pecado. Nada é pecado. Por isso não é demais dizer que o mundo está à beira do abismo." O poder, o consumismo, a traição, a vingança, a destruição do outro: mortes, assassínios, roubos, desrespeito pela vida,... não é este o mundo em que vivemos?
Católicos, ainda que perseguidos, embora com palavras de tolerância... não desanimemos e permaneçamos firmes na nossa fé em Jesus Cristo.
Envergonhar-se-iam aqueles que pensaram uma Europa unida, pois pensaram numa Europa cristã. E estamos numa Europa sem Deus e que ataca Deus. Que se pode esperar das sociedade secretas? Duma sociedade que não se interessa pelo bem dos seus, especialmente dos pobres e dos idosos? Tudo isto vai ser um borrão na história humana, como já houve tantos através da história. Mas Deus triunfará e fará surgir um povo novo, uma nova humanidade. Numa verdadeira ressurreição.

ARMANDO SOARES
in ECCLESIA

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publicado às 07:01

Do alto da Cruz... nos vemos e interpretamos

por Zulmiro Sarmento, em 02.04.10

 

No contexto da ‘Semana Santa’ escutamos essa interpelação profunda e altíssima de Jesus: ‘quando for elevado sabereis quem Eu sou’. De facto, é quando alguém é elevado – social, política, profissional e mesmo eclesialmente – que podemos perceber quem esse/a tal é, pois do alto – qual exposição aos demais – se manifestam melhor as qualidade e até os defeitos.


Ora, do alto da Cruz de Jesus podemos ver e interpretar não só Quem Ele é como, se nos detivermos naquilo que Ele disse, penetraremos ainda mais na profundidade da sua derradeira mensagem.
Sem qualquer intuito teológico ou hermenêutico, vamos tomar as palavras de Jesus na Cruz e sugerir breves pistas para a nossa vivência cristã da Páscoa.

* Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem (Lc 23,34).
Jesus apresenta, neste momento extremo da sua vida sobre a terra, um dos maiores distintivos da sua pessoa e da sua mensagem: o perdão. Com efeito, Jesus feito perdão do Pai para nós, torna-se o mais alto sinal do perdão para todos e para cada um. Já não é uma decisão futura, o perdão reveste-se da opção presente e com incidências sobre o passado de toda a humanidade pecadora. Efectivamente, é sobre o pecado que Jesus derrama o perdão, invocado do Pai para sempre.
- Vivemos, hoje, na lógica do perdão ou da vingança?
- Procuramos sentir e acolher o perdão de Deus pelo sacramento da penitência e reconciliação ou somos dos que se dizem impecáveis?

* Hoje mesmo estarás comigo no paraíso (Lc 23,43).
O intenso e agreste diálogo da Cruz, entre os dois condenados com Jesus, termina com o pedido, aceite e promissor, de que aquele que se reconhece pecador e, portanto, necessitado do perdão e da paz, estará com Jesus no Paraíso. Jesus cumpre as promessas, pois a única limitação a esse cumprimento será a nossa incapacidade em deixarmos que Ele nos preencha mais na totalidade. À semelhança da abertura do ‘ladrão arrependido’ também nós podemos, desde já, deixar que o nosso coração se plenifique de amor pela compaixão.
- Vivemos, hoje, na dimensão da vida eterna?
- Teremos sabido apontar, com a vida, a perspectiva de Deus àqueles que nos rodeiam?

* ‘Mulher eis o teu filho’ (...) ‘Eis a tua Mãe’ (Jo 19,26).
Estamos diante de um novo diálogo sobre o palco da Cruz: Jesus, João e Maria. Esta é dada como mãe ao ‘discípulo amado’ e este recebe Maria, mãe Jesus, como sua nova mãe. A maternidade e filiação da Cruz está perpassada, simultaneamente, de comoção e de abertura ao futuro na sintonia entre os corações de Jesus e de Maria. A Mãe das Dores torna-se Senhora da Consolação, na medida em que por Ela não ficamos órfãos, mas, antes, somos recebidos com ternura amassada de angústia.
- Vivemos, hoje, conscientemente, a dimensão materna da Igreja?
- Temos sabido apontar o caminho da ternura àqueles/as que connosco vivem?

* Meu Deus, Meu Deus porque Me abandonastes? (Mt 27,46; Mc 15,34).
Este grito de Jesus, em forma de oração, é contra o abandono. Na hora suprema, Jesus recorda o salmo que, certamente, tantas vezes rezara na família de Nazaré. Temos aqui um Jesus orante, que, humanamente, retracta a amargura do sofrimento, Seu e de todos os homens... ontem e como hoje. Mas Jesus não está a abandonado. Ele pretende lembrar-nos que precisamos de nos voltar para Deus, quando nos possamos sentir em idêntica situação.
- Estamos atentos aos abandonados, mesmo sob os nossos olhos ou em nossa casa?
- Como vamos combater, positivamente, o abandono e o isolamento?

* Tenho sede (Jo 19,28).
A sede de Jesus é física e espiritual. Cansado, exposto, extenuado... Jesus dá mostras de fragilidade, suplicando por alguém que Lhe dê algo para saciar a sede. Esta revela uma certa ansiedade humana: Jesus continua a suplicar, hoje, que Lhe saciemos a sua sede de amor, de compreensão, de presença, de compaixão...
- Enquanto cristãos, temos sabido interpretar as sedes de quantos/as querem ser saciados de Jesus?
- Sentimos, correctamente, os anseios dos nossos contemporâneos, mesmo que possam rejeitar um certo tipo de Igreja?

* Tudo está consumado (Jo 19,30).
Tudo foi cumprido. Jesus completa as profecias do Antigo Testamento, sobretudo, no contexto da Sua Paixão, as que se referiam ao ‘Servo de Iavé’ (cfr. Is 42,1-9; 49, 1-6; 50,4-11; 52,13-53,12). Mais de quinhentos anos depois ‘entendem-se’ aquelas profecias e o ‘servo de Iavé’ é o próprio Filho de Deus. É desconcertante o mistério de Deus!
- Como é que lemos os sinais de Deus na nossa vida?
- Procuramos espiritualizar os acontecimentos da nossa vida, lendo-os em Deus?

* Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23,46).
Expirando, Jesus dá-nos o seu Espírito, em contexto de paixão eterna. Atirado para a mais radical entrega, Jesus tudo dá, dando-se em imolação ao Pai pela humanidade ingrata e desgraçada. Vindo do Pai para Ele retorna, sem nada regatear, mas antes tudo redimindo e resgatando pela sua entrega intercessora.
- Na religiosidade que vemos – e até promovemos – saboreámos a entrega e a confiança em Deus?
- Nas etapas da nossa existência terrena, tentamos acolher as manifestações do Espírito Santo em discernimento com os outros?

À luz das palavras de Jesus na Cruz, tentemos meditar o mistério pascal do Senhor em cada tempo e lugar!

A. Sílvio Couto

in ECCLESIA

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