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SÓ COM VIDA NOVA HAVERÁ ANO NOVO (Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus)

por Zulmiro Sarmento, em 31.12.14
 

A. Não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar

  1. Nestas alturas, é praticamente impossível ser original. Como notava Terêncio, «não se diz nada que já não tenha sido dito». As palavras parecem sempre velhas, mesmo quando falam do que é novo. Que esperar, então, do ano novo?

Após os desejos habituais, eis que nos preparamos para as amargas desilusões de sempre. À primeira vista, já nenhum ano parece ser novo. A própria palavra «novo» é bem antiga. Há quantos séculos não anda a humanidade a desenhar promessas de novidade?

 

  1. Por vezes, a vontade de desistir é grande. Mas é precisamente por isso que a determinação de persistir tem de ser ainda maior. Afinal e como dizia Sto. Agostinho, «é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa». Na vida, são muitas as situações em que tudo parece que vai acabar. Na vida, são muitos os momentos em que temos de ganhar forças para recomeçar.

O início de um ano sinaliza que a vida é um recomeço constante. Há 12 meses, também estávamos a começar um ano. Há 24 e há 36 meses, estávamos igualmente a começar outros anos. O que jamais podemos é desistir: não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar.

 

B. Um dia para Jesus, um dia com Maria

 

3. Começamos cada ano com os ouvidos ainda a captar os ecos do Natal. E, na verdade, o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal continua a ser. Em suma, o Natal nunca deixa de ser. É certo que, nos últimos dias, já teremos usado vezes sem conta a fórmula verbal «foi» na pergunta que mais fizemos e que mais nos fizeram: «Como foi o teu Natal?» ou «Como foi esseNatal?». Já António Gedeão escrevia que «tudo éfoi». Mas não é isso o que sucede com o Natal. O Natal é uma manhã sem ocaso, é um começo sem fim.

Assim sendo, o Natal continua no tempo. Hoje mesmo é a Oitava do Natal. Aliás e como acabamos de escutar, foi oito dias depois do Seu nascimento que o Menino recebeu o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21). Daí que, durante muitos anos, este fosse também o dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Entretanto, o Tempo Litúrgico do Natal não acaba nesta Oitava. Ele só termina com a festa do Baptismo do Senhor, que este ano ocorrerá a 11 de Janeiro. Mas, no fundo, é sempre tempo de Natal. O Natal está no tempo para que possa estar na vida, para que possa estar na nossa vida no tempo.

 

  1. É, então, a Jesus que entregamos este nosso novo percurso no tempo, que queremos percorrer também na companhia de Maria, que tudo — e a todos — guarda em Seu coração (cf. Lc 2, 19). Com D. António Couto, saudámo-La, hoje, como «Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro». Diante d’Ela nos sentimos «tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade» Apesar de nos faltar muita coisa, ainda temos bastante. Falta-nos, porém, o essencial: «a simplicidade e a alegria» de Maria. Mas Maria está connosco, está connosco como Mãe.

Hoje ocorre a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Sendo Mãe de Cristo e sendo Cristo o Filho de Deus, os cristãos cedo perceberam que Maria era Mãe de Deus. Não era só Mãe do homem Jesus, mas Mãe do Filho de Deus que encarnou em Jesus. O Concílio de Éfeso oficializou esta doutrina em 431. S. Cirilo de Alexandria já tinha tornado tudo muito claro: «Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e se a Virgem Santa O deu à luz, então Ela tornou-Se a Mãe de Deus».

 

  C. A paz tem um nome: Jesus

 

5. Foi por Maria que Jesus veio até nós. Será sempre com Maria que nós iremos até Jesus. Aquela que nos dá Jesus é sempre a melhor condutora para irmos ao encontro de Jesus. Façamos, portanto, como os pastores. Como os pastores, corramos (cf. Lc 2, 16). Procuremos ir depressa, sem demora, ao encontro de Jesus. O encontro com Jesus terá de ser sempre a prioridade da nossa vida e o centro da missão na vida.

Em Jesus, oferecido por Maria, encontramos o que mais procuramos para nós e o que mais desejamos para o mundo: a paz. Jesus não é apenas o portador da paz. Ele próprio é a paz hipostasiada. Aliás, é assim que o Messias é descrito por Miqueias: «Ele será a paz»(Miq 5, 5). Isaías apresenta o Menino «que nos nasceu» como o «príncipe da paz»(Is 9, 6). Por sua vez, os salmos apontam os tempos messiânicos como sendo marcados por uma grande paz (cf. Sal 72, 7).

