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Tema do 18º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 31.07.11


A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
Na primeira leitura, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

 

Padres Dehonianos

ECCLESIA

 

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publicado às 03:58

Tema do 17º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 24.07.11


A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir nas nossas prioridades, nos valores sobre os quais fundamentamos a nossa existência. Sugere, especialmente, que o cristão deve construir a sua vida sobre os valores propostos por Jesus.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de Salomão, rei de Israel. Ele é o protótipo do homem "sábio", que consegue perceber e escolher o que é importante e que não se deixa seduzir e alienar por valores efémeros.
No Evangelho, recorrendo à linguagem das parábolas, Jesus recomenda aos seus seguidores que façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental. Todos os outros valores e interesses devem passar para segundo plano, face a esse "tesouro" supremo que é o Reino.
A segunda leitura convida-nos a seguir o caminho e a proposta de Jesus. Esse é o valor mais alto, que deve sobrepor-se a todos os outros valores e propostas.

 

Padres Dehonianos

ECCLESIA

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publicado às 03:07

Tema do 16º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 17.07.11


A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do “Reino”; e convida-nos, sobretudo, a interiorizar essa “lógica” de Deus, deixando que ela marque o olhar que lançamos sobre o mundo e sobre os homens.
A primeira leitura fala-nos de um Deus que, apesar da sua força e omnipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens – mesmo quando eles praticam o mal. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem “humanos”, isto é, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.
O Evangelho garante a presença irreversível no mundo do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens – bons e maus – encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.
A segunda leitura sublinha, doutra forma, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo – dom de Deus – vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

Padres Dehonianos

ECCLESIA

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publicado às 11:14

Amanhã pode ser tarde

por Zulmiro Sarmento, em 11.07.11

 

S. João Bosco grande educador da juventude afirmou: «Não basta amar os
jovens é necessário que eles se sintam amados». Isto vale também para os
adultos.

Não basta dizer que amamos todas as pessoas. É preciso
manifestar esse amor com atitudes concretas e sem esperar pelo dia de amanhã.

Recordo a história de dois irmãos. Naturalmente amavam-se um
ao outro, até porque eram ambos religiosos. Um dia, um deles foi atropelado ao
sair de casa e morreu. O outro, correu a debruçar-se sobre o seu corpo a chorar
e a lamentar-se: «Nunca te disse que te amava!»

Amanhã pode ser demasiado tarde para dizer a alguém que o
amamos, que estamos sempre disponíveis para lhe perdoar, que pode contar com as
nossas palavras de ânimo para recomeçar de novo.

Amanhã pode ser demasiado tarde para olhar para ele olhos nos
olhos com muito amor, para lhe sorrirmos, para lhe darmos um abraço de amizade,
para lhe apertarmos a mão, para lhe darmos uma flor.

Amanhã pode ser demasiado tarde para lhe darmos do nosso pão
e do nosso vinho, para o irmos visitar ao hospital ou à prisão, para lhe
escrevermos uma carta, lhe telefonarmos ou enviarmos uma mensagem.

Amanhã pode ser tarde para lhe perguntarmos qual a razão da
sua tristeza, para o escutarmos com toda a atenção como se apenas ele existisse
nesse momento, para lhe transmitirmos as nossas razões para a alegria.

Não basta amar as pessoas; é preciso que elas se sintam
amadas.

In Cavaleiro da Imaculada

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publicado às 18:48

Tema do 15º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 10.07.11

 



A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum convida-nos a tomar consciência da importância da Palavra de Deus e da centralidade que ela deve assumir na vida dos crentes.
A primeira leitura garante-nos que a Palavra de Deus é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. Ela dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. É sempre eficaz e produz sempre efeito, embora não actue sempre de acordo com os nossos interesses e critérios.
O Evangelho propõe-nos, em primeiro lugar, uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e exorta-nos a ser uma “boa terra”, disponível para escutar as propostas de Jesus, para as acolher e para deixar que elas dêem abundantes frutos na nossa vida de cada dia. Garante-nos também que o “Reino” proposto por Jesus será uma realidade imparável, onde se manifestará em todo o seu esplendor e fecundidade a vida de Deus.
A segunda leitura apresenta uma temática (a solidariedade entre o homem e o resto da criação) que, à primeira vista, não está relacionada com o tema deste domingo – a Palavra de Deus. Podemos, no entanto, dizer que a Palavra de Deus é que fornece os critérios para que o homem possa viver “segundo o Espírito” e para que ele possa construir o “novo céu e a nova terra” com que sonhamos.

