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A Liturgia da Palavra Dominical

por Zulmiro Sarmento, em 31.08.14

XXII DOMINGO TEMPO COMUM – VOCAÇÃO E RADICALIDADE

Às vezez tem-se a sensação que Deus pede demais. Parece aos que mais se dão nos caminhos da fé que mais é pedido. Multiplicam-se as dificuldades,  aparecem inúmeras provações, é-se confrontado com as mais diversas crises, acontecem doenças, insuficiências económicas, problemas na educação dos filhos, e chega a perguntar-se “que mal fiz eu, ó Deus, para ser tratado assim.” Teresa d’Ávila, a reformadora do Carmelo, ao referir os sofrimentos vividos por tantos dos melhores cristãos, exclamava, agora sei porque é que tens tão poucos amigos. Toda esta linguagem que humanamente se compreende, que tende a atribuir a Deus todas as coisas negativas que nos acontecem, não é porém, assim. A dor e o sofrimento estão colados à natureza humana. São o limite nascido da nossa imperfeição. O desafio está em saber pela nossa relação com Deus como suportar o sofrimento, vivê-lo e até ter capacidade para oferecê-lo. Aliás, Jesus, no mistério da crucifixão, foi o primeiro a oferecer o sofrimento pela redenção de toda a humanidade.

Ao ler o Evangelho da liturgia de hoje, compreende-se a radicalidade que é pedida a quem quer seguir Jesus Cristo até ao fim. No diálogo com os discípulos, Jesus é muito claro: se alguém quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” e acrescenta ainda, “quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la, mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.” E a terminar este projecto de radicalidade chega mesmo a dizer “que importa ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua vida”. A vocação do cristão parece fácil mas não poide ficar-se em comodismos estéreis. Pedro julgava testemunhar o seu amor a Jesus convidando-O a não subir a Jerusalém, mas Jesus pediu expressamente que ele se afastasse, porque a missão que recebera do Pai, deveria ser vivida até ao fim, até à crucifixão no Calvário. A radicalidade da vida de Jesus iria projectar-se no convite à radicalidade que Jesus fazia aos seus.

Pode perguntar-se, porém, se será possível uma entrega total da vida se ela não está cimentada num grande amor.  Sentiu isso já no Antigo Testamento Jeremias que diz na sua profecia, “vós me seduzistes; Senhor, e eu deixei-me seduzir; vós me dominastes e vencestes”. O profeta foi capaz de enorme sofrimento porque estava centrado num grande amor. É esta a atitude do cristão dominado pelo amor de Jesus ao segui-l’O pode viver a radicalidade em todas as expressões. É o pedido que Jesus faz aos seus discípulos que O amam e que Ele ama. S. Paulo oferece hoje uma síntese perfeita: “peço-vos irmãos, que pela misericórdia de Deus, vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa (…) para viverdes o que é bom, o que Lhe é agradável, o eu é perfeito” (Rm 12, 1-2).

 

Monsenhor Vítor Feytor Pinto (in Revista LiturgiaDiária, ed. Paulus)

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publicado às 16:09

Vaticano: Papa denuncia «pecados» contra unidade da Igreja

por Zulmiro Sarmento, em 31.08.14

 

(Lusa)(Lusa)

Francisco diz que bisbilhotice e maledicência são «sinal» do diabo

Cidade do Vaticano, 27 ago 2014 (Ecclesia) - O Papa Francisco denunciou hoje no Vaticano os “pecados” que afetam a unidade da Igreja, em cada comunidade católica, e afirmou que a bisbilhotice e maledicência são “sinal” do diabo.

“A divisão é um dos pecados mais graves numa comunidade cristã, porque a torna sinal, não da obra de Deus, mas da obra do diabo”, alertou, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro, perante dezenas de milhares de pessoas.

Segundo o Papa, o diabo é “aquele que separa, destrói as relações, semeia preconceitos”.

“Deus, pelo contrário, quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, perdoarmos e amarmos, para nos parecermos cada vez mais com Ele que é comunhão e amor”, acrescentou.