 

  1. Não espanta, por isso, que, no século V, S. Leão Magno tenha dito que «o nascimento de Cristo é o nascimento da paz». De facto e como reconhece S. Paulo, Cristo «é a nossa paz»(Ef 2, 14). É aquele que derruba todos os muros de separação e que de todos os povos faz um só povo (cf. Ef 2, 14). Trata-se de uma paz única, sem paralelo. O próprio Jesus viria a dizer que a Sua paz era diferente: «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; não vo-la dou como o mundo a dá»(Jo 14, 27).

É neste sentido que o Concílio Vaticano II recorda que a paz é muito mais do que a mera ausência de guerra. De resto, a ausência de guerra é, muitas vezes, ocupada com a preparação para a guerra. A paz é mais do que «pax», que, segundo os antigos romanos, resultava da negociação entre as partes desavindas. As partes continuavam desavindas, apenas não entravam em conflito. Semelhante é o conceito veiculado pelo grego «eirene». A paz, para os gregos da antiguidade, é uma tentativa de harmonia entre forças contrárias. As forças permanecem contrárias, unicamente não avançam para o combate.

 

D. Para estar no mundo, a paz tem de estar em cada pessoa

 

7. O hebraico «shalom» contém muito mais. A paz, aqui, é anterior a qualquer esforço humano. É um dom de Deus que faz o homem sentir-se completo, integral. É por isso que a paz só estará no mundo se estiver em cada pessoa que há no mundo. Antes da negociação, é fundamental pugnar pela conversão à paz. Jesus, no Sermão da Montanha, considera felizes os construtores da paz. Só eles serão «chamados filhos de Deus»(Mt 5, 9).

Importa perceber que o primeiro sinal de Deus é a paz. Quando Deus vem à terra em forma de criança, os enviados celestes entoam um cântico que diz tudo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra» (Lc 2, 14). A paz desponta, assim, como o grande indicador de que Deus já está entre nós.

 

  1. Desde 1968, o dia de ano novo tornou-se também o Dia Mundial da Paz. Pretendia Paulo VI colher inspiração na invocação que, neste dia, se faz de Jesus e de Maria: «Estas santas e suaves comemorações devem projectar a sua luz de bondade, de sabedoria e de esperança sobre o modo de pedirmos, de meditarmos e de promovermos o grande e desejado dom da paz, de que o mundo tem tanta necessidade». Com aquele grande Papa, continuamos a pedir para que «seja a paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processamento da história no futuro».

Para 2015, o Papa Francisco propõe um tema que parece ultrapassado, mas que se mantém actual: «Não mais escravos, mas irmãos». Infelizmente, no nosso mundo, ainda há mais de 35 milhões de pessoas que vivem na escravatura. E nem Portugal está inteiramente limpo desta mancha, com os 1400 escravos que (sobre)vivem no nosso país. Como bem refere o Santo Padre, «a escravatura é uma terrível ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea e uma chaga gravíssima na carne de Cristo! Para a combater eficazmente, tem de se reconhecer, acima de tudo, a inviolável dignidade de cada pessoa».

 

E. Antes de mais, importa atingir o zero

 

9. Afinal, ainda há aspectos onde nem sequer atingimos o «grau zero» de humanidade. Ainda há aspectos onde nos encontramos abaixo de zero. E abaixo de zero, tudo é negativo, tudo é negação. Como pode haver paz no mundo se no mundo não há justiça nem respeito pela dignidade humana? Temos, pois, um longo caminho a percorrer. Temos muito que fazer ou, como diria Sebastião da Gama, «temos muito que amar».

Diante dos que vaticinam o iminente fim da história, é importante começar com urgência uma história de re-humanização do mundo. Sim, porque a humanidade ainda consegue ser muito não-humana, muito desumana. Para re-humanizar o mundo, diria que duas são as coisas que têm de acabar já: a guerra e a fome. Consequentemente, duas têm de ser as coisas que importa assegurar desde já: paz para todose pão para cada um. Para re-humanizar cada pessoa que há no mundo, duas são também as coisas a que urge pôr fim: egoísmo e violência. E duas serão igualmente as coisas que é imperioso introduzir: solidariedade e educação.