Padres Dehonianos

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publicado às 01:27

O potencial educativo das férias

por Zulmiro Sarmento, em 09.07.11

Cristina Sá Carvalho, Secretariado Nacional da Educação Cristã

O facto de este ser um verão que se adivinha carregado pela tempestade do nosso descontentamento e preocupação não deve ser motivo para o desperdiçar, mesmo que seja necessário passá-lo em casa. As férias têm o maior potencial educativo e as famílias devem usufruí-las como um tempo de aprender a ser e de aprofundar a intimidade.

Todas as grandes mudanças nos processos educativos familiares, ou a preparação para as novas etapas escolares devem ficar guardados para as férias, quando os pais estão mais descontraídos e disponíveis, quer se trate de alterar a alimentação do bebé, tirar as fraldas, antecipar a entrada na escola, festejar o ingresso na universidade ou no mercado de trabalho. Tudo pode, e deve, ser vivido com esperança, com interesse, com sentido de festa pois não há nada de mais promissor para a pessoa, as famílias e a sociedade, do que bem orientar as crianças e os jovens para os ver crescer com saúde e motivação para aprender e assumir novas responsabilidades. Numa época de crise e dificuldade isso ainda tem um valor mais insubstituível. Não percamos, pois, por falta de empenho ou imaginação, essa oportunidade fantástica.

A crise de valores que acabaria por nos arrastar para a crise económica e social que, agora, vivemos, teve sempre como bandeira e promessa de grande liberdade e modernidade, o enfraquecimento da família e o esvaziamento da sua capacidade educativa. Mas, não se adivinha milagre que nos devolva o sossego e a estabilidade económica se não mudarmos a nossa maneira de ser e de agir. Parece este esforço mais exigente para as famílias com filhos pequenos, e é-o, sobretudo se não podem contar com a rede de apoio de uma família alargada. Sozinhos, estamos muito desprotegidos mas as férias são, também, uma oportunidade de descobrir que somos capazes de reinventar uma rede comunitária de solidariedade e comunhão e tudo pode começar no prédio, no lugar, no bairro, se os pais de várias famílias se unirem para viver umas boas férias com os seus filhos e, de caminho, quiserem aprender uma vida mais equilibrada e mais feliz.

Em primeiro lugar, é preciso algum bom senso e evitar alterar em demasia as rotinas e os horários das crianças: convém manter as refeições e as horas de ir para a cama e adicionar uma bela sesta, deixando aos pais algum tempo livre. Depois, é importante que esse tempo livre possa ser, pelo menos uma vez, integralmente oferecido aos pais, pelo que é fundamental que as famílias estejam dispostas a receber – um dia, uma noite – as crianças de outra família e proporcionar aos seus pais um tempo sossegado e de adultos, para passear, ir ao cinema, para não fazer nada…

Depois, as férias são importantes para aprender a comer melhor e a fazer exercício. No nosso país há sempre a praia, fluvial ou marítima, respeitando os horários do sol benigno, e em quase todas as cidades também há piscinas, equipamentos desportivos e bons jardins, para nadar, correr, jogar à bola, passear. E, como há mais tempo livre, também é a altura perfeita para abandonar os pequenos-
-almoços industriais e os lanches de plástico, descobrindo o prazer antigo do pão com manteiga, da marmelada, das sobremesas e gelados feitos em casa. Até a pizza e demais comida rápida podem ser recriadas em família, com a colaboração de todos, porque é relevante que as crianças e adolescentes aprendam a ser autónomos e a participar nas tarefas caseiras, como cozinhar, limpar e arrumar. Bem entendido, salvo para ver cinema, a televisão e o computador podem muito bem ser fechados durante o período das férias.

