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Novas figuras do Advento

por Zulmiro Sarmento, em 07.12.15

 

Frei Bento Domingues, O.P.

1. Segundo um conto judaico, um rabino fez a Deus o seguinte pedido: ”Deixa-me ir dar uma vista de olhos pelo céu e pelo inferno”. O pedido foi aceite e Deus enviou-lhe o profeta Elias, como guia.

O profeta levou o rabino a uma grande sala. No centro ardia um fogo que aquecia uma panela enorme, com um guisado que enchia o espaço com o seu aroma.

À volta deste apetitoso manjar estava reunida uma multidão com uma grande colher na mão. Apesar disso, viam-se as pessoas esfomeadas, macilentas, sem forças, a cair.

As colheres eram mais compridas do que os seus braços, de tal modo que não as conseguiam levar à boca. Tristes, desejosas e em silêncio, de olhar perdido.

O rabino, espantado e comovido, pediu para sair desse lugar espetral. De inferno já tinha visto o suficiente.

O profeta levou-o então a outra sala. Ou talvez fosse a mesma. Tudo parecia exactamente igual: a panela ao lume, com apetitosas iguarias, a gente à volta com grandes colheres na mão. Via-se que estavam todas a comer com gosto, alegres, com saúde, cheias de vida. A conversa e as gargalhadas enchiam a sala. Isto tinha que ser o paraíso! Mas, como é que tinham conseguido uma tal transformação?

As pessoas tinham-se voltado umas para as outras e usavam a enorme colher para levar comida a quem estava à sua frente, procurando que a outra ficasse satisfeita e assim acabavam por ficar todas bem!

2. Foi notícia a festa de arromba que um empresário ofereceu, em Loures, para celebrar os 15 anos da sua filha. Transportada antes em limousine e depois, em helicóptero, a partir de Algés. A brincadeira terá ultrapassado os duzentos mil euros. Apesar de tudo muito mais barata do que o jacto de Ronaldo. Não se pode dizer que vivem acima das suas possibilidades. A propriedade privada é sagrada.

John Magufuli, de 56 anos, Presidente da Tanzânia desde 5 de Novembro, já anda na boca das pessoas. É conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que introduziu no país.

Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando o nosso povo está a morrer de cólera. Só nos últimos três meses vitimou, pelo menos, 60 pessoas. Acabaram-se as viagens dos governantes ao estrageiro. As embaixadas deverão tratar dos assuntos que lhes competem. Se for necessário viajar, terá de pedir uma licença especial ao Presidente ou ao seu Chefe de Gabinete. Em 1ª classe e executiva só o Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro-Ministro. Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.

O Presidente Magufuli perguntou por que motivo os engenheiros recebem modelos de carro topo de gama, se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho. Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se vocês recebem salários; aplicável também aos parlamentares. Todos os indivíduos, ou empresas, que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas, passados 20 anos, ou as fazem recuperar imediatamente ou devem-nas devolver.

John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento. De 100 mil dólares passou para 7 mil.

3. Tem um precedente na América Latina, José Mujica. O ex-guerrilheiro, conhecido como o presidente mais pobre do mundo devido ao seu estilo de vida, deixou o poder a 1 de março.

Uma chácara, nos arredores de Montevideu, um VW Carocha de 1987 e três tratores. Esta é toda a riqueza do presidente do Uruguai,  avaliada em menos de 170 mil euros. Pode parecer pouco para um chefe de Estado, mas para Pepe, que doa 90% do seu salário anual, dez mil euros, para caridade, é mais do que suficiente. É por isso que ficou conhecido como o presidente mais pobre do mundo.

Mujica continua como sempre. Em algumas entrevistas, declarou: "não sou pobre, sou sóbrio, com pouca bagagem, vivo com o suficiente para que as coisas não me roubem a liberdade"; por outro lado, "tu, com o teu dinheiro, não podes ir a um supermercado e dizer: venda-me mais cinco anos de vida. Não podes. Não é uma mercadoria, então não a devemos gastar mal. Temos de a usar e gastar com as coisas que nos motivam a viver." À CNN disse: "temos de viver como vive a maioria, não como vive a minoria", lembrando que "o presidente é um funcionário que foi eleito pelas pessoas para um momento e uma etapa" e que "ninguém é melhor do que ninguém". “A política é a luta pela felicidade de todos".

Entre estas palavras e a sua existência quotidiana não há distâncias.

