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Carta de Einstein a uma criança

por Zulmiro Sarmento, em 30.09.11

FREI BENTO DOMINGUES, OP

 

 

Jornal PÚBLICO, Lisboa, 26 de junho de 2011

 

1. Ao preparar uma intervenção para o Painel Ciência/Filosofia/Teologia: Que diálogo?, realizado na Covilhã, deparei com uma carta de Einstein (1879-1955), referida por Helen Dukas, a uma criança que lhe perguntara se os cientistas também rezavam. Já não me lembrava desse texto que passo a transcrever: “Respondo à tua pergunta do modo mais simples. Esta é a minha resposta. A pesquisa científica baseia-se sobre a ideia de que cada coisa que acontece é regulada pelas leis da natureza e isto vale, também, para as acções das pessoas. Por esta razão, um cientista será dificilmente inclinado a crer que um evento possa ser influenciado pela oração, por exemplo, por uma aspiração endereçada a um Ser supra-natural. Todavia, deve admitir-se que o nosso actual conhecimento destas leis é, apenas, imperfeito e fragmentário, assim sendo, realmente, a crença na existência de leis fundamentais e omnicompreensivas na natureza permanece, ela própria, como uma espécie de fé. Mas esta última é largamente justificada pelo sucesso da investigação científica. No entanto, de um outro ponto de vista, quem quer que esteja seriamente empenhado na pesquisa científica convence-se de que há muito espírito que se manifesta nas leis do Universo. Um espírito muito superior ao do homem, um espírito perante o qual, com as nossas modestas possibilidades, apenas podemos experimentar um sentido de humildade. Deste modo, a investigação científica conduz a um sentimento religioso de tipo especial que é, na verdade, bastante diferente da religiosidade de alguém mais ingénuo”.

As atitudes e declarações de Einstein perante a religião e as religiões, perante a afirmação ou a negação de Deus, já foram objecto de muitos estudos que não vou discutir aqui.

Nunca aceitou que lhe chamassem ateu. Se, umas vezes, confessava que o seu Deus era o de Espinosa, outras, mostrava a diferença entre eles. As expressões, “Deus não joga aos dados”, “não põe as suas coisas em praça pública”, “é subtil, mas não é malicioso”, serviam para afastar concepções antropomórficas, uma espécie, não confessada, de “teologia negativa”.

Nada há, na carta de Einstein, da arrogância do “cientismo”, dessa convicção de que a ciência acabará por explicar tudo e eliminará qualquer atitude religiosa. O “Universo inundado de inteligência” é demasiado vasto e complexo para ser abordado só pela investigação científica. Einstein não conhecia, apenas, a linguagem da ciência, era também um intérprete da linguagem de Mozart.

Segundo Novallis, a oração é na religião o que o pensamento é na filosofia. Não é uma ingeniudade. É a atitude humilde de quem acolhe e agradece, de quem confessa que não é a origem de todo o bem. Rezar é sair do egocentrismo e manter-se na luz do amor: “diz-me como rezas e dir-te-ei quem és”.

2. Importa, como diz o conhecido biólogo, Francisco J. Ayala, não confundir os caminhos da ciência e da religião: “a ciência procura descobrir e explicar os processos da natureza: o movimento dos planetas, a composição da matéria e do espaço, a origem e a função dos organismos. A religião trata do significado e propósito do universo e da vida, das relações apropriadas entre os humanos e o seu criador, dos valores morais que inspiram e guiam a vida humana. A ciência não tem nada a dizer sobre essas matérias, nem é assunto da religião oferecer explicações científicas para os fenómenos naturais. (…) O Deus da revelação e da fé cristã é um Deus de amor, misericórdia e sabedoria”.

Para este biólogo, “a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural de Darwin”.

3. Sendo assim, valerá a pena perguntar: Ciência/Filosofia/Teologia: Que diálogo? Já existe uma vasta bibliografia sobre essa questão. Muitos preconceitos e confusões podem ser desfeitas no confronto de praticantes destas diferentes disciplinas. Estamos num mundo marcado pelas ciências sem que as interrogações filosóficas tenham perdido toda a pertinência e sem que a teologia possa ser eliminada do interior da experiência religiosa. A dificuldade desse confronto é a abstracção, pois, a ciência, a filosofia e a teologia conjugam-se no plural, o que não é indiferente para um diálogo. Por outro lado, a selecção destas três formas de conhecimento deixa de fora o mundo da vida, das expressões simbólicas, da estética e da ética, intrínseco à religião e não só.