Também não há necessidade de passar os dias a ver montras, o que pode até ser deprimente: o ideal é que os pais se juntem com outros pais para fazer, em conjunto, a gestão da roupa e do material escolar que vai fazer falta no ano seguinte, partilhando e trocando entre si o que sobra a uns mas é indispensável para outros. Reciclar está na moda e é uma moda muito saudável! Depois, organizando passeios aos saldos, munidos de uma lista que vai ser respeitada e deixando os filhos em casa, aproveitam para comprar mais em conta aquilo que é indispensável.

Finalmente, nos dias mais frescos ou em intervalos mais calmos, há muitos programas gratuitos, ou quase, para pais e filhos: explorar o conteúdo das bibliotecas, fazer visitas a museus, assistir a concertos de rua ou nalgumas instituições, preparar espetáculos organizados pelos grupos de adolescentes, um serão mostrando os dotes dos avós, dos pais, das mães. Facilmente uma varanda grande, um pátio, até a garagem de um prédio, podem ser esvaziados da tralha e montados como um auditório para contar histórias, fazer música, passagens de modelos com materiais reciclados, até sessões privadas de cinema a acompanhar de pipocas caseiras.

Por fim, quando setembro espreitar, chega a vez de nos prepararmos para um novo ano escolar e pastoral, ano esse que deve ser vivido com alegria, com esperança, com vontade de trabalhar e de crescer. Em culturas em que se dá o maior valor à educação das crianças e dos adolescentes, as famílias juntam-se para celebrar a entrada na escola dos mais pequenos, a transição de ciclo dos mais velhos. É uma ocasião de reunião feliz mas muito séria, em que cada criança ou adolescente recebe o seu novo material como um bem precioso e estimável, um penhor do esforço que a família e a sociedade colocam na sua educação, um tesouro que deve traduzir em aprendizagem. Nessas famílias acredita-se que a educação – familiar, paroquial – é um bem incalculável, a única garantia inabalável de que vamos ter um futuro melhor. Pois aqui fica o desafio de se criarem novas tradições que saúdem o bem incomparável que é a aquisição de conhecimento e de atitudes generosas. Para as famílias crentes, as férias e o novo ano que começa também são uma boa altura para aprender a rezar em conjunto, sobretudo para agradecer o que se tem e oferecer o que nos sobra. Votos de umas boas e corajosas férias, tempo de preparar um ano favorável, embora ambos possam ser de tempos difíceis.

Cristina Sá Carvalho, Secretariado Nacional da Educação Cristã

ECCLESIA

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publicado às 03:39

Para ir fazendo contas à vida!

por Zulmiro Sarmento, em 08.07.11

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publicado às 13:04

Padre Anselmo Borges e a sua incursão nas festas...

por Zulmiro Sarmento, em 07.07.11

Várias vezes Natália Correia me desafiou para as festas do Divino Espírito Santo, nos Açores - ela era espírito-santista. Então, não foi possível. Mas este ano aconteceu.

É capaz de ser a festa mais humanista do mundo. Ah!, aquela coisa dos "impérios"! Chegue quem chegar, senta-se e come e bebe fartamente, sem que alguém lhe pergunte quem é, donde é, o que faz. De graça. No "império" a que me acolhi, lá estava o espírito: "A hora de repartir/Que a gente tanto gosta./Pão, carne, massa e vinho/Temos sempre a mesa posta." Ali, foram servidas mais de 600 "sopas" (um ensopado de carne excelente).

Se formos à procura da origem destas festas, encontraremos um monge célebre do século XII, Joaquim de Fiore, que deu o joaquimismo. Segundo ele, a História do mundo está dividida em três Idades: a Idade do Pai ou da Lei, que é a idade da servidão e do medo; a Idade do Filho, que é a idade da submissão filial; a Idade do Espírito Santo, na qual se ia entrar, e que é a idade do Amor, da Liberdade e da Fraternidade.