Vive com a mulher de há 40 anos, a senadora Lucía Topolansky, na casa de uma assoalhada, onde também costuma receber os jornalistas. Ao lado da roupa estendida e da horta que cultiva, é vegetariano, no meio das galinhas e junto à cadela Manuela, que só tem três patas. Não é esquisito no vestir e nem para ir à Casa Branca usou gravata, que considera "um trapo inútil".

Estamos no Advento. Uns dizem que o melhor está para vir, mas adiam a felicidade para o fim dos tempos. Outros repetem as figuras que anunciaram a vinda do Messias. Porque não abrir os olhos para as figuras que vivem hoje e abrem novos caminhos de Esperança?

Público, 6.Dez.2015

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publicado às 09:45

Deus não passa por nós a correr

por Zulmiro Sarmento, em 30.11.15

 

Frei Bento Domingues, O.P.

1. Não esperava que me viessem pedir contas por Deus não ter feito nada para impedir o massacre de Paris. Essas pessoas acabaram por concluir que tinham batido à porta errada. Sugeri-lhes, com toda a paciência, que falassem directamente com Ele e aproveitassem o encontro para se esclarecerem acerca de todas as guerras e violências que, até em seu nome, foram desencadeadas ao longo da História. Algumas das narradas na Bíblia Hebraica até passaram a ser glorificadas na Liturgia católica, como acontece, por exemplo, na própria Vigília Pascal. Isto sem falar na recitação e canto de alguns salmos especialmente violentos!

Como não me lembro de ter, alguma vez, atribuído a Deus as asneiras da iniciativa humana ou os desconcertos da natureza, não me sinto atraído a abordar casos de polícia como altamente religioso-teológicos. Tanto os que o culpabilizam como os que o absolvem sabem demasiado da divindade. Não se dão conta que Deus, em si mesmo, nos é totalmente desconhecido (omnino ignoto).

Fui vacinado, muito cedo, pela corrente mística da teologia negativa ou apofática. Esta prática teológica tem o bom senso de fazer acompanhar todas as afirmações, acerca da divindade, de uma luminosa negação anti-idolátrica. A paradoxal oração do dominicano alemão, Mestre Eckhart (1260-1327) – Deus, livra-me de Deus – confessa, de modo enérgico, que não nos podemos fiar nas fórmulas que julgam apanhar Deus na sua rede. S. Tomás de Aquino sustentou que a própria letra dos Evangelhos, sem o sopro libertador do Espírito, se pode tornar uma prisão, uma letra que mata.

Quando me entregaram o grande roteiro da viagem teológica para principiantes, a Suma Teológica, fui logo avisado, pelo autor, de que não iria passar a saber como era Deus, mas sobretudo como Ele não era, Deus conhecido como desconhecido [1].

No âmbito religioso, pelo salto de significação que permite, a linguagem metafórica é a menos inconveniente. Na grande poesia e na grande música todas as viagens são possíveis, mistério do Mundo, mistério de Deus.

2. Ao falarmos tanto, sobretudo desde o séc. XIX, da morte de Deus, do silêncio de Deus, de se lançar a suspeita sobre tudo o que se relacionava com as religiões, foi esquecido um pequeno pormenor: tomou-se uma importantíssima questão cultural da modernidade europeia, como se fosse o retrato da situação religiosa universal. Resultado: não entendemos o que se está a passar na Europa, nem no resto do mundo. Não sabemos qual o sentido da civilização que herdamos, nem a que estamos a construir.

Vivemos num mundo de negócios. Sem negócios não se pode viver. Estes são cada vez mais globalizados. Mas o negócio dos negócios é o comércio de seres humanos e de armas. Chegámos a um ponto em que sem a indústria bélica, muita gente iria para o desemprego. Com o seu uso, muita gente vai para o cemitério.

Quando se pensava que o tempo das guerras religiosas, das Inquisições, das Cruzadas tinha acabado, reaparece a união entre armas e religião, em pleno coração da Europa. Os pseudo-religiosos, os terroristas, usam as armas em nome de Deus. Os laicos usam as armas para se defenderem dessa religião, confessando, e ainda bem, um respeito sagrado pelas religiões que ignoram. Petróleo oblige.