 

  1. Neste início de ano, acolhamos o olhar com que Deus nos presenteia e a paz que Ele benevolamente nos concede (cf. Núm 6, 26). Não esqueçamos que o lugar onde a paz mais se decide é o nosso interior. Se o nosso interior não for indiferente, o nosso exterior começará a ser diferente. E a verdadeira novidade descerá à terra.

Que haja, pois, vida nova no ano novo. Não é o ano novo que faz a vida nova. Só uma vida nova fará o ano novo. Só uma vida nova trará o tempo novo, o mundo novo!

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publicado às 14:13

1 de janeiro: DIA MUNDIAL DA PAZ

por Zulmiro Sarmento, em 30.12.14

 

 




Veja  aqui a Mensagem do Papa na íntegra.

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publicado às 21:18

NÃO TERMINOU A 25

por Zulmiro Sarmento, em 29.12.14
 

Natal é a noite, mas é também o dia.

 

Natal é o frio, mas é também o calor.

 

Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.

 

Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

 

O Natal não terminou no dia 25.

Constrói, por isso, um Natal para todo o ano,

para toda a vida.

 

Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.

 

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.

 

Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.

 

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

 

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.

 

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

 

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

 

Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

 

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

 

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

 

Que continues a ter um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

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publicado às 02:02

Luís Osório: "Jesus vive no Papa Francisco?"

por Zulmiro Sarmento, em 26.12.14

 

 

Editorial de Luís Osório no "i" de 24 de dezembro, Sobre Francisco, que chega aonde mais nenhum Papa chegou, pelo menos assim de repente.
Li aqui

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publicado às 15:03

O valor do elogio

por Zulmiro Sarmento, em 19.12.14

 

 
Há vários estudos sobre o elogio e todos concordam que ele é importante. Um elogio feito na hora certa e com sinceridade tem um poder verdadeiramente transformador. Ele funciona como uma poderosa fonte de encorajamento, inspiração e motivação para quem o recebe, elevando o ego e reforçando a autoconfiança.


"O elogio é de extrema importância para os filhos, em qualquer idade", diz a psicóloga Rosana Augone. "Faz com que as crianças desenvolvam a autoestima e se sintam reconhecidas pelas pessoas que mais amam: seus pais."
Quanto ao valor do elogio não há dúvidas. A questão é que atitudes elogiar e de que maneira. A jornalista americana Pamela Druckerman foi morar em Paris e sua comparação entre a educação dada às crianças na França e nos Estados Unidos resultou no livro "Crianças Francesas não Fazem Manha", da editora Fontanar.
Segundo ela, os franceses confiam na capacidade dos filhos, tentam ouvi-los atentamente e incentivá-los a descobrir as coisas por si mesmos, mas não passam o tempo todo elogiando-os sem parar. E isso faz com que as crianças francesas sejam mais tranquilas. "Uma criança que recebe elogios o tempo todo termina por se sentir o centro do mundo e acha que pode interromper a qualquer momento ou fica constantemente querendo atenção", diz.
Comecemos a valorizar as nossas famílias, amigos, alunos, subordinados, quando vemos que o merecem. E se o fizermos na altura certa, faremos bem a essas pessoas e a nós também.
Porém não basta só elogiar, é preciso fazê-lo de uma forma coerente, sincera e principalmente de forma correcta. Aquele que elogia tudo e todos pode estar mesmo a contribuir negativamente para a valorização da pessoa. 
Fonte:  aqui

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publicado às 10:25

A Repetição do Natal sem Natal

por Zulmiro Sarmento, em 19.12.14
 
15/12/2014, 17:15
Rui Silva

A Repetição do Natal sem Natal

Estavam os Santos a serem celebrados, os defuntos ainda recordados e o São Martinho sem dar ainda um ar da sua graça, e o Natal já entrava pela casa adentro com publicidade e panfletos, com promoções e sugestões para todos os gostos e manias. É a rotina de um tempo que se faz tempo sem tempo.

De certo, que em mais um ano, viveremos um Natal apenas para cumprir uma data, uma tradição. Será o cumprimento de um hábito, sem horizonte, de um costume carregado de  egoísmo “fechado”, de uma atitude humana no consumo materialista e até para muitos que se dizem cristãos ou católicos, mais um Natal sem ou com pouco Deus.

