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Internet: Redes sociais preparam face a face

por Zulmiro Sarmento, em 31.05.11

«A rede social mais antiga é a família», lembra o responsável pelo Gabinete de Informação da diocese do Porto

Mike Agliolo/Corbis

Lisboa, 26 mai 2011 (Ecclesia) – A Igreja Católica considera que as novas tecnologias e as redes sociais da internet são importantes para o desenvolvimento mas não passam de um meio para preparar as relações humanas ‘ao vivo’.

“O crucial para a Igreja é o encontro olhos nos olhos, coração a coração”, afirmou à Agência ECCLESIA o responsável pelo Gabinete de Informação da diocese do Porto, padre Américo Aguiar, para quem a cultura digital não substitui as relações pessoais.

No entender da professora universitária Rita Espanha, as redes sociais na internet “servem para prolongar outro tipo de relacionamentos”, tornando-se formas “institucionais”, não “emocionais”, de proximidade.

“Ao digitalizar as relações entre as pessoas, essas tecnologias podem estar a afastar o contacto direto, que é a relação humana primordial”, acrescentou Fernando Ilharco, do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa.

Os três responsáveis participaram esta quarta-feira, em Lisboa, numa mesa-redonda sobre o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja assinala a 5 de junho com o tema ‘Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital’.

Fernando Ilharco recordou que “a tecnologia de informação e comunicação sempre foi um instrumento”, mas agora está a tornar-se “num ambiente que modela e determina tudo o que se faz”.

O paralelismo entre as relações denominadas de virtuais e o contacto sem mediações é acentuado pela palavra “amigo”, que no Facebook, rede social da internet, é usada para agregar pessoas.

“É mais cómodo ser ‘amigo’ na internet do que ao vivo, porque implica menos exposição e envolvência. Mas também tenho dúvidas de que essa palavra, quando utilizada nas redes sociais, signifique o mesmo quando estamos face a face”, considerou Rita Espanha.

Dirigindo-se aos vinte estudantes que assistiram ao encontro na Universidade Católica, Américo Aguiar alertou: “Se algum de vós precisar de ajuda, vai precisar de um amigo. E aqueles mil ou milhões que se juntam na internet não o são”.

“A rede social mais antiga que temos é a família, isto é, as pessoas com quem temos laços de sangue e de quem somos amigos, e não o Facebook”, frisou o sacerdote.

As oportunidades e perigos da tecnologia são determinadas pelas pessoas, salientou Rita Espanha: “Sempre se disse que a televisão não é boa nem má, mas é o que fazemos dela, e eu digo o mesmo em relação à internet”.

A docente considera que “ainda é cedo para avaliar as consequências que as redes sociais vão ter nas futuras gerações”, embora os seus efeitos na mudança de comportamentos, tanto nas pessoas mais novas – “os nativos digitais” – como em movimentos populares sejam patentes.

Rita Espanha deu como exemplo dos efeitos negativos e positivos da disseminação das novas tecnologias o vídeo da agressão de duas adolescentes a uma colega, recentemente publicado na internet e difundido na televisão, e as revoluções ocorridas no Egito e outros países árabes.

A verdade e autenticidade na era digital pedidas por Bento XVI na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais “só são possíveis face a face”, realçou Américo Aguiar.

O texto do Papa, salientou o diretor das Comunicações Sociais da diocese do Porto, é uma denúncia das “mentiras” presentes nos perfis pessoais inseridos na internet, que têm conduzido “a crimes nas mais diversas áreas”.

RM

ECCLESIA

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publicado às 01:42

Palavras omitidas, vidas empobrecidas

por Zulmiro Sarmento, em 30.05.11

Nos últimos tempos andámos a celebrar canonizações e beatificações de santos que nos dizem respeito mais de perto. Foi São Nuno de Santa Maria, os Pastorinhos de Fátima Bartolomeu dos Mártires, Alexandrina de Balazar, Irmã Rita Amada de Jesus e agora João Paulo II e a Irmã Maria Clara do Menino Jesus, fundadora das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

As causas referentes a cristãos portugueses a decorrer neste momento, em Roma, são muitas: Padre Américo, Irmã Luiza Andaluz, Padre Joaquim Brás, Sílvia Cardoso, Irmã Teresa de Saldanha, Irmã Wilson, Irmã Maria da Conceição Rocha, Irmã Lúcia de Jesus, Padre Cruz, além de outras, mais e menos antigas que, agora, não me vêm à memória. Mesmo não as recordando todas, porque de facto há mais, dá para ver que são muitas. Não sei se todas as causas chegarão a bom êxito, dada a complexidade dos processos e a espera de um milagre comprovado, cuja falta pode arrumar algumas delas no baú das boas recordações.

Ao falar de santidade é preciso, porém, esclarecer e desfazer confusões. Quando se aponta a honra dos altares, como horizonte de santidade, pode esquecer-se que a santidade não é privilégio de alguns, mas a vocação comum de todos os baptizados. Como filhos de Deus, são chamados a participar, desde agora, da Sua santidade. Para aí se devem orientar sempre a sua vida e acções do dia a dia, qualquer que seja a condição social, idade, cultura, língua, raça ou estado. Logo no início do itinerário da vida cristã há que pensar o que verdadeiramente justifica o pedido de Baptismo por parte dos pais ou do próprio baptizando é a vontade de ser santo, a decisão de ser de Deus. Se é mais fácil perceber esta vontade e desejo num catecúmeno adulto, ela deve estar, também, na decisão e no pedido dos pais, quando se trata de baptizar uma criança, e deve acompanhá-la ao longo da vida. Educar na fé até à maturidade faz-se neste horizonte e com este sentido.

