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JÁ COMEÇA A SER NATAL

por Zulmiro Sarmento, em 28.11.16
 

No Advento já é Natal.

 

No Natal continua a ser Advento.

 

É Advento no Natal porque o Natal celebra a grande chegada do Senhor Jesus à nossa história, ao nosso mundo, à nossa vida.

 

E é Natal no Advento porque nele o Senhor nasce e renasce.

 

A Eucaristia é o grande Advento e o perene Natal.

 

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

 

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

 

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

 

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

 

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

 

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

 

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

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publicado às 09:49

NÃO FAÇAMOS DO ADVENTO UM TEMPO DE ESQUECIMENTO (Primeiro Domingo do Advento)

por Zulmiro Sarmento, em 27.11.16
 A. De novo — e sempre — em Advento
  1. De novo, no Advento. Sempre em Advento. Afinal, Advento não é só um tempo. Advento é todo o tempo. Advento significa chegada. Advento é a chegada do «kairós» a este nosso «krónos». É o tempo segundo Deus que vem ao encontro do tempo segundo os homens. A bem dizer, é a eternidade que visita o tempo, é Deus que encarna no homem.

Há quem pule para o Natal sem passar pelo Advento. Há quem olhe para o Natal esquecendo o Advento. Há quem não note que o Natal é o ápice do Advento. O Natal celebra a primeira chegada de Deus ao mundo. Não tenhamos medo, pois, de reconduzir o Natal à sua inteireza e à sua beleza.

 

  1. Sem o Deus que Se faz homem, o que fica do Natal? Fica, sem dúvida, uma grande — e proveitosa — actividade comercial. Mas não é este comércio que celebramos no Natal. É curioso que os escritores cristãos antigos também falavam, a propósito do mistério da Encarnação, de um comércio, de um «admirável comércio».

Trata-se de um «comércio» que consiste numa permuta entre Deus e o homem. No Natal, celebramos Deus que vem até ao homem e o homem que vai até Deus. Deus humaniza-Se para que o homem Se divinize. É Jesus, o Emanuel vaticinado por Isaías (cf. Is 7, 14), que faz esta ponte e realiza todo este encontro: Ele é, por isso, o melhor presente que Deus oferece ao homem e é o melhor presente que o homem pode oferecer a Deus.

 

B. Quantos Adventos, afinal?

 

3. Se foi Deus que fez o Natal, vamos nós fazer um Natal sem Deus? E, no entanto, há tantos Natais onde não se ouve falar de Deus nem de Jesus. É certo que, como se costuma dizer, Natal é amor, é encontro, é família, é festa. Mas, antes de mais e acima de tudo, Natal é Jesus.

Nem sequer é preciso ser cristão para o reconhecer. Tal como existe um dia para assinalar o nascimento de qualquer pessoa, o Natal pretende assinalar o nascimento de Jesus. Ainda que não saibamos ao certo em que dia nasceu, sabemos que nasceu. E o Natal visa assinalar esse nascimento.

 

  1. Acontece que o Advento — isto é, a chegada de Deus ao mundo — não se limita a esta primeira vinda. Aliás, nós celebramos a primeira vinda de Deus enquanto vamos a caminho da Sua última vinda. De resto, os últimos domingos e o primeiro Domingo de cada Ano Litúrgico convidam-nos a olhar, na vigilância e na conversão, para esta última vinda, que ocorrerá no fim dos tempos.

Neste sentido, o cristão não deve instalar-se no comodismo nem descansar na passividade. O lugar do cristão é o caminho, é a viagem, é a vida. E, nessa peregrinação, devemos todos caminhar com os olhos postos no Senhor que há-de vir.

 

C. Em constante Advento

 

5. Há, entretanto, um terceiro Advento, que é um constante Advento. Na verdade, Cristo veio (é o que assinalamos no Natal) e Cristo há-de vir (é o que acontecerá no fim dos tempos). Mas é preciso perceber também que Cristo vem, que Cristo está sempre a vir. É o que se realiza em cada homem, em cada tempo e, especialmente, na Igreja presente em cada homem e em cada tempo.

Cristo está sempre a vir. Cristo nunca deixa de vir. A Igreja, de que fazemos parte, é o Seu novo Corpo. Em cada Eucaristia, Ele está realmente presente. Mas que atenção damos nós a esta Sua vinda?