É o ciclo vicioso da repetição das Boas Festas, do Feliz Natal, das Festas Felizes, dados quase mecanicamente como adereço ou acessório da quadra, porque faz parte, tem que se dizer para se ficar bonito, não vá alguém nos rotular de má educação. Vive-se pouco sente-se pouco, fala-se muito. É a época dos sentimentalismos temporários do silêncio,da emoção a curto prazo da paz e da amizade, do esforço da presença em família, para transparecer sem transparência, vezes sem conta, a compreensão, o perdão, o amor. Como jeito de aliviarmos a consciência e para que a mesma fique tranquila na quadra, lá metemos a mão ao bolso e partilhámos umas moedas, ou então, compramos uns produtos com o destino solidariedade.

É a rotineira visualização dos filmes natalícios, muitas vezes monótonos e até deprimentes. É o dizer novamente: “este ano nem cheira a natal”.

E é nesta atitude que somos enrolados para uma vivência de um Natal, baseado em frases feitas, numa linguagem poética, mágica e vaga, que olho para o Natal como algo envolvido numa espécie de nevoeiro, onde há mais social do que religioso, mais artístico do que familiar, mais individual do que comunitário. Uma festa anual, sem programa, numa repetição sem retorno, uma quadra para uso e consumo próprio.

Mesmo com a crise económica, com os cortes sem cortes, com os sacrifícios sem sacrifício ou com os apertos no cinto sem cinto e sem aperto, com a laicidade de mãos dadas com a secularização, acompanhada pela prima mais velha a descristianização, o certo é que nada parece fazer que o Natal entre em vias de extinção, ou até mesmo seja privatizado, porque haverá sempre um Pai Natal, uma Popota entre tantos outros, que se encarreguem de recordar-nos que é Natal. O Aniversariante da época, bem pode ficar esquecido.

Não estaremos a viver uma insistente manutenção de uma tradição, que grita num grito alarmante por uma renovação?  Não estará o Natal dos adultos hoje, na sua generalidade cheio de fantasias e ornamentos sem sentido?Julgo não bastar a mesa farta e o excesso de prendas, é preciso ir mais além no Natal.

Mesmo assim, ainda acredito e quero acreditar que enquanto houver uma criança haverá Natal se soubermos transmitir, sem rodeios e sem vergonhas, o verdadeiro sentido da festa do Natal. No Natal só existe um único protagonista, o Menino Jesus. Só existe um único programa, que é a nossa atitude de sair de casa e ir ao encontro do outro, onde o melhor e o mais belo presente seja cada um como é. Evitemos a tentação da autosuficiência e da transformação da sociedade à nossa maneira, mas deixemos neste Natal a nossa marca, numa vivência do amor para que este regule as relações humanas e que estas sejam baseadas num amor sem fronteiras e sem medidas.

No entanto, ainda assim, a festa do Natal, é a mais universal, que possa existir, uma festa de crentes e não crentes. Custa-me a acreditar que exista alguém que fique indiferente a esta festa... Deste lado, ainda acredito na mudança, mesmo que ela tarde em chegar...

 

Rui Silva

(do jornal Baluarte da ilha de Sta Maria)

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publicado às 10:16

Qual A Origem Da Coroa Do Advento?

por Zulmiro Sarmento, em 16.12.14

 


Entre as decorações de preparação para o Natal, é comum encontrar nas igrejas uma guirlanda com quatro velas. Qual a origem deste enfeite? Desde quando a Igreja o utiliza? Descubra como a "coroa do Advento", mesmo sendo de origem protestante, se encaixa "como uma luva" na liturgia e espiritualidade católicas.
 
Todos os anos, a Igreja se prepara para a Solenidade do Natal e é comum encontrar, entre as decorações do Advento, uma espécie de coroa, com uma guirlanda e quatro velas. Qual é a origem deste enfeite?
 
Pode parecer surpreendente, mas a sua origem está ligada à religião luterana. O seu uso começou em 1839, por iniciativa de um pastor chamado Johann Wichern. Ele cuidava de uma casa de auxílio social a crianças pobres. Nas proximidades do Natal, as crianças, ansiosas, sempre perguntavam quando era a festividade. Então, para marcar a sua chegada, ele fez uma roda com uma vela para cada dia do Advento, de forma que havia velas pequenas para os dias da semana e quatro maiores para simbolizar o domingo. Vários pastores começaram a fazer o mesmo em suas comunidades, simplificando o enfeite para quatro velas. Depois, juntou-se a essa ideia a já tradicional guirlanda natalina.
 