3. Quando João Paulo II se opôs, da forma mais firme, à guerra no Iraque, ignoraram-no. Ele estaria a defender os interesses cristãos da zona. Quando o Papa Francisco advertiu que era urgente suster a calamidade do Estado Islâmico, uns ignoraram-no, outros comentaram: o pacifista converteu-se à guerra justa. Também ele estaria a defender os cristãos dos massacres que os tinham por alvo preferencial.

Não basta intensificar o diálogo inter-religioso, embora seja muitíssimo importante que todos confessem que um deus que incita à violência gera uma religião diabólica, uma anti-religião.

Religiosos e não religiosos, místicos ou ateus teremos de aprender a viver no mesmo mundo, não como uma fatalidade, mas como uma oportunidade de nos tornarmos mais humanos, com o contributo de todos. Os cépticos dirão que não passa de uma utopia, mas que seria de nós sem aquilo que nos faz andar?

A liturgia católica celebrou, no domingo passado, Jesus Cristo Rei do Universo, ajuda difícil para as monarquias em dificuldades. É um rei coroado de espinhos e cravado na cruz. Ele próprio confessou que não era o poder que lhe interessava. Se assim fosse teria organizado um exército. Para ele só contava a alegria da vida humana, a sua verdade última. Assim terminava o ano litúrgico. Hoje recomeça, com o Advento, mas Deus na sua caminhada com os seres humanos não passa a correr.

Segundo o Novo Testamento, adopta os ritmos e os zigue-zagues da história humana, para que ninguém se sinta perdido. Insere-se nos seus movimentos para abrir brechas de esperança.
Na situação actual, parece que ninguém sabe para onde caminha a nossa civilização que, ao mesmo tempo que se globaliza, se despedaça em fragmentos irreconhecíveis, esquecendo que somos todos migrantes da mesma promessa.

Não passemos este Advento a correr. Precisamos de tempo para nascer de novo, para descobrir que outro rumo e outra vida são possíveis.

Público, 29.11.2015
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[1]  S.T, I,q.2,prol.; q,13,a.4; Super Boet. De Trini. q. 2 a. 2 ad 1.

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publicado às 11:22

Servir e não servir-se

por Zulmiro Sarmento, em 17.11.15

 

 
Frei Bento Domingues, O.P.

1. Dizem-me que a papolatria, que denunciei várias vezes nestas crónicas, morreu. Era um culto hipócrita usado para esconder as manobras anticristãs da Cúria vaticana e de algumas cúrias diocesanas. Quando o Papa Francisco manifestou que esses poderes arbitrários seriam desmantelados, os ratos não abandonaram a barca. Criaram redes, internas e externas, de sabotadores das iniciativas da liderança de Bergoglio.

Segundo essa opinião, não se trada da defesa da liberdade e do pluralismo na Igreja que, aliás, raramente tiveram um clima tão favorável. Procura-se semear alguns escândalos e multiplicar as insinuações para convencer os carreiristas clericais e os dirigentes de movimentos e instituições da Igreja de que o argentino está velho e um tumor no cérebro seria o responsável pelos seus desmandos doutrinais. A voz diária das missas na capela de Santa Marta, os discursos e as mensagens, a enumeração das quinze doenças da Cúria, desde a falta de autocrítica, avidez de poder, acumulação de bens materiais até à hipocrisia, não irão sobreviver a um funeral mais ou menos solene e próximo.

Confesso que essa tese me pareceu demasiado elaborada e vizinha das teorias da conspiração, mas foi o próprio Papa Francisco que, no passado domingo, dia 8, a confirmou, quanto ao essencial.

Após a celebração da missa de domingo, dirigiu-se aos fiéis, presentes na Praça de São Pedro, afirmando que sabe que muitos deles estão indignados com as notícias que têm circulado, nos últimos dias, sobre os documentos da Santa Sé que foram roubados e publicados. Nas primeiras palavras sobre o escândalo, o Papa indicou que foi ele que pediu para se fazer o estudo sobre as finanças do Vaticano e que sabia, tal como os seus colaboradores mais próximos, da existência dos referidos documentos. Tomaram-se medidas que já estão a dar frutos. Quero dizer que este triste facto não me afasta do trabalho e das reformas que estou a realizar com os meus colaboradores e com o vosso apoio. O papa disse ainda que a Igreja se renova através da oração e com a santidade quotidiana de cada batizado. Pediu aos fiéis que rezassem por ele e pela Igreja, avançando com confiança e esperança.