Francisco observou que os pecados contra a unidade não são só “as grandes heresias, os cismas” mas também as “falhas” presentes nas comunidades, que definiu como “pecados paroquiais”.

“Por vezes, as nossas paróquias, chamadas a ser lugar de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por invejas, ciúmes, antipatias”, lamentou.

Deixando de lado o discurso preparado, o Papa perguntou aos presentes se era “bom” haver “bisbilhotice” nas paróquias, por exemplo, quando alguém assume cargos de responsabilidade.

“Isto não é a Igreja, isto não se deve fazer. Não digo que corteis a língua, tanto não, mas pedir ao Senhor a graça de não o fazer. Isto é humano, mas não é cristão”, precisou.

Francisco sustentou que estes “pecados” acontecem quando as pessoas se colocam “em primeiro lugar” e no “centro”, com as suas ambições pessoais, julgando os outros.

O Papa falou ainda nas “divisões” que aconteceram na história da Igreja, com “guerras” entre cristãos, apelando à oração entre cristãos e a um “exame de consciência”.

A catequese insere-se num ciclo de conferências sobre a Igreja, “santa, por ser fundada por Jesus Cristo” e “composta por pecadores, que fazem todos os dias a experiência das suas próprias fragilidades e misérias”.

O Papa deixou depois saudações em várias línguas, incluindo aos peregrinos lusófonos: “O Senhor vos encha de alegria e ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste a vosso respeito. Rezai por mim. Não vos faltará a minha oração e a bênção de Deus”.

OC

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publicado às 16:08

Umas das figuras mais extraordinárias da Igreja pós Concílio Vaticano II

por Zulmiro Sarmento, em 26.08.14

A 26 de Agosto de 1978 foi eleito o Cardeal Albino Luciani, Patriarca de Veneza, que adoptaria o nome de João Paulo I.

Assinala-se hoje o 36º encerramento do conclave que durou apenas 26 horas e que elegia o sucessor de Paulo VI.

Abria-se um dos pontificados mais breves da história da Igreja: apenas 33 dias. João Paulo I viria a falecer no dia 28 de Setembro.

«Humilitas» foi o lema do Papa João Paulo I como Bispo. Humildade é, de facto, a vértebra dos homens verdadeiramente grandes, dos que abdicam de si para se entregarem a Deus e ao próximo.

O pontificado terá sido breve, mas a sua herança não deixará de ser longa. Todos nós, membros da Igreja, precisamos de muita humildade.

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publicado às 13:44

Ai as religiões como fonte de discórdia!...

por Zulmiro Sarmento, em 25.08.14

Miss Líbano e atriz: Jesus Cristo é a minha vida, sou cristã

"Eu respeito o islã e a fé em Deus, mas a minha religião é o cristianismo", afirmou Nadin

© Jarastv
Nadine Nassib Najim, atriz libanesa que foi Miss Líbano em 2004, surpreendeu todos com sua resposta a vários fãs no Twitter, em um tuíte no qual respondia se era muçulmana ou cristã. Ela escreveu como resposta: "A religião é a minha esperança! Cristo é a minha vida e minha única religião é o cristianismo. Respeito o islã".
 
A atriz denuncia que se sente pressionada por pessoas que querem que ela renuncie à sua religião e abrace o islã: "Eu gostaria de parassem de me perguntar se sou cristã ou muçulmana! Espero que todos orem por mim, para que Deus me guie. Mas não quero ser muçulmana, estou orgulhosa de ser cristã".
 
A jovem mulher, hoje com 30 anos, é modelo desde os 16 e atriz de seriados em seu país desde 2008. Já fez dois filmes e recebeu diversos prêmios pelo seu talento.
sources: Aleteia

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publicado às 12:30

Uma reflexão a partir do Domingo e da Liturgia Católica

por Zulmiro Sarmento, em 25.08.14

1. Nos últimos tempos, há um nome que infunde medo. Ébola é nome de vírus, é nome de ameaça. Os dados mais recentes indicam que, pelo menos, 2240 pessoas estão infectadas e 1229 pessoas já morreram.