Houve sempre, ao longo da história da Igreja, um conflito entre os que acentuam o lado visível, institucional, hierárquico, e os que sobrepõem à Igreja visível uma Igreja espiritual, carismática, fraterna. O joaquimismo constituía uma mensagem revolucionária de contestação de uma Igreja pecaminosamente mundana; os franciscanos "espirituais" - fraticelli (irmãozinhos) -, desgostados com os Papas que abafavam o Espírito, aderiram à inspiração carismática, espírito-santista do joaquimismo.

Em 1282, D. Dinis casa com D. Isabel de Aragão, a futura Rainha Santa. O casamento realizou-se em Trancoso, que, significativamente, havia de ser a terra do sapateiro Bandarra, profeta do Quinto Império, tão querido do Padre António Vieira e Fernando Pessoa. Toda a família da nova rainha de Portugal era partidária dos frades espirituais, e a própria rainha possuía um conceito franciscano da vida: simplicidade, desapego dos bens terrenos, amor aos pobres e fracos. Santa Isabel protegia os franciscanos, e foi por seu intermédio que entrou um culto especial ao Espírito Santo. Fundaram-se confrarias do Espírito Santo, irmandades de socorro mútuo, e instauraram-se as Festas do Império do Espírito Santo, nas quais se celebrava o Pentecostes, comemorando a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos.

A principal cerimónia desse culto, durante a semana do Pentecostes, realizada por um franciscano, constava da coroação com três coroas, uma imperial e duas reais, do Imperador e dois Reis, geralmente na pessoa de uma criança e dois homens do povo pertencentes à Confraria do Espírito Santo. O Imperador, um menino, símbolo da humanidade renovada, religada às verdades básicas da pobreza evangélica e do amor ao próximo, empunhava o ceptro com que, tocando na fronte, se significava a bênção do Espírito Santo, e, depois de ter recebido as homenagens da população e das autoridades civis, militares e religiosas "fora" da igreja, procedia à libertação dos presos e à distribuição do pão, não como esmola, mas como preâmbulo da instauração na Terra da era da fraternidade profetizada.

Esta Festa dos Imperadores generalizou-se e encontramo-la em muitos pontos do País, mas de modo especial em Tomar e a sua Festa dos Tabuleiros ou do Divino Espírito Santo. Aqui, no fim da procissão, há a distribuição do bodo aos pobres.

Mas as festas do Divino Espírito Santo enraizaram sobretudo nos Açores e, por causa da emigração, em vários núcleos portugueses dos Estados Unidos e do Canadá. Nos Açores, temos as chamadas Igrejas "paralelas", de que ainda hoje é possível encontrar vestígios. No quadro das celebrações religiosas, continuam com lugar destacado as Festas do Divino Espírito Santo e do "Império", procedendo-se à coroação de uma criança, que segue na procissão com o ceptro, sendo igualmente de destacar as referidas "sopas". A soçobrar na crise, é bom lembrar estas Festas da Fraternidade universal. A utopia tem duas funções essenciais: criticar o presente e obrigar a transformá-lo. Outro mundo é possível.

 

In «Diário de Notícias»

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publicado às 03:40

Sacerdote ordenado há mais de 20 anos e seminaristas que vão ser padres dentro de algumas horas cruzam expectativas e experiências

por Zulmiro Sarmento, em 06.07.11

Igreja: Ansiedade e confiança antecedem ordenação sacerdotal

D.R.

Lisboa, 01 jul 2011 (Ecclesia) – Ansiedade, expectativa, confiança, humildade e abertura ao inesperado são alguns dos sentimentos e atitudes de três dos sete seminaristas das dioceses de Lisboa e Guarda que vão ser ordenados padres nas próximas horas.

“Há a tendência, que eu sinto particularmente, de pensar que devia estar mais bem preparado”, admite Fernando Escola, que este sábado recebe em Lisboa, no mosteiro dos Jerónimos, a ordenação sacerdotal pela imposição das mãos do cardeal-patriarca, D. José Policarpo.