O fato é que este enfeite levou um tempo para ser adotado pela Igreja Católica. Foi usado pela primeira vez em Colônia, em 1925, e em Munique, em 1930. Depois, alcançou grande sucesso com a vinda do movimento litúrgico. É notável que a coroa do Advento pareça estar mais em sintonia com a fé católica – que tem o tempo litúrgico como tempo sagrado – do que propriamente com a fé protestante. Não sem razão a coroa caiu "como uma luva" na liturgia e espiritualidade católicas.
 
Na comunidade luterana, as velas tinham várias cores diferentes. Originalmente, eram velas escuras que, com o passar dos dias, iam ficando mais claras, para simbolizar a proximidade do nascimento de Cristo. Depois, preferiu-se adaptar as velas para a cor litúrgica do Advento: usam-se, então, três velas roxas e uma rósea – esta para o 3º Domingo do Advento, também chamado deGaudete.
 
Os irlandeses também contribuiram para inovar o enfeite, acrescentando uma quinta vela à coroa, para simbolizar a Solenidade do Natal. Por isso, também é possível encontrar uma coroa com cinco velas.
 
Quanto ao seu significado, várias interpretações são possíveis. O círculo contém a ideia de tempo e eternidade, as velas lembram que o Natal é uma festa de luz e, por fim, os ramos verdes remetem à esperança cristã –– à esperança do Senhor que se aproxima, que sai da eternidade para entrar na história.

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publicado às 15:56

CRISTIANISMO SEM CRISTO?

por Zulmiro Sarmento, em 16.12.14
 

 

  1. Nestes tempos ruidosos, todos temos consciência da nossa incapacidade para ouvir.

Mas será que, nestes tempos sombrios, teremos noção da nossa persistente dificuldade em ver?

 

  1. É um facto que passamos muito tempo a olhar e a falar do que olhamos.

Os nossos olhos passeiam-se, quais vagabundos, por tudo quanto existe. Mas será que, ao olhar para tanto, veremos o importante?

 

  1. Ver é muito mais que olhar. Ver não é só lançar os olhos. Para ver, é preciso mergulhar o olhar no interior da realidade.

As aparências, só por si, não permitem captá-la. Apenas presumem capturá-la.

 

  1. Hoje em dia, olhamos muito e muito depressa. Mas a pressa pressiona e desfoca.

A pressa de tudo olhar poderá levar-nos a nada (conseguir) ver.

 

  1. Muitas das nossas conversas andam à volta do que (supostamente) vemos: «Já visteisto?»; «Já viste a última sobre aquele?»

O ver sobrepõe-se a praticamente tudo. Sobrepõe-se ao ouvir: «Já viste o que disse Fulano?». E sobrepõe-se até ao ler: «Já viste o último livro de Sicrano?»

 

  1. No limite, não vemos; vemo-nos.

Aquilo que recolhemos é tão fugidio que pouco — ou nada — corresponde ao real. Corresponde mais à nossa percepção, à nossa impressão.

 

  1. A linguagem acaba por ser mais monitorizada pelo receptor do que pelo emissor.

E, neste sentido, a interpretação corre o risco de ser mais uma apropriação do que umaaproximação.

 

  1. Há muitos olhares sobre Jesus que não aproximam de Jesus. Há muitas palavras sobre Jesus que podem distanciar-nos de Jesus.

Será que todo o Cristianismo é cristão? Será que o Cristianismo procura sempre ser cristão? Será que o Cristianismo nos conduz sempre a Jesus? Será que o Cristianismo nos traz sempre Jesus? Quando olhamos para o Cristianismo, conseguimos ver — e ouvir — Jesus?

 

  1. Nem só Cristo foi tentado. O Cristianismo também sofre o assédio das tentações.

É o que acontece quando o Cristianismo ensombra a presença de Cristo, quando ignora — ou aparenta distorcer — a mensagem de Cristo.

 

  1. Procuremos ver Jesus. E que o Cristianismo deixe sempre ver Jesus: o Jesus inteiro, o Jesus do Evangelho, o Jesus da bondade, o Jesus da verdade.