Contudo, não é apenas este vírus que nos intimida. O Ébola afecta muitas pessoas. Mas há outros vírus que envenenam a convivência entre as pessoas. Tudo somado, a nossa vida está sempre em risco e a nossa convivência parece estar continuamente em causa.

Pensemos no vírus do pensamento único e da opinião dominante. Quase ninguém pesquisa, poucos questionam e praticamente todos repetem. De alguns vírus ainda nos apercebemos. Do vírus do pensamento único e da opinião dominante nem damos conta. Parece que nos anestesia, parece que nos traz conformados.

 

2. O que toda a gente diz continua a ser repetido como se de uma verdade se tratasse. O pensamento único é um pensamento preguiçoso e a opinião dominante é pouco diligente. Não se vai à raiz nem se investigam os métodos. Tudo se reproduz em cascata mesmo que se agrida a dignidade e se magoe a pessoa.

Acresce que a intriga não está longe deste ambiente: toda a gente gosta de saber o que toda a gente diz. E se a intriga não está longe, a difamação ou a calúnia costumam também andar por perto. Só a justiça parece ausente. Não falta, com efeito, quem fale mal de quem faz bem e quem fale bem de quem faz mal.

 

3. Ninguém está a salvo de uma insinuação, de uma calúnia. O senso comum, às vezes, aparenta funcionar como que por inércia, por inconfessáveis mecanismos de empatia e rejeição. A uns tudo é permitido, a outros nada parece ser tolerado.

No tribunal da opinião pública, uns são idolatrados e outros imolados. Uns são idolatrados mesmo que acumulem culpas. E outros são imolados, ainda que carreguem virtudes.

 

4. Eis o que, no fundo, acontece a todos ou a quase todos. E eis o que também aconteceu a Jesus. Até Ele, que era a verdade (cf. Jo 14, 6), foi alvejado pela mentira. Até Ele, que passou a vida a fazer o bem (cf. Act 10, 38), foi assediado pelo mal e perseguido pela maldade.

Nem Ele escapou à intriga, à difamação e à calúnia. De facto, não faltou sequer quem Lhe chamasse «impostor» (cf. Mt 27, 63) e quem dissesse que estava possuído pelo «príncipe dos demónios» (cf. Mt 12, 25).

 

5. Como verificámos neste pedaço do Evangelho, o que se dizia sobre Jesus não correspondia ao que Jesus efectivamente era. Jesus sonda os Seus discípulos precisamente acerca do que sobre Ele se dizia. Tantas seriam certamente as perguntas sobre Jesus; tantas deveriam ser as respostas sobre Jesus.

As perguntas indiciam uma vontade de procura e as respostas apontam possíveis vias de encontro. Mas à legítima curiosidade da pergunta parece suceder uma repetida insatisfação nas respostas. Era como se a resposta terminasse não com um ponto final, mas com um novo ponto de interrogação.

A sondagem de Jesus não era para que eles O clarificassem, mas para que Ele os esclarecesse. Jesus pretendia que, mais tarde, os Seus discípulos anunciassem a verdade sobre Ele e não vagas impressões acerca d’Ele.

 

6. Já no tempo de Jesus, a maioria não estava na verdade e a verdade não estava com a maioria. A opinião maioritária achava que Jesus era mais um profeta. Para uns seria João Baptista, para outros Elias, para outros Jeremias ou algum dos profetas (cf Mt 16, 14).

No entanto, não basta saber o que os outros dizem. É preciso testemunhar o que nós mesmos acreditamos. É então que Pedro avança: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo»(Mt 16, 16). Só que, como ressalva Jesus, o que sai da boca de Pedro não vem de Pedro. Pedro ainda não estava em condições de saber tudo sobre Jesus. Pedro foi, por isso, o eco da voz, o eco humano da divina voz.