O inquérito sobre o caso já levou à detenção, no fim-de-semana passado, do sacerdote espanhol Lúcio Ángel Vellejo Balda e da italiana Francesca Chaouqui, entretanto libertada.

2. O que mais aborrece o Papa Francisco, como declarou na homilia do dia 6, em Sta Marta, é uma Igreja morna, ensimesmada, com avidez de negócios, sem escrúpulos. Essa não é uma Igreja que está ao serviço, mas que se serve daqueles que deveria servir.

Na sua homilia, pediu ao Senhor que nos dê a graça que deu a Paulo, cuja honra era ir sempre mais longe, renunciando às regalias e às tentações farisaicas de vida dupla: apresentar-se como ministro do Evangelho, como aquele que serve, mas no fundo estar a servir-se dos outros, a exibir-se.

Também na Igreja, há carreiristas e apegados ao dinheiro. Quantos sacerdotes e bispos não vimos já assim? Sei que é triste dizer isto, mas também quanta alegria ao ouvir as narrativas daqueles e daquelas que, desde a Amazónia a África, me vêm dizer, sorrindo, que “há 30 anos sou missionário, missionária” ou que “há 30 ou 40 anos sirvo em centros hospitalares pessoas com necessidades especiais”. Isto é aquilo que Paulo fez: servir. Igreja que não serve torna-se Igreja mercantil!

3. Hubert Wolf [1], ao falar na Igreja-Reforma da cabeça e dos membros, chama a atenção para o seguinte: “um Papa que aplica em si mesmo o projecto de oposição à rica e faustosa Igreja papal – isso tem uma potência explosiva. Francisco precisará de aliados influentes para impor as suas reformas, de modo a que não lhe aconteça o mesmo que ao seu antecessor Adriano VI: este Papa nascido em Utrecht ficou marginalizado em Roma. O seu estilo de vida simples, que abdicou de toda a pompa da autoencenação papal, a sua austeridade e a sua humilde piedade foram rejeitados pela Roma renascentista. As suas ideias radicais de reforma ameaçaram a alteração do estilo de vida de cardeais e prelados que se viam mais como príncipes do Renascimento do que como homens da Igreja. Assim, não tardou muito até que as Eminências lamentassem, num momento de fraqueza e impulso religioso, ter elegido um reformador e começassem a torpedear todas as suas iniciativas. Adriano VI morreu derrotado, após um pontificado de escassos treze meses. É de Plínio, o Velho, uma frase que Adriano citava regularmente durante o seu pontificado e que foi inscrita no seu túmulo [2]: Ah, como influem os tempos na eficácia dos actos até do melhor dos homens”.

Jesus também não teve grande sorte por ter resistido às tentações do poder político, económico e religioso, coisa que os discípulos nunca entenderam, mesmo depois de lhes ter sido muito bem explicado [3].

Público, 15.11.2015
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[1] Professor na Universidade de Münster, Brotéria, 181 (2015) 231-241
[2] Igreja nacional alemã de Santa Maria dell’Anima, em Roma
[3] Marcos 10, 35-45; Lucas 17,16; 22, 4-28; João 13,1-7

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publicado às 15:55

O valor do elogio

por Zulmiro Sarmento, em 19.12.14

 

 
Há vários estudos sobre o elogio e todos concordam que ele é importante. Um elogio feito na hora certa e com sinceridade tem um poder verdadeiramente transformador. Ele funciona como uma poderosa fonte de encorajamento, inspiração e motivação para quem o recebe, elevando o ego e reforçando a autoconfiança.


"O elogio é de extrema importância para os filhos, em qualquer idade", diz a psicóloga Rosana Augone. "Faz com que as crianças desenvolvam a autoestima e se sintam reconhecidas pelas pessoas que mais amam: seus pais."
Quanto ao valor do elogio não há dúvidas. A questão é que atitudes elogiar e de que maneira. A jornalista americana Pamela Druckerman foi morar em Paris e sua comparação entre a educação dada às crianças na França e nos Estados Unidos resultou no livro "Crianças Francesas não Fazem Manha", da editora Fontanar.
Segundo ela, os franceses confiam na capacidade dos filhos, tentam ouvi-los atentamente e incentivá-los a descobrir as coisas por si mesmos, mas não passam o tempo todo elogiando-os sem parar. E isso faz com que as crianças francesas sejam mais tranquilas. "Uma criança que recebe elogios o tempo todo termina por se sentir o centro do mundo e acha que pode interromper a qualquer momento ou fica constantemente querendo atenção", diz.
Comecemos a valorizar as nossas famílias, amigos, alunos, subordinados, quando vemos que o merecem. E se o fizermos na altura certa, faremos bem a essas pessoas e a nós também.
Porém não basta só elogiar, é preciso fazê-lo de uma forma coerente, sincera e principalmente de forma correcta. Aquele que elogia tudo e todos pode estar mesmo a contribuir negativamente para a valorização da pessoa. 
Fonte:  aqui