O presépio é uma preciosa cátedra e uma encantadora lição. Seremos capazes de a perceber?

 

Do blogue Paz na Verdade

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publicado às 12:33

OU TALVEZ NÃO

por Zulmiro Sarmento, em 16.12.14
 
É Natal,

ou talvez não,

pois afinal,

o povo que viu a luz,

continua na escuridão.

 

É Natal,

mas só um dia,

pois nem sinal,

de que se cumpra a profecia.

 

É Natal

Mas não na terra,

onde em vez de arados

se forjam armas de guerra.

 

É Natal,

mas não de verdade,

porque a paz não vingou

entre os homens de má vontade.

 

É Natal,

mas não nas cidades

em que as portas se fecham

às famílias sagradas.

 

É Natal,

mas não na manjedoura farta

dos que matam a esperança

ou adiam o seu parto.

 

É Natal,

mas não de Jesus,

enquanto o egoísmo impedir

o amor de dar à luz.

 

É Natal,

mas nunca o poderá ser,

enquanto se achar normal

impedir alguém de nascer.

 

É Natal,

mas não no hipermercado

onde as compras e anúncios

dispensam o Anunciado.

 

É Natal,

mas não nas lojas e montras

que adoram o Pai Natal

como o ídolo das compras.

 

É Natal,

mas não nos bairros degradados

em que nascem novos cristos

para ser crucificados.

 

É Natal,

mas não nos lares de velhinhos,

tão cheios de desenganos,

tão vazios de carinhos.

 

Não é ainda Natal…

Mas basta um Francisco de Assis

mostrar-nos Belém tal e qual

para ser Noite Feliz.

 

Assim poetou (magnificamente) Isidro Lamelas.

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publicado às 10:19

CAMINHAR COM O PROFETA ISAÍAS

por Zulmiro Sarmento, em 15.12.14

Published: 7 de Dezembro de 2014

CAMINHAR COM O PROFETA ISAÍAS – 7 de Dezembro de 2014

 

1. No tempo do Advento a liturgia oferece-nos um companheiro de caminho. É o profeta Isaías. Poderia perguntar-se quem é este profeta que iluminou os caminhos do Povo de Deus no meio das suas dificuldades. Os estudiosos da Sagrada Escritura sabem que o Livro do Profeta Isaías tem três partes de autores diferentes. A primeira parte, escrita por volta de 750 a.C., faz a história do povo de Israel com a promessa de um Messias que iria libertar Jerusalém das grandes dificuldades que suportava. O Deutero-Isaías, escrito por volta de 587 a.C., segunda parte, descreve o Servo de Javé, o Messias Redentor, que ao entrar na história do Povo de Deus irá sofrer por ele, para dar-lhe a salvação. É o tempo do cativeiro da Babilónia. A última parte, escrita por volta de 520 a.C., terceiro Isaías, canta o regresso do Povo de Israel a Jerusalém, depois de todas as angústias vividas no cativeiro. A liturgia deste tempo de Advento oferece textos retirados de partes diversas do Livro de Isaías, mas a proposta é sempre a da esperança na salvação.
A promessa do Messias, razão de toda a esperança, é oferecida num texto carregado de beleza (v. Is 11, 1-10).

• “Sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes”. É o primeiro grande anúncio do Salvador. O tronco de Jessé é David e o Messias prometido será da sua descendência. O senhor virá.

• “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento, de temor de Deus. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos”. Na força do Espírito todas as coisas se podem transformar e um mundo novo vai surgir.

• “O lobo viverá com o cordeiro, a pantera dormirá com o cabrito, o leão comerá feno com o boi, e o menino meterá a mão na toca da víbora”. Esta é uma descrição maravilhosa do tempo novo a surgir com a chegada do Messias, com a certeza de que ninguém vai praticar o mal, porque o Senhor estará sempre presente em tudo e em todos.

No mundo de hoje ninguém se deixa conduzir pelo Espírito, não se acolhe Jesus, o Messias de sempre. Daí resultam os egoísmos, que geram conflitos, os interesses que provocam violência, os orgulhos acumulados que destroem a paz: é urgente abrir o coração ao rebento de Jessé, a Jesus que vem para transformar a Terra.