 

7. Não há felicidade maior: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim Meu Pai que está nos Céus»(Mt 16, 17).

Só Deus sabe quem é Jesus: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai»(Mt 11, 27). E, já agora, só Jesus sabe quem é Deus: «Ninguém conhece o Pai senão o Filho»(Mt 11, 27). Deus inspira em Pedro o conhecimento sobre Jesus.

Só na luz de Deus conhecemos quem é Jesus. E só na luz de Deus encontramos a luz (cf. Sal 35, 10) para saber quem é Pedro. Jesus apresenta Pedro como pedra e apresenta-Se a Si mesmo como aPedra que sustenta Pedro.

 

8. Note-se que, no Antigo Testamento, «rocha», «rochedo» ou «pedra firme» fazem parte de uma terminologia usada, por 33 vezes, para falar de Deus e da solidez do Seu amor. O Salmo 18 (v. 3) exclama que «o Senhor é a minha Rocha e a minha fortaleza». No Novo Testamento, só Jesus e Pedro é que recebem o qualificativo de «pedra». Todavia, Pedro recebe-o não por causa de si — até porque ele é muito vacilante — mas por causa de Jesus.

Sem Jesus, Pedro é uma pedra pouco útil e pode ser até uma pedra perigosa. Sem Jesus, Pedro é uma pedra de tropeço, uma pedra de atropelo. Sem Jesus, Pedro é uma pedra que não serve para construir. Só na pedra que é Jesus é que Pedro é uma pedra forte, uma pedra que fortalece.

Sem Jesus, Pedro não vale nada. Tem de ser Jesus a segurá-lo quando ele começa a afundar-se após duvidar (cf Mt 14, 31). E tem de ser Jesus a reabilitá-lo depois de ele O ter negado (cf. Lc 22, 62). Ao negar Jesus, Pedro nega-se a si mesmo como discípulo de Jesus.

 

9. A importância de Pedro vem de Jesus. A nossa ligação a Pedro é, afinal, uma ligação a Jesus presente em Pedro. Pedro é de Jesus, tal como toda a Igreja é de Jesus. Daí o possessivo «Minha Igreja»(Mt 16, 18), que poderia ser precedido ou sucedido pelo possessivo «Meu Pedro».

Pedro só está seguro na Pedra que é Jesus. Aliás, o próprio Pedro o reconhece, quando diz que Jesus é a «pedra rejeitada pelos construtores» e que, não obstante, se tornou «pedra angular»(Act 4, 11).

Como assinala D. António Couto, «quem constrói a Igreja é Jesus». Ele é a Pedra que dá segurança à construção. «Cefas» também significa rochedo, mas rochedo esburacado. Só Jesus é rocha firme para toda a Igreja e, portanto, também para Pedro.

 

11. Deste modo, até o inseguro Pedro se torna referência segura para chegar a Cristo. É Cristo que dá segurança a Pedro. É Cristo que nos dá segurança em Pedro. Pedro é o primeiro depois do último. Pedro é testemunha do definitivo de Deus no mundo. A missão de Pedro é acolher e conduzir os que querem entrar na construção do Reino de Deus. Sim, Pedro é o primeiro, o primeiro servidor. Ele não é imitador de César, o imperador, mas seguidor de Jesus, o servo.

Ao longo dos tempos, Pedro já teve muitos nomes. Já teve o nome de João e de Paulo, de João Paulo e de Bento. Hoje tem o nome de Francisco. A missão de Pedro é a mesma: a missão das chaves, das «chaves do Reino dos Céus»(Mt 16, 19).

Ter as chaves é ter um saber e exercer um poder. Trata-se de saber qual o sentido de um texto e de poder abrir a porta de uma casa. Neste caso, trata-se sobretudo de um serviço: «Tudo o que ligares na terra ficará ligado nos Céus, tudo o que desligares na terra ficará desligado nos Céus»(Mt 16, 19).