 

  1. Cristo veio, Cristo virá e Cristo vem. Pensando bem, estamos sempre em Advento, nunca deixamos de estar em Advento. Nós não vivemos depois de Cristo, nós estamos a viver sempre com Cristo. Nós não estamos no ano 2016 d.C., mas no ano 2016 c.C, isto é, no ano 2016 com Cristo.

Se reparardes, a Igreja fala-nos dos «sucessores dos Apóstolos», mas não nos fala — nem poderia falar — de «sucessores de Cristo». Efectivamente, só há sucessores de quem não está. E Cristo está. Cristo continua a estar. Cristo nunca deixa de estar.

 

D. Façamos um presépio vivo

 

7. Por conseguinte, acolhamos a Sua presença, escutemos a Sua voz e convertamo-nos ao Seu amor. Advento há-de ser, por isso, um tempo de oração, de recolhimento e de conversão. Se Deus vem, não é para que tudo continue na mesma, é para que tudo seja diferente. Se Deus é diferente, como teimar em permanecer indiferente?

Não deixemos passar o Advento sem investir na reconciliação. Celebremos — também no Advento — o Perdão que Deus sempre nos oferece. Limpemos a nossa «casa» para que, nela, Deus tenha um lugar. Façamos um presépio em casa. Mas, acima de tudo, façamos da nossa vida um presépio vivo, um presépio em forma de vida.

 

  1. A celebração da primeira vinda do Filho mereceu, desde cedo, uma cuidadosa preparação por parte dos cristãos. Parece que a primeira referência ao «Tempo do Advento» foi encontrada na Península Ibérica, quando, em 380, o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o nascimento de Jesus. Há relatos de que, entre os séculos IV e VII, o Advento começou a ser observado em vários lugares do mundo.

No final do século IV, na Gália (na actual França) e na Península Ibérica, o Advento — à semelhança da Quaresma — tinha um carácter ascético com jejum e abstinência. Igualmente à semelhança da Quaresma, o Advento também durava seis semanas começando pelo São Martinho. Daí que o Advento também fosse conhecido como a «Quaresma de São Martinho». Actualmente, o Advento percorre quatro semanas, até às Primeiras Vésperas da Solenidade do Natal.

 

E. Não apaguemos a luz que Deus acende

 

9. Ao longo do Advento, não se canta o Glória, para que no Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo e entusiasmante. Pelo mesmo motivo, recomenda-se que os ornamentos e os instrumentos musicais sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.

Os paramentos litúrgicos são roxos, cor que é símbolo do recolhimento, da contrição e da conversão. A única excepção, aos domingos, é o Terceiro Domingo do Advento. Este é o chamado «Domingo Gaudete» ou da Alegria. Tradicionalmente, usa-se o paramento cor-de-rosa para sinalizar a alegria pela vinda do Salvador, que está próxima.

 

  1. Entre os símbolos do Advento, tem sobressaído, de há uns tempos para cá, a Coroa. Curiosamente a Coroa do Advento surgiu em 1839, por iniciativa de um pastor protestante alemão chamado Johann Wichern. Como as crianças lhe perguntavam quando era o Natal, ele fez um círculo com uma vela para cada dia do Advento. Punha velas pequenas para os dias da semana e quatro velas maiores para sinalizar os domingos. A Igreja Católica começou a usar este símbolo em 1925, também na Alemanha. Habitualmente, colocam-se três velas roxas e uma cor-de-rosa, para assinalar o «Domingo da Alegria».

A forma circular da coroa representa o amor eterno de Deus por nós, que não tem princípio nem fim. O verde dos ramos simboliza a esperança e a vida. Para as quatro velas, há quem aponte um significado: a primeira evoca o perdão concedido a Adão, a segunda representa a fé de Abraão e dos Patriarcas, a terceira lembra a alegria do rei David pela promessa de uma aliança eterna e a quarta recorda os profetas que anunciaram a vinda do Salvador. Com todos estes auxílios exteriores, procuremos transformar o nosso interior. Não façamos do Advento um tempo de esquecimento. Pela nossa vida fora, não apaguemos a luz que Deus acende nesta aurora. Não esqueçamos Deus nem os outros, que também são filhos de Deus!

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