2. O Povo de Israel atravessava tempos de dificuldade. O rei Acaz não acreditava ser possível a transformação do seu reino. Não tinha, porém, coragem de pedir a Deus um sinal de esperança. Isaías foi ao seu encontro com anúncio claro da vinda do Salvador: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel”. Os historiadores referem que esta virgem, uma donzela, seria a mulher de Acaz e que veio a ter um filho, razão de esperança para o rei. Este acontecimento, porém, adquiriu dimensão profética, porque a salvação deveria ser muito mais profunda, quando Deus enviasse ao mundo o seu próprio filho. (v. Is 7, 10-14).

• Uma virgem conceberá – é o anúncio de Maria, a mãe do Filho de Deus. Ela soube dizer sim ao projecto da redenção. Perante a proposta do Anjo Gabriel, soube discernir e acabou por dizer com toda a verdade: “eis a escrava do Senhor”, isto é, servirei o Senhor como Ele quiser. É um sim sem condições.

• E dará à luz um filho – é a certeza do nascimento de um Menino a quem será dado o nome de “Jesus”, isto é, aquele que vem salvar. A história de Jesus será depois a história da redenção da humanidade.

• O seu nome será Emanuel – é a afirmação clara de que a redenção e a salvação são dons de Deus, já que Emanuel quer dizer Deus connosco. O mistério do nascimento do Salvador, a que vulgarmente se chama Natal, outra coisa não é que um extraordinário gesto de amor de um Deus que ama tanto o mundo que lhe dá o seu Filho Unigénito (cf. Jo 3, 16).

Os cristãos de hoje assumem a sua responsabilidade perante os problemas do mundo. Se no tempo da promessa, Isaías anunciou um Emanuel, se no tempo da realização da promessa veio Jesus como Salvador, no tempo actual o cristão, intervindo na história, torna-se nova encarnação do Deus que salva, presença viva de Jesus que transforma o mundo. É missão dos cristãos tratarem da ordem temporal, para que esta glorifique o Criador e Redentor.

3. Todo o projecto exige uma execução em tempo. De que vale ter ideias maravilhosas se não se converterem na prática. A própria fé sem obras é morta. Neste tempo de Advento, Isaías continua a ensinar que há coisas concretas para fazer. O terceiro livro de Isaías começa mesmo por evocar a Deus, dizendo: “o Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e me enviou” (Is 61, 1). Esta palavra do profeta supõe uma intervenção clara na cidade dos homens. O Emanuel que vem, não quer que o ser humano se relacione apenas com Deus, quer que olhe o outro e o sirva com generosidade. (v. Is 61, 1-11). De facto, o Messias é enviado:

• Para dar a boa nova aos pobres, e boas notícias não são apenas as palavras de conforto, exige-se o conhecimento das dificuldades, a partilha de bens e uma presença continuada que se torna sacramento de salvação.

• Para curar os corações atribulados, o que supõe tempo para conversar, silêncio para reflectir, sorriso para dar esperança, apoio concreto naquilo que se revelou dificuldade maior.

• Para dar a liberdade aos prisioneiros e a redenção aos cativos, pois nada pior do que a perda da decisão nos momentos mais importantes da vida, uma vez que a liberdade é condição fundamental para a dignidade humana.

• Para promulgar o ano da graça do Senhor, uma vez que do Senhor só pode vir a capacidade de perdão, de reconciliação, de paz.

Jesus na sinagoga de Nazaré irá fazer seu este texto de Isaías, chamando os cristãos a serem eles no tempo presente anunciadores da Boa Nova, solidários com os pobres e oprimidos, capazes de acompanharem todos os que sofrem, instaurando um tempo novo, um tempo de reconciliação e de paz (cf Lc 4, 19 ss). Neste Advento os cristãos têm o dever de concretizar no seu espaço de vida, a família, o trabalho, o grupo social, esta exigência de acção que nos vem do profeta Isaías e que Jesus nos convida a viver.

4. Na comunidade paroquial do Campo Grande deixar-se conduzir por Isaías no tempo do Advento será deixar entrar Jesus Menino na vida de cada um e ser capaz de O fazer crescer nas actividades em que se está envolvido. Não se prepara o Natal sem provocar a vinda do Senhor, não Jesus de há 2000 anos, mas o Jesus de hoje que é o Jesus de sempre. Descubra cada um de nós, membros da comunidade paroquial, como vai provocar o nascimento do Menino Jesus.

Pe. Vitor Feytor Pinto - Prior

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