Estamos, acima de tudo, perante o serviço do perdão. Cristo entrega a Pedro e, como se vê em Mt 18, 18, a toda a comunidade com Pedro a responsabilidade de perdoar. É uma responsabilidade que requer fidelidade. Chebna não foi fiel e Deus afastou-o, confiando a Eliacim a chave da Casa de David (cf. Is 22, 19-20).

 

12. Não só naquele tempo, mas também no nosso tempo, a pedra e as chaves continuam a ser instrumentos necessários. Não só naquele tempo, mas também no nosso tempo, há construções que são pouco sólidas. Não só naquele tempo, mas também no nosso tempo, há portas que continuam fechadas. Precisamos de pedras sólidas e necessitamos de chaves eficientes. Cristo é a pedra que torna seguro o que está vacilante e a chave que abre o que está fechado. N’Ele, tudo está firme. Com Ele tudo se abre.

 

13. O cristão, para ser fiel, tem de ser «cristodependente». Só Cristo nos atrai a «riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus», de que nos fala S. Paulo (cf. Rom 11, 33). Só Cristo é vacina contra os vírus dos equívocos trazidos por julgamentos apressados e condenações infundadas.

Cristo é pedra segura, é pedra que nos segura. Mesmo que vacilemos, Ele não nos deixará cair. E se chegarmos a cair, Ele ajudar-nos-á a levantar. As Suas mãos são a nossa salvação!

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publicado às 11:46

A Liturgia da Palavra Dominical

por Zulmiro Sarmento, em 23.08.14

XXI DOMINGO TEMPO COMUM – FIDELIDADE À MISSÃO

 O Papa Francisco, na Evangelium Gaudium, afirma insistentemente que a missão é de todos e para todos. São todos os cristãos e não apenas os bispos e os sacerdotes que têm o dever de evangelizar. Mas, o anúncio do Evangelho dirige-se a todos os homens, qualquer que seja a sua fé, o seu trabalho humano, a sua posição cultural e social. Cada cristão, porém, tem o dever de conhecer bem a missão que lhe é confiada no Baptismo e como deve exercê-la ao longo de toda a sua vida. Evangeliza-se pelo testemunho, pelo estilo de vida, pela relação com os outros. Há, porém, que ser digno da vocação a que cada um foi chamado, para poder ser fiel às tarefas que a cada um são confiadas.

Os textos da liturgia de hoje fazem apelo a esta fidelidade. Porque Chebna, administrador do palácio, não era fiel, foi substituído por Eliacim. O novo administrador tem as funções definidas, acompanhar os habitantes de Jerusalém e da casa de Judá, ter as chaves da casa de David e provocar em todas as circunstâncias a glória de Deus. se é assim, em Isaías, em termos do Antigo Testamento, também no Novo Testamento a Pedro é confiada uma missão: “Tu és Pedro, sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” E Jesus acrescenta ainda: “dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus, tudo o que ligares na terra será também ligado nos céus” (Mt 16, 18?). Pedro é chamado a ser fiel ao projecto do reino que Jesus vem instaurar. Nem sempre conseguirá manter esta fidelidade em toda a sua exigência. Mas pelo arrependimento, levará até ao fim a sua missão. Jesus chegou a dizer-lho expressamente: “Tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22?).

Para poder ser fiel a Jesus Cristo é preciso conhecê-l’O. Foi por isso que Jesus perguntou aos discípulos, quem diziam os homens que Ele era. A resposta reflectiu o pensamento do povo que considerava Jesus como Elias, João Baptista ou outro profeta. Jesus quis depois conhecer o que pensavam os seus discípulos e foi Pedro que se adiantou para fazer profissão de fé, dizendo: Tu és o Cristo, Filho de Deus. Mas não foi nem a inteligência, nem a sensibilidade de Pedro que o levaram a falar assim. A fé de Pedro era já um dom de Deus, a prepará-lo para a missão a realizar. Ao discípulo restava apenas ser fiel até ao fim para corresponder ao mandato que lhe era confiado. Pedro foi depois fiel até dar a vida por Jesus Cristo.

“Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus. Como são insondáveis os seus designios e incompreensíveis os seus caminhos.” S. Paulo tem razão ao falar assim das escolhas de Deus. Ele, o Senhor, compraz-se em escolher os “infirmamundi”, isto é, os que não prestam, para depois com o seu constante apoio os ajudar a ser fieis ao mandato que receberam. Cada cristão, desde o Baptismo tem uma missão a cumprir; é essencial ser-lhe fiel.

 

Monsenhor Vítor Feytor Pinto (in Revista LiturgiaDiária, ed. Paulus

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publicado às 22:46

UM EXEMPLO PARA NÓS

por Zulmiro Sarmento, em 20.08.14

Coisa rara nunca vista no país dos contrastes

Na Coreia do Sul aumenta o desenvolvimento e a riqueza. Mas também cresce o número de conversões e aumenta a fé católica, uma realidade impressionante, com cerca de 100 mil baptizados por ano.
18-08-2014 18:52 por Aura Miguel
Nos países onde há dinheiro, bem-estar, avanço tecnológico e consumo, a fé cristã está em queda. Já para não falar na Europa, onde nem todos são assim tão ricos, mas cujos católicos, em geral, têm mais que fazer do que ir à missa. 

Ora, na Coreia do Sul passa-se exactamente o contrário: quanto mais cresce o país - em desenvolvimento e riqueza - mais cresce o número de conversões e aumenta a fé católica, uma realidade impressionante, com cerca de 100 mil baptizados por ano (entre crianças, jovens e adultos). 

Coisa rara e nunca vista em tempos pós-modernos. E porquê? Os bispos coreanos dizem que a “culpa” é dos milhares de mártires que, há pouco mais de 200 anos, morreram por amor a Cristo. E que agora o seu sangue derramado faz germinar novos cristãos. 

O Papa ficou impressionado com o que viu. Não só pelas multidões que participaram nas missas que celebrou, mas pelo facto de os fiéis estarem ali de alma e coração, sem perder pitada. 

Esta postura dos católicos coreanos remete para dois momentos da visita que provocam a lógica do mundo. 

Primeiro, Francisco beatificou 124 mártires e apontou-os como modelo. O quê? Mártir como modelo nos dias de hoje? Porque não disfarçar a fé e safar-se? Ou talvez condescender com os que estão contra e encontrar um meio-termo, para ficar bem visto na sociedade...? 

Segundo, Francisco visitou, sem pressa, uma casa de acolhimento para crianças gravemente doentes, com profundas deformações e deficiências, muitas delas incapazes de comunicar. Crianças abandonadas pelos pais e pela sociedade coreana que raramente adopta meninos com problemas. 

Então o Papa não tem tanta coisa para fazer? Em tão poucos dias na Coreia e uma agenda tão intensa, logo vai gastar o tempo a saudar cada uma destas crianças e carinhosamente? Podia só entrar, dar a bênção e sair. (Sabe-se lá se elas percebem). 

Uma vez mais a lógica do mundo passa ao lado deste fenómeno. A resposta, no entanto, é bem simples e atractiva, tendo sido claramente testemunhada nestes dias pelo Papa e pelos católicos coreanos. Cristo é o amor mais importante da vida.

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publicado às 16:55

TEMPOS EM QUE TEMPO HAVIA

por Zulmiro Sarmento, em 19.08.14

1. É com indisfarçável melancolia que nós, os mais adiantados em idade, recordamos as chamadasférias grandes.

Perdido nas memórias mas alojado na alma, este era um tempo em que tempo havia.

 

2. Era o tempo em que o tempo sobrava, em que o tempo parecia nunca faltar.

Era o tempo em que o tempo não nos tinha. Nós é que tínhamos tempo. Para tudo. Ou quase tudo.

 

3. Era um tempo em que não se pensava em viagens. O dinheiro escasseava e as oportunidades não abundavam.

A preocupação não era ocupar o tempo. Era sobretudo sentir o tempo. Saborear o tempo. Digerir o tempo.