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publicado às 10:25

E assim se vai queimando...

por Zulmiro Sarmento, em 16.11.14

Incitamento à violência contra os católicos

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«A única igreja que ilumina é a que arde. Contribua!», esta é a frase estampada na obra  «Cajita de fósforos». Além dessa bárbara incitação à queima de igrejas católicas, ofensas ao Papa, blasfémias e a defesa do aborto também fazem parte da mostra do grupo feminista argentino «Mulheres públicas», que participam na exposição «Um saber realmente útil», recém-inaugurada no Museu Rainha Sofia, em Madrid. Porém, há um importante pormenor, o museu é sustentado com verba pública.

Não serviram de nada os protestos de muitos católicos espanhóis. A direcção do Museu publicou no seu site uma nota cínica, dizendo que «as obras de arte que estão presentes nesta exposição reflectem unicamente as opiniões dos seus autores» e que, em nome da liberdade de expressão, o museu «não pode censurar a obra de um artista».

Assim fica legitimado que o dinheiro dos católicos tanto em Espanha e como em todo o mundo pode ser utilizado para os insultar e incitar à violência contra o seu património e as suas crenças. Eis um mundo louco. Ou antes uma maravilha onde alguns podem expressar os seus insultos em eufemismo chamado de arte e dessa forma usarem o dinheiro público contra uma porção do povo.

O cintilante «Estado laico» que deve servir os interesses do povo, usa o dinheiro dos impostos para impor a sua ideologia anti cristã e põem em causa as crenças de uma grande parte do seu povo. Assim andamos por todo o lado a alimentar tudo o que sejam elementos que provoquem guerra religiosa. Não basta o que está ser feito pelos jihadistas na Síria e no Iraque contra os cristãos?

Esperemos serenidade e que os Estados mantenham a sua laicizada, mas que não usam o dinheiro dos impostos dos cidadãos para incendiar sensibilidades sociais umas contra as outras. Devem os Estados promoverem e protegerem a liberdade de expressão, mas que em nenhum momento tal liberdade de expressão seja insultuosa, incite à destruição de património e muito menos uma mensagem que sugira violência contra quem quer que seja.

Entre nós, continua a perseguição pela calúnia e pela difamação desenfreada... Tudo normal se lermos com olhos de ler o Evangelho.

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publicado às 20:49

Era lhes dar cabo da raça...

por Zulmiro Sarmento, em 11.11.14

 PAVOR NO VATICANO

 

 

images (9).jpg(Este cardealzinho é um lobo vestido de cordeiro. Passa a vida a morder as canelas de Francisco. E a fazer exactamente o contrário daquilo que Francisco pede. E ainda diz que há "desorientação " na Igreja. Quem a provoca mais que ele?!)

 

 

Agora vem à luz que "talvez" foi de fato o assassinato de João Paulo I, já que iam fazer o mesmo com Bento XVI, que por isso renunciou, e confidenciou ao Papa Francisco que não seria a PRIMEIRA VEZ.

A conservadora "máfia" vaticana tentará bloquear as mudanças que o Papa Francisco quer fazer. Oxalá, ele consiga realizá-las! A situação atual não é melhor do que a de, quando reinava o Papa Rodrigo Borgia, aliás Alejandro VI. Há muitos interesses. Comentários que circulam entre a comunidade de inteligência em Roma, na Itália, indicam que setores radicais conservadores da Igreja Católica Romana começaram fazendo duras críticas e ataques ferozes contra o Papa Francisco, através dos meios de comunicação, web sites e redes sociais por sua atitude reformista. Entre os argumentos de ataque dos radicais conservadores católicos, estão:

 

       *1. O Papa Francisco rompeu com a tradição e violou o rito vaticano ao realizar o lava-pés da Quinta-feira Santa fora dos muros vaticanos, na prisão de menores "Casa de mármore", em Roma, incluindo dois muçulmanos e duas mulheres não católicas. Este é um fato inédito na história e tradição dos rígidos rituais da Igreja Romana. O ritualismo vaticano da Igreja Romana sempre, por séculos, desde a sua fundação, havia marginalizado e não levado em conta a mulher nesses rituais.