Se não desejamos que uma sociedade viva polarizada, apenas, pelo confronto político-partidário, é importante desenvolver encontros e debates acerca da maneira como cientistas,  filósofos, teólogos, artistas são configurados,não só pelas suas especialidades, mas também pelas especialidades dos outros.

Ao reconhecerem a aliança entre a transcendência de Deus e a dignidade humana, os teólogos marcados pelas diferentes linguagens das ciências, da beleza e da ética, não poderão consentir na idolatria dos poderes da economia, da finança, da política, da religião, da técnica. Aliás, a experiência cristã situa-se no pressuposto da abertura do céu à terra, da terra ao céu e dos grupos humanos entre si, a nível local e global. Foi esta a experiência espiritual de Jesus Cristo e da Igreja do Pentecostes. Esta é, também, a nossa tarefa.

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publicado às 11:55

Eu... Ele

por Zulmiro Sarmento, em 28.09.11

EU E CRISTO JESUS:
Eu, o peregrino, Jesus, o Caminho!
Eu, a pergunta. Jesus, a Resposta!
Eu, a sede. Jesus, a Fonte!
Eu, tão fraco. Jesus, a Força!
Eu, as trevas. Jesus, a Luz!
Eu, o pecado. Jesus, o Perdão!
Eu, a luta. Jesus, a Vitória!
Eu, o inverno. Jesus, o Sol!
Eu, o doente. Jesus, o Milagre.
Eu, o grão de trigo. Jesus, o Pão!
Eu, a procura. Jesus, o Endereço!
Meu passado e meu presente em Suas Mãos!
Meu futuro: todo dele!
Eu, no tempo. Cristo Jesus, a Eternidade!

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publicado às 01:12

Felizes...

por Zulmiro Sarmento, em 26.09.11

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publicado às 04:49

Tema do 26º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 25.09.11

 

 

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer "sim" a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O "sim" que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que "dá boa impressão", que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos.

Padres dehonianos

Agência Ecclesia

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publicado às 04:43

Nota Pastoral na Semana Nacional da Educação Cristã

por Zulmiro Sarmento, em 23.09.11

 

Família, transmissão e educação da fé

“A família é a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade… A família é a primeira, mas não a única e exclusiva comunidade educativa” (João Paulo II, FC ns 36 e 40).

“A família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e de onde o Evangelho irradia… Os pais não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido” (Paulo VI, EN n.71).

 

1. O que entre nós era uma realidade há umas dezenas de anos, tornou-se hoje uma preocupação, muitas vezes sem grande eco nas pessoas mais responsáveis, dado o seu papel de interventores necessários num processo importante da vida. Trata-se da missão da família cristã no processo educativo dos filhos e na transmissão e educação da fé, assumida como dever e encargo. Trata-se, ainda, de a família assumir o seu lugar, como espaço de valores morais, de oração, reconciliação, abertura a projetos de vida e a compromissos apostólicos.

A sociedade mudou e, nela, o processo de mudança continua imparável. A família, parte viva da sociedade, também mudou, e a mudança afeta o relacionamento dos seus membros, a compreensão das suas tarefas, a ocupação e o trabalho fora de casa, a disponibilidade de tempo e de vontade para os serviços normais do seu dia a dia, o embate com leis civis que não a respeitam, antes a agridem, a dificuldade de reagir, de modo ativo e em rede organizada com outras famílias, à invasão opressora de ideias e de comportamentos que lhes são alheios. Sem deixarem de influir em todos, as mudanças tocam, de modo especial, os mais novos.

Deste modo, a família tem mais dificuldade em se encontrar como família, e, também, como família cristã, diminuindo, sempre mais, a sua capacidade para responder aos novos desafios que se lhe põem e para realizar as suas tarefas fundamentais. Se este processo não for contrariado, a família vai-se tornando, pouco a pouco, uma instituição frágil, desagregada e socialmente irrelevante.