 

4. Nas férias, o tempo parecia desistir de passar. Dir-se-ia que também repousava.

Não voava, como hoje. Dávamos conta de cada segundo. Os minutos eram tão mastigados que até pareciam esticar as horas.

 

5. Era o tempo em que se sentia não apenas a chuva e o vento, mas até a mais leve brisa se fazia ouvir.

Alguma coisa se fazia, é certo. Nas aldeias, andávamos pelos campos. Ajudávamos os pais na apanha da batata e na colheita da fruta. As noites, longas e tórridas, eram ocupadas com diálogos tecidos de memórias e regados com amizade.

 

6. E quando nada mais havia para fazer, lia-se, via-se e olhava-se: a paisagem, o horizonte, a serra, tudo e nada, o céu e o infinito.

Dirão alguns que seria um tempo aborrecido. E que mal há nisso? Não será saudável haver também um tempo para nos aborrecermos? Não deverá haver também um lugar para o tédio?

 

7. Eu sei que, para as novas gerações, isto parece surreal. Três eram os meses que passávamos praticamente no mesmo lugar, a conviver com as mesmas pessoas. Como era possível?

Não havia internet e poucos eram os que possuíam telefone. A chegada do carteiro era o maior sinal de notícias de alguém distante…

 

8. Coisas de um passado que não volta. Não voltará? De facto, Óscar Wilde dizia que «o principal encanto do passado é que já passou».

Só que há elementos que, por muito que nos custem, podem alterar o figurino da vida que, actualmente, levamos.

 

9. Jeff Rubin deixa-nos uma curiosa descrição do que pode ser a nossa existência a breve prazo. Basta que pensemos, por exemplo, no fim do petróleo.

Será que já imaginamos um mundo onde esta fonte de energia escasseie? Não é preciso puxar muito pela imaginação. Desde logo, as viagens ficarão muito mais caras. E, se o petróleo se esgotar completamente, algumas viagens poderão mesmo tornar-se impossíveis.

 

10. A economia local e a importância dos vizinhos voltarão a adquirir uma nova centralidade.

Segundo Jeff Rubin, «em breve, os nossos alimentos virão de um campo muito mais perto de casa e as coisas que compramos provavelmente virão de uma fábrica ao fundo da estrada». É certo que as previsões têm um problema. Às vezes — muitas vezes? — erram. Para Jeff Rubin, «o futuro será muito parecido com o passado». Será?

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publicado às 15:45

Interessante ler

por Zulmiro Sarmento, em 18.08.14

Livros de Férias

O que existe depois da vida?
Para onde vamos quando morremos?
Existe realmente um "Além"?

 Em Crónicas do Céu, Sol Blanco Soler responde a estas e a muitas outras perguntas. É um livro cheio de testemunhos do outro lado, que demonstram que morrer é simplesmente outra forma de viver. Uma viagem que todos faremos, sem malas, nem bilhetes de volta, em que tudo começa para sempre. 
Depois de muitos anos de investigação sobre aquilo que nos espera no "além", a autora procura demonstrar que, depois de morrer, tudo ainda é possível, que a morte não é mais do que uma porta que se abre - a passagem de uma realidade tridimensional a uma realidade pluridimensional onde a vida continua. 
O livro conta numerosos testemunhos, investigados, e analisados rigorosamente, e que nos mostram que devemos aprender tudo o que pudermos sobre essa "vida do além" enquanto ainda estivermos cá, uma vez que a única luz que vamos ter quando passarmos para o outro lado é o conhecimento que aqui tivermos adquirido. (aqui)

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publicado às 14:11

HOJE, O BLOGUE PORTO NOVO, REINICIA A SUA ACTIVIDADE. PARA OS LEITORES DE SEMPRE.

por Zulmiro Sarmento, em 17.08.14

O blogue www.paroquiabandeiras.blogspot.com, terminou. Volto ao inicial.

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publicado às 13:26


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