Em entrevista ao programa da ECCLESIA na Antena 1 que vai ser transmitido este domingo às 06h00, e mais tarde disponibilizado na internet, o diácono de 24 anos diz confiar na ação divina: “O resultado desta missão não depende apenas das minhas capacidades, mas do Espírito de Deus”.

Rafael Neves, de 25 anos, também se sente inquieto: “Estou a viver estes dias com a ansiedade natural de quem está prestes a abraçar um enorme desafio, que nós não conseguirmos abarcar totalmente”, reconhece o diácono que será ordenado no domingo pelo bispo da Guarda, D. Manuel Felício.

O seminarista fã de futebol e adepto do Benfica recordou ao jornal ‘Notícias da Covilhã’ que o seu “encontro com Deus” aconteceu “muito cedo”, enquadrado pela família, e o discernimento vocacional foi pontuado por “dúvidas e interrogações” que “desempenharam um papel importante” na decisão.

“Não fui eu que optei, foi Ele [Deus] que me fez optar”, sublinha por seu lado João Marçalo, de 25 anos, que também vai receber o segundo grau do sacramento da Ordem este domingo, na catedral da Guarda.

O diácono apreciador de montanhismo diz acreditar, “sem qualquer tipo de presunção”, que pode ajudar as pessoas “a viverem a fé com uma alegria e uma força libertadora e sanante”.

A rotina das celebrações que se repetem todos os dias é pontuada pelo inesperado: “Na base do ser padre está a disponibilidade para aquilo que o Senhor quiser fazer conosco”, assume Fernando Escola.

Saber adaptar-se é também uma exigência: “Muito da vida do padre passa por coisas para as quais não nos preparámos”, como tarefas de “coordenação”, “contabilidade”, “construção de igrejas”, “gestão de centros sociais”, “liderança” e “gestão de conflitos”, assinala o cónego Daniel Henriques, antigo formador no seminário.

Fernando Escola é o mais novo dos cinco diáconos do Patriarcado de Lisboa que vai ser ordenado, tendo precisado de uma autorização especial do Vaticano, já que o Direito Canónico exige como mínimo os 25 anos de idade para a ordenação presbiteral.

“Os poucos anos de vida não são impedimento para seres um grande sacerdote”, diz-lhe o padre Daniel na conversa que pode ser ouvida no programa de rádio da ECCLESIA.

O atual pároco de Algés e Cruz Quebrada, concelho de Oeiras e diocese de Lisboa, considera que “o mais difícil” é a “fidelidade às pequeninas coisas” do quotidiano, como o cuidado diário com a oração ou o acompanhamento dos pobres, excluídos e famílias.

Ser sacerdote não é uma ocupação provisória mas um estado permanente, acentua o cónego Daniel Henriques: “A palavra ‘padre’ significa ‘pai’; e ninguém olha o ser pai ou mãe como uma profissão”.

“Não representamos Cristo se andarmos a fazer de conta que somos o que não somos. Ou se é ou não se é”, frisa o pároco, para quem “o grande perigo” da vida sacerdotal é levar “uma vida dupla”.

 

in ECCLESIA

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publicado às 03:02

(DES)HONESTIDADE DOS JUÍZES

por Zulmiro Sarmento, em 05.07.11

 - Por A. Marinho Pinto



PORQUE É MESMO ASSIM QUE FUNCIONA, INFELIZMENTE.

QUANTOS DELES PREVARICAM NAS ESTRADAS, PARA NÃO AVANÇAR MAIS, E ACENAM COM O PENDÃO DE QUE «SOU JUIZ».