2. A Igreja acredita no desígnio de Deus sobre a família, sabe o significado e o alcance do sacramento do Matrimónio, conhece e defende a importância da família em ordem à vida dos seus membros, o seu papel na sociedade e a sua missão na Igreja, considerando a instituição familiar como célula fundamental da sociedade, e a família cristã como uma “Igreja doméstica”. Em virtude desta fé e desta convicção, no contexto social e cultural atual, a Igreja olha a família com amor e atenção, luta pela sua defesa, empenha-se na reconstrução da sua identidade e verdade, ajuda-a a realizar, por meios diversos, as suas tarefas essenciais.

Uma destas tarefas da família, de importância decisiva para a sociedade e para a Igreja, é o dever irrenunciável dos pais da educação dos seus filhos em todos os aspetos e da transmissão da fé, não só no seu espaço próprio, mas até onde se pode estender a sua capacidade de intervenção.

 A tarefa educativa, nos aspetos fundamentais, a família nunca a realizou sozinha. Por isso, não pode estar ausente onde ela se processa, seja nos espaços normais do lar, na escola e na comunidade cristã. Aí se deve sentir a sua colaboração efetiva, dada e aceite, com os muitos intermediários indispensáveis, professores e demais educadores de todos os níveis.

3. A educação da fé, iniciada no seio da família cristã, como abertura a Deus e primeira aprendizagem de palavras e gestos religiosos significativos, é continuada, depois, nos outros espaços de vida da criança que vai crescendo: o jardim de infância, a catequese paroquial, a escola dos diversos ciclos. Para muitas crianças, adolescentes e jovens, também se faz nos movimentos e grupos apostólicos de sentido eclesial. Aí se transmitem valores morais para a vida, se proporciona ocasião para o aprofundamento da fé, a abertura ao apostolado, a opção vocacional e o serviço aos outros, dimensão normal e indispensável da vida cristã.

4. Nesta Semana Nacional de Educação Cristã, queremos sublinhar a importância da ligação entre família e educação da fé. Sabemos que muitos pais continuam, neste campo, atentos e colaborantes, conscientes do seu dever de educadores principais dos seus filhos. Queremos apoiá-los e dizer-lhes quanto nos alegra este seu empenhamento, pedindo-lhes que não desistam nunca e que ajudem outros pais a agir de igual modo.

Não deixamos, porém, de estar atentos às famílias que continuam a dizer-se cristãs, mas que, conservando uma expressão religiosa tradicional, deixaram empobrecer a sua ligação a Deus e à Igreja, uma atitude que, em alguns a aspetos, acaba por atingir os seus filhos. Chegam agora à catequese crianças sem qualquer iniciação cristã, e sentem-se, a partir daí, omissões em ordem ao seu acompanhamento e ao cuidado da sua formação moral e religiosa nas escolas. Catequese na paróquia e aula de Educação Moral e Religiosa nas escolas são atos complementares, que não se substituem um ao outro. Não esquecemos que o dia a dia de muitas famílias é hoje complexo e difícil, por razão dos horários de trabalho e do trabalho longe de casa que proporcionam pouco tempo com os filhos, das exigências materiais, indispensáveis para ir ao encontro das necessidades familiares. Uma ordenação das prioridades, o aproveitamento dos fins de semana para a família, o recurso a outros membros da família, como os avós quando estão por perto, podem ajudar na educação e transmissão da fé. Os filhos que frequentam a catequese e as aulas de educação moral e religiosa podem ser também uma ocasião para que os pais reatem a vida cristã e se integrem na vida da Igreja.

5. O programa da catequese paroquial, ao longo de dez anos, e o do ensino religioso nas escolas ao longo de doze anos, precedidos ambos do despertar da fé no seio da família e no Jardim de Infância, não dispensam a participação possível dos pais no processo educativo, bem como a sua colaboração com os agentes diretos desta ação, catequistas, professores,  educadores e animadores. Vamos agora dar uma atenção especial à catequese familiar, com a preocupação de apoiarmos os pais e os filhos nesta tarefa. Se falarmos, mais concretamente, do Ensino Religioso nas Escolas, o contexto atual exige mútua colaboração entre pais e professores de Educação Moral e Religiosa e a própria escola. Torna-se, então, mais exigente a atenção a prestar ao processo das matrículas, ao desenvolver do projeto educativo, à qualidade dos valores que nele se transmitem ou não, bem como às iniciativas complementares promovidas na escola.