 

        *2. Os conservadores olhavam com horror o "sacrilégio" do sorridente Papa Francisco, a quem chamavam ironicamente de "Papa Adulador", expressão depreciativa que se refere a alguém que sorri sempre e se dá bem com todo mundo.

 

       *3. A recusa do Papa Francisco em morar no apartamento papal no palácio vaticano, decidindo, para a sua segurança pessoal, morar na residência Santa Marta, o hotel 4 estrelas do Vaticano, onde há muitas pessoas, e assim evitar o isolamento que rodeia o Papa ao morar no palácio Vaticano. O Papa Francisco quer estar ciente do que acontece ao seu redor e fora dos muros vaticanos. No apartamento papal estaria guardado e vigiado, de certa forma, controlado e mediatizado e, o mais essencial desinformado e à mercê das "hienas vaticanas" que já planejam tirá-lo do meio.

 

       *4. No encontro de almoço com Bento XVI no Castelo Gandolfo, este confiou ao Papa Francisco, que uma das causas que influenciaram em sua renúncia foram as ameaças que recebeu e por receio de ser envenenado, pois já haviam tomado a decisão de matá-lo, pelo que Bento XVI, em uma jogada para neutralizar esse atentado contra a sua vida, torna pública a sua renúncia com a qual desarmou a tentativa do crime. (como aconteceu com João Paulo I, segundo dizem)

 

       *5. O alto poder fixado na cúpula vaticana está totalmente oposta aos planos do Papa Francisco de reformar, eliminar, modificar a pompa, o ritualismo, o luxo e ostentação da Igreja Católica Romana. (Francisco tem um desejo e pensamento secreto que é o de

permitir que a mulher possa ter acesso ao sacerdócio católico, o que teria um efeito

tipo terramoto no meio dos que usam batina).

 

       *6. A Cúria Romana e os grupos de poder repudiam que o Papa Francisco tenha feito um chamado público à Igreja Católica ao estreitar o diálogo e as relações com o Islão. Acusam-no de ser um relativista teológico.

 

       *7. O Papa Francisco marginalizou os mais altos cargos vaticanos no ato e na cerimônia do lava-pés da Quinta-Feira Santa.

 

       *8. Acusam o Papa Francisco de ignorar as regras e normas da Igreja Católica Romana, já que , como Papa, está atuando sem consultar, nem pedir permissão a ninguém para fazer exceções sobre a forma com que as regras eclesiásticas se relacionam com ele.

 

       *9. A organização Opus Dei "Obra de Deus" proibiu (censurou) todas as suas livrarias "Troa", quanto à venda do primeiro livro sobre o novo Papa Francisco.

 

       *10. A Promotoria Romana Anticorrupção fez importante confisco de centenas de caixas de documentos que comprometem e vinculam as finanças vaticanas e a importantes personagens com a "máfia" italiana e gigantescas operações de lavagem de capitais e desvio de fundos vaticanos em um complicado mecanismo para desaparecer dinheiro. Este escândalo será o "Sansão" que derrubará as colunas que sustentam a Capela Sistina e todos os edifícios da pomposa e luxuosa estrutura vaticana.

 

       *11. Tanto o "Opus Dei", a "Maçonaria Iluminati ", importantes e influentes setores bancários, econômicos, setores mafiosos italianos, os próprios Cardeais que formam a "máfia e o poder vaticano", sentem-se em iminente perigo pelo confisco destas caixas de documentos supremamente comprometedores por parte da Promotoria Romana Anticorrupção e por parte do Papa Francisco que tem toda a intenção de sanear e controlar as finanças vaticanas e todos os negócios e investimentos deste multimilionário Estado religioso.

 

       *12. Outra das situações que deixaram extremamente enojados e furiosos estes grupos que sempre foram o poder por trás do poder, é que o Papa Francisco não está de acordo em que delinquentes com batina vivam em terreno vaticano, refugiados, escondidos, evadidos de enfrentar a lei.  Por enquanto enviou instruções para todo aquele com contas pendentes com processos ou acusações penais, saiam do solo Vaticano, já que em seu pontificado, o Vaticano não será santuário de infratores da lei. Imaginamos o que vem! Deus o proteja dos lobos que em grande número já começam a rodeá-lo para caçá-lo.