Honestidade dos juízes - Por A. Marinho Pinto

       Honestidade dos juízes
      
       O «caso do copianço» no Centro de Estudos Judiciários (CEJ)
ilustra, como poucos, uma das principais causas da degenerescência da
Justiça portuguesa. Em vez de ser um verdadeiro centro de formação, o
CEJ transformou-se numa espécie de universidade em que os formandos
foram reduzidos ao estatuto de alunos e os formadores elevados à
categoria de catedráticos. E, assim, em vez de efectiva preparação
profissional, o CEJ ministra um ensino essencialmente teorético e
laboratorial assente no paradigma professor/aluno, em que a cabeça dos
formandos é atulhada com tecnicidade jurídica pelos seus omniscientes
mestres. Não admira que, assim tratados, os chamados auditores de
Justiça se comportem como alunos, para quem copiar nos exames sempre
foi uma espécie de direito natural.
       Só que esses alunos com 26, 27, 28 anos de idade serão, dentro
de meses, magistrados que exercerão uma função soberana de forma
totalmente irresponsável e independente. Sem qualquer experiência
profissional, bom senso ou capacidade de compreensão dos problemas
concretos da vida, eles passam de alunos a titulares de poderes
soberanos vitalícios, em cujo exercício vão continuar a reproduzir os
mesmos métodos do CEJ, ou seja, a copiar uns pelos outros sentenças e
despachos
, às vezes com tal displicência que nem os nomes das partes
corrigem. E, assim, com essa «mentalidade de copianço», eles vão, como
magistrados, dedicar-se com inusitado zelo à cultura das «chocas»
(cópias de decisões de outros casos, próprias ou de colegas
) que
diligentemente armazenam nos seus computadores. E depois, através da
laboriosa actividade do copy/paste, «proferem» longuíssimos despachos,
sentenças e acórdãos
, sempre com a mesma prolixa fundamentação que,
mecanicisticamente, vão transpondo de uns processos para os outros com
soberana displicência. E, em vez de se esforçarem por resolver com
sensatez e prudência os litígios da vida, eles continuarão a
preocupar-se apenas com o «professor», que agora é o todo-poderoso
inspector do Conselho Superior da Magistratura que os virá avaliar. E,
assim, as suas decisões soberanas estarão mais voltadas para agradar
ao inspector que temem do que para a questão concreta que deveriam
resolver com justiça.
       Infelizmente, o CEJ não forma magistrados, mas sim majestades.
Os «alunos», em vez de serem preparados para prestar um serviço
público à comunidade, são formatados para aceder a uma casta e
defenderem à outrance um poder ilimitado e irresponsável, sem qualquer
escrutínio democrático
. O resultado está à vista!
       Mas há um segundo aspecto que não é menos importante e que tem
a ver com a honestidade. Quem utiliza métodos fraudulentos para chegar
a magistrado não deixará de utilizar métodos fraudulentos no exercício
dessas funções. Por isso devia haver um especial rigor na selecção das
pessoas que pretendem aceder à magistratura, até porque, uma vez
atingido esse estatuto, eles ficam totalmente fora de qualquer
escrutínio.
       Nunca vi um magistrado ser punido por desonestidade nas suas
decisões e, no entanto, eles são tão (des)honestos como outros
profissionais
. Em todas as profissões e funções (advogados, médicos,
engenheiros, professores, funcionários públicos, polícias, autarcas,
deputados, governantes, etc.) há pessoas desonestas, mas quando
chegamos aos magistrados eles são todos honestos. É falso. Eles não
são feitos de uma massa diferente da do comum dos mortais. O problema
é que eles julgam-se uns aos outros, protegem-se uns aos outros,
exculpam-se uns outros
, muitas vezes sem qualquer pudor. Algumas das
piores desonestidades a que assisti em toda a minha vida foram
praticadas em tribunal por magistrados, sobretudo juízes, sem
quaisquer consequências porque a desonestidade deles é absorvida pelas
sua independência e irresponsabilidade funcionais.
       Existe na sociedade portuguesa uma ideia antiga, segundo a
qual «se é juiz é honesto». Ora, isso não é verdadeiro. O princípio
correcto devia ser: «se é honesto, então que seja juiz». Mas, como se
vê com o «caso do copianço», a honestidade pessoal não é critério para
a selecção dos magistrados.

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publicado às 03:52

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