Os filhos são a maior riqueza dos pais e a educação é o meio indispensável para os ajudar a crescer e a prepararem-se para uma vida feliz, como protagonistas responsáveis e participativos. O dever da presença e do estímulo no tempo da formação humana e religiosa dos filhos, é, para os pais, uma expressão de fidelidade ao amor que os gerou e os educa.

6. É fundamental que as necessidades educativas e espirituais das famílias sejam consideradas nos projetos pastorais das comunidades cristãs e nos projetos educativos das escolas, concretamente na perseverança e criatividade colocadas no acolhimento, no acompanhamento e nas oportunidades de formação oferecidas aos pais e outros familiares.

Saudamos, com alegria, todas as famílias e todos quantos, nas escolas e nas paróquias, se dão por inteiro à causa da educação.

Desejamos que esta Semana Nacional de Educação Cristã constitua um estímulo e um contributo para as famílias cristãs e para as comunidades educativas, paróquia e escola, de modo a que a catequese e o ensino religioso, com a colaboração necessária dos pais, dos catequistas e dos professores de Educação Moral e Religiosa, constituam um contributo valioso na formação humana e cristã das crianças e dos jovens.

Lisboa, 15 de setembro de 2011

Comissão Episcopal da Educação Cristã

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publicado às 04:24

Ai, se eu fosse rico!

por Zulmiro Sarmento, em 21.09.11

Num suspiro quase incontido muitas pessoas tentam concretizar este desejo: ‘ser rico’ e com isso conseguirem viver (talvez) sem trabalhar, usufruindo de certas mordomias, gozar de outras regalias... numa espécie de preguiça militante e (até) malévola... quanto baste.

Para tentar atingir tal desejo uns jogam nos mais díspares concursos e jogos de fortuna/azar, outros tentam conseguir algum sortilégio ou mesmo herança, mas muito poucos anseiam serem ricos trabalhando honesta e lealmente.

1.Breve diagnóstico
Acabado o tempo de férias – mais ou menos oficial – do Verão terminado, teremos de enfrentar (quase irremediavelmente) uma vaga de manifestações dos promotores da contestação, seja sindical e político/partidária, seja dos setores mais ou menos atingidos pela contenção económico/financeira.
- Daqueles que contribuíram – pela falsidade dos números e das opções políticas – vemos uma espécie de assobiar para o lado, não se sentindo corresponsáveis pelo descalabro do país nem pela vergonha da Nação, que vive, agora, de mão estendida à pedinchice europeia... pagando todos nós os erros de alguns.
- Daqueles que sempre vivem, sobretudo, da miséria alheia, vemos uma razoável pretensão em serem paladinos duma salvação, quando afinal, o que eles desejam é esse ‘quanto pior melhor’, pois sobrevivem dalguma desgraça alheia em ordem a crescerem na sua maledicência, seja ela sindicalista, seja autárquica ou mesmo interesseira de projetos internacionalistas de sabor (já) esgotado... noutras paragens e ideologias.
- Daqueles que fogem quando as coisas correm mal – sem quase nunca responderem nem serem responsabilizados pelos erros ou pelas más opções que deixaram o país na miséria – espreitam, novamente, alguma oportunidade de voltarem ao lugar da projeção, da promoção e mesmo da nova rentabilização dos conhecimentos – há quem lhe chame lóbi – tidos e havidos no desempenho da função... dita social.
Sem pretendermos fomentar qualquer ‘caça à bruxas’, não será conveniente vivermos para sempre embuchados... na convicção de que vale tudo e ninguém assume as suas responsabilidades, tanto pessoais como grupais e político-partidárias!

2. Alguns desafios
Talvez tenha chegado o tempo de sermos (minimamente) sérios para levantarmos o nosso país na prossecução de um projeto nacional – sem tentarmos esconder um certo teor mais ou menos nacionalista – onde cada um sente as necessidades alheias como intenções pessoais e faz das debilidades próprias um alavancar de força para vencer com a ajuda dos outros... em sintonia, em concordância e como imperativo de consciência comunitária, que é mais do que coletiva ou bem intencionada... consumista.
- Daqueles que têm a força económica precisamos que ponham os seus bens ao serviço dos outros, sem medo de serem vilipendiados por esses que empregam... tanto nas horas de sucesso, como nos momentos de (indesejável) insucesso. Certos empregados precisam de ser educados e uns tantos empregadores manifestam, por seu lado, uma urgente necessidade de reciclagem em ordem ao bem comum, profissionalizando-se e tornando-se empresários, que é muito mais do que serem (meros) patrões!
- Daqueles que vivem na esfera sindical precisamos que tenham visão de futuro, tanto nas reivindicações como nas manifestações de contestação, pois, se o direito lhes assiste a exigirem, o bom-senso deverá nortear os objetivos atuais e, particularmente, os futuros. Estamos a ser escrutinados por quem nos empresta o dinheiro e não podemos deitar tudo a perder com pruridos de poderzinhos interesseiros!
- Daqueles que têm o dinheiro – mesmo sem ser, totalmente, esmiuçado pelos impostos – esperamos que sejam capazes de criar condições para investirem, atendendo às razões e não às meras emoções... espevitando a criatividade e não enrolando-se na mera incapacidade de serem compreendidos pelos (ditos) trabalhadores.