       *13.É muito importante reenviar esta mensagem à maior quantidade de contatos e que as pessoas saibam, se inteirem, TEMOS UM PAPA QUE IMPÕE A SUA AUTORIDADE, vamos ajudá-lo e apoiá-lo, compartilhando esta mensagem para que todos saibam o que está se passando.*

 

Pelusa Cestari

Um abraço a todos

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publicado às 11:05

A IGREJA EM TEMPOS DE OUTONO

por Zulmiro Sarmento, em 08.10.14
 

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Na Igreja, como na natureza em tempo de Outono, assistimos a um cair das folhas e a um consequente desnudamento das árvores.

É uma espécie de certificado de dever cumprido e de trabalho concluído.

O caminho não passará apenas pela introdução do novo, mas, acima de tudo, pela renovação — e pelo rejuvenescimento — do que já cumpriu uma extensa trajectória e que, não obstante, pode encerrar surpresas  e virtualidades.

À semelhança da natureza, a Igreja é chamada, pelo seu Senhor, a renovar-se instante a instante.

É a reforma perene de que falava o Concílio Vaticano II e cujas implicações jamais poderão ser subestimadas.

O tronco mantém-se, mas a folhagem tem de ser nova.

O conteúdo do anúncio será sempre o mesmo, os modos é que hão-de ser diferentes, já que as linguagens e os métodos terão de se submeter a um contínuo processo de revisão.

Precisamos, por conseguinte, de edificar umaIgreja autenticamente outonal, que se vá desapossando de tudo o que, tendo cumprido a sua função, já não é capaz de se adequar ao que, hoje em dia, se exige. E que muitos esperam.

Urge, de facto, deixar o que é relativo, datado, desajustado e acessório. Para que possa sobressair o… essencial.

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publicado às 11:24

MUITO SE TRABALHA, POUCO SE RECEBE

por Zulmiro Sarmento, em 23.09.14
Passou Agosto, mas ficou o gosto: o gosto provocado pelo primeiro cheiro a mosto.

É na vinha onde muitas pessoas passam muito tempo.

É na vinha onde tantos gastam — e se desgastam — tanto.

É na vinha onde as energias se consomem e os rendimentos como que se encolhem.

A vinha até dá muito, mas os mercados dão pouco pelo muito que se trabalha na vinha.

Na vinha, não se trabalha só agora, mas trabalha-se também agora, sobretudo agora.

Em plena época das vindimas, sabemos bem quanto custa trabalhar muito e receber pouco.

Em plena época das vindimas, sentimos bem o peso da injustiça e o (amargo) sabor da ingratidão. Afinal, gasta-se muito todo o ano a pensar nas vindimas. E acaba-se por conseguir pouco nas vindimas para o resto do ano.

O problema não está na terra, que até é generosa. O problema parece estar em quem teima em não valorizar devidamente o que se produz na terra.

Daí que o tempo das colheitas costume baloiçar entre a alegria e a frustração.

O que se recebe nem sempre compensa o que se gastou.

Resta-me, pois, augurar uma feliz colheita e desejar uma justa recompensa por tanto trabalho.

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publicado às 02:14

Sara Norte e a geração dos morangos estragados

por Zulmiro Sarmento, em 23.02.12
 

Sara Norte, condenada em Espanha

 

Imagem de aqui

 

Sara Norte, foi condenada em Espanha a dois anos de prisão por tráfico de droga, Sara, que ficou conhecida pela sua participação nas series de televisão Médico de família e Morangos com Açúcar, é só mais um de muitos casos em que a fama precoce antecede a caída no abismo.

 

A televisão, o dinheiro, a fama, povoam os sonhos de muita gente, inclusivamente de muitos pais, é evidente que uma andorinha não faz a primavera, haverá muita gente que consegue lidar com tudo isto, acredito que por cada Sara Norte, por cada Tiago Fernandes, haverá muitos actores que conseguem viver com a fama e o que esta traz consigo, mas estes casos devem servir para chamar a atenção.

 

Há pais que começam a levar os filhos aos castings ainda antes da idade de lhes retirarem as fraldas, há quem olhe para a televisão como a saída mais fácil para uma vida sorridente, esquecem que tudo na vida tem um preço a pagar e nem todos estão preparados para enfrentar a realidade. A Fama como a beleza é efémera, e um dia estes adolescentes dão por si a sentir que o seu momento passou, era bom que a família que incentivou e aplaudiu quando se estava na mó de cima, soubesse estar lá para apoiar e encaminhar quando se está na mó de baixo.