Afinal, pretender ‘ser rico’ exige bom-senso e discernimento, pois nem sempre aqueles a quem se dá a mão e, por vezes, o pão têm consciência do esforço para tal continuarem dele a usufruírem. Deus nos livre de certos ‘pobres’ virem a ser ricos... tudo e todos esmagariam com a sua prosápia e inconsciente ambição!

António Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)

Agência Ecclesia

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publicado às 12:20

Tema do 25º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 18.09.11

 

 

 

A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra. Sugere-nos, em consequência, a renúncia aos esquemas do mundo e a conversão aos esquemas de Deus.
A primeira leitura pede aos crentes que voltem para Deus. “Voltar para Deus” é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e acções reflictam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus.
O Evangelho diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, os créditos, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de um cristão (Paulo) que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto.

Padres Dehonianos

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publicado às 03:05

Tema do 24º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 11.09.11

 

A Palavra de Deus que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum nos propõe fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado.
O Evangelho fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.
A primeira leitura deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.
Na segunda leitura Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.

 

Padres Dehonianos

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publicado às 03:25

Os sapatos

por Zulmiro Sarmento, em 06.09.11

 

Uma grande empresa de calçado
desenvolveu um projecto de exportação de sapatos para a Índia. Por isso, enviou
dois dos seus técnicos para estudarem o mercado tendo em vista um bom negócio.

O primeiro, pessimista, depois
de alguns dias de observação, enviou para a empresa americana esta mensagem:

- Senhores, não vale a pena
exportar sapatos para este país. Aqui ninguém usa sapatos.

Sem saber desta informação do
colega, uns dias depois, o segundo técnico, optimista, enviou também uma
mensagem à empresa onde dizias:

- Senhores, tripliquem a
exportação de sapatos. Aqui na Índia ainda ninguém usa sapatos.

Na empresa americana
comentou-se como a mesma situação era para um obstáculo e para outra
oportunidade. E foi decidido avançar em força com o negócio na Índia.

 

Os tristes dizem que o vento
geme; os alegres dizem que ele conta. É tudo uma questão de ver com um olhar
positivo. O sucesso está geralmente do lado do optimista.

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publicado às 00:59

Trabalho e persistência

por Zulmiro Sarmento, em 05.09.11

 

Estava eu a olhar o velho
João, entretido a varrer as folhas secas do jardim. A área era grande, e o
velho esmerava-se em não deixar qualquer folha no chão.

- João, - disse-lhe eu
sorrindo – que maravilha seria se pudesses, só com um desejo, ver todas estas
folhas, de repente, empilhadas num monte!

- E eu posso fazer isso mesmo!
– disse o velho.

- Se pode, então vamos ver! –
desafiei.

- Folhas! Juntem-se todas! –
disse o velho, numa voz de comando. E lá continuou a limpar a relva, até que as
folhas ficaram juntas num só monte.

- Viste? – disse-me, sorrindo
– é este o melhor meio de vermos realizados os nossos desejos. Trabalhar,
persistentemente, para que aquilo que desejamos seja alcançado.

Este incidente calou-me no
espírito. Mais tarde, ao escutar a biografia dos cientistas e de todos aqueles
cujas obras nos parecem, por vezes, milagres deveras sobre-humanos, descobri
que adoptavam geralmente o sistema do velho jardineiro.

Todas as suas realizações
resultaram de que, estes homens, desejando fortemente chegar a certo objectivo,
nunca cessaram de lutar por alcançá-lo.

 

Horace Otis Ohio - EUA

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publicado às 00:57

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