 

A Sara é só mais um caso, será talvez o caso mais conhecido até porque é filha de actores, haverá de certeza muita mais gente que vê todos os dias a fama passar e os sonhos a ir pelo cano abaixo, talvez a maioria não caia tão fundo, mas muitos, principalmente aqueles que deixaram tudo para correr atrás da fama, encontram-se de um momento para o outro perdidos numa encruzilhada da qual não é fácil saír.. sem trabalho e sem perspectivas.

 

Por trás de tudo isto, de tantos castings, de tantos morangos, ídolos, reality Shows e programas de caça talentos, há uma enorme industria que vive dos 5 minutos de fama destes jovens, haverá sempre mais Saras e mais Tiagos para sorrir para as câmaras, era bom que houvesse também quem os alertasse para os perigos do caminho que teimam em escolher.....

 

Do blogue O que é o jantar

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publicado às 03:18

“Investimento” em filhos. Há outra solução?

por Zulmiro Sarmento, em 26.01.12

Economista de grande competência, directora de uma das melhores escolas de negócios, recomendava aos pais que investissem nos estudos dos filhos porque era a melhor colocação das poupanças que podiam fazer. Investir em casas era um mau negócio e isso está à vista com tanta casa vazia.

Outra notícia dizia que a Andaluzia estava a ficar ocupada como os filhos dos emigrantes do norte da África e vazia de filhos de espanhóis. Muitos comentaristas vão dizendo que o Estado Social não é sustentável simplesmente porque os idosos suplantam os novos. Vai-se repetindo ainda o facto que após fecharem centenas de escolas primárias e secundárias, agora será inevitável fechar ou fundir muitas universidades. E a razão primeira não é a falta de verbas. A razão primeira é que faltam alunos para as escolas, os colégios e as universidades porque a demografia desceu este ano em Portugal aos níveis mais baixos de sempre.
E os pais a teimar investir em casas para ficarem vazias, em carros e artigos de luxo, roupas, alimentação cara e nociva; depois eles, os pais, ficam cada vez mais sós, mais entregues a uma casa em que vivem sós, adoecem sozinhos e morrem sozinhos. Podem estar rodeados de “coisas”, muitas coisas, mas estas não aquecem o coração, não dão vida humana. Abandonados? Não, eles é que têm vindo a abandonar a sua missão e a centrar-se no seu umbigo, a cuidar só de si mesmos. Esqueceram-se ou enganaram-nos de que uma vida melhor poderia ser só para eles e para poucos mais, um filho , dois ou nenhum. Esqueceram que a vida melhor é vivida em partilha com os humanos do passado, os do presente e os do futuro, os que vão nascer e os que vão morrer. Economia de armazenar coisas leva as pessoas a ficar rodeadas de coisas, afogadas em coisas, no desamparo, no vazio, no suicídio antecipado. A vida de pessoa circula entre pessoas, é troca, é energia, é amor, é luz que as põe em comunhão.
Os últimos cem anos criaram o individualismo como se a vida fosse só de indivíduos, ilhas, como se cada individuo não tivesse nada a ver com todos os da sua espécie, com os outros que nos vão suceder. A vida humana só adquire o seu sentido quando os indivíduos se assumem como pessoas que são, seres de relação que têm dimensões da sua vida nos outros, a recebem doutros; e podem ter a felicidade de dar muitas dimensões da própria vida a outros.
O começo da solução de muitos males da doença pós-moderna do individualismo suicida e desta crise está em “investir” em vidas dos outros, em filhos, em seres humanos, em pessoas e na sua igual dignidade. Haverá outra solução? Quanto mais se dá mais e melhor se vive e se vai viver. Investir demasiado em animais e em coisas não preenche o vazio actual. Ao contrário, quanto mais se investe em vidas de pessoas, mais se respeita a sua dignidade, mais se fica rico, mais cresce a vida. Assim faz a “família trinitária” das três pessoas divinas. Foi para isto que Cristo, uma dessas pessoas, veio para o pé de nós, e se “faz” nós para que tenhamos vida e vida em abundância e nos tornemos Ele.

Aires Gameiro
ECCLESIA

 

 

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