Por outro lado, o facto de vermos muitos religiosos e religiosas e de alguns padres e leigos já nos altares como modelos de santidade, não pode fazer esquecer a multidão de santos anónimos, jovens e adultos, que nas diversas comunidades cristãs dão testemunho de seriedade evangélica e de vida impoluta, no meio das dificuldades das tarefas familiares, profissionais e sociais. Nestes se pode encontrar e ver a santidade como ideal normal de vida. Ao longo dos anos tenho encontrado pessoas comuns, sem nada de pieguice, que os santos nunca foram piegas, que denunciam vidas onde o amor de Deus sempre ocupou o primeiro lugar, traduzindo este amor num generoso e disponível serviço aos outros, sem barulho, mas com eficiência, respeito e verdade.

O caminho da santidade é o caminho do amor que se vai purificando, se vai tornando cada vez mais gratuito, oblativo e contagiante. Quem se sente amado e procura retribuir de graça o que de graça recebeu entende bem que este é o ideal cristão, caminho aberto para todos.

Os cristãos que mais me marcaram na vida não foram sempre os mais eruditos mestres da cultura humana ou mesmo teológica, mas gente humilde e simples que me permitiu perceber, de modo claro e prático, o que é a sabedoria do Espírito. Muitos deles, sem letras humanas, mas com muita humildade, que é sempre o caminho certo que leva a Deus, à compreensão do Seu mistério, à realização da Sua vontade, ao serviço aos outros. Gente que aprendeu na vida, pela fé animada pelo amor, o segredo da confiança e da entrega sem limites, nem condições.

Lamentavelmente hoje fala-se pouco de santidade, aponta-se pouco a santidade como ideal de uma vida cristã, esquecendo-se que “santo é o cristão normal”. Não se tem conseguido clarificar, suficientemente, o conceito de santidade, que tem menos a ver com a honra dos altares, e mais com o viver diário de um filho de Deus. Quem assim ainda não entendeu, apesar dos anos de catequese, tem reacções imprevistas que fazem pensar.

Dois casos que ilustram as omissões que limitam, a ponto de se contentar e resignar a aves de capoeira de voos rasos, quando se tem capacidade para ter voos de águia.
Na homilia, momentos antes da crismação, perguntei a uma jovem que se ia crismar: “Tu queres ser santa?” “Ai, credo, que não é para tanto!” Foi a resposta espontânea que ouvi ao meu desafio. Ouvi há dias um bispo amigo contar que, no fim de uma celebração, com a sua bênção, disse à jovem acólita que acabava de o servir: “Deus te faça uma santa”. Ela, como que indignada, gritou: “Santa, não, senhor Bispo!” Ambas pensaram que se lhes propunha o altar ou o nicho do templo. Os verdadeiros santos nunca tiveram, como ideal a atingir, o altar ou o nicho…

As omissões indevidas geram sempre uma pobreza de horizontes. Ser santo tem apenas a ver com a fidelidade a Deus, no seguimento de Jesus Cristo, que convidava a fazer caminho com Ele, levando a cruz do dia a dia, com critérios do Evangelho e não meros gostos pessoais.

O mundo precisa, cada vez mais, de testemunhas que, pelo seu encontro pessoal com Cristo, mostrem a felicidade deste encontro e proponham aos outros o caminho para uma igual experiência.

Será que aos mordomos das festas, para as quais tem sempre de haver um santo, porque de outro modo o povo não contribui, já alguma vez foi dito, de modo a que ouçam e entendam, onde está a razão porque o seu santo é homenageado e festejado? E lhes foi dito também que alguns dos conjuntos que contratam para estas festas a preços escandalosos, em detrimento da necessidades das populações, mais vilipendiam os santos com suas brejeirices, que os honram e respeitam pela discutível competência? E ao povo que aplaude o lixo que estes conjuntos espalham na festa, já se disse da sua incoerência como cristãos a homenagear os seus santos?

A santidade é um projecto de todos os dias, de gente normal e coerente que, por um esforço de perfeição, mostra e convida a prosseguir sem desistir.

Haja quem o diga, porque há muita gente que nunca o ouviu de modo a entender e a guardar, a fim de lhe mover o coração e a vontade, e entrem assim nesta apaixonante aventura.

D. António Marcelino

ECCLESIA

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publicado às 01:08

Tema do 6º Domingo da Páscoa - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 29.05.11


A liturgia do 6º Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir a presença – discreta, mas eficaz e tranquilizadora – de Deus na caminhada histórica da Igreja. A promessa de Jesus – “não vos deixarei órfãos” – pode ser uma boa síntese do tema.
O Evangelho apresenta-nos parte do “testamento” de Jesus, na ceia de despedida, em Quinta-feira Santa. Aos discípulos, inquietos e assustados, Jesus promete o “Paráclito”: Ele conduzirá a comunidade cristã em direcção à verdade; e levá-la-á a uma comunhão cada vez mais íntima com Jesus e com o Pai. Dessa forma, a comunidade será a “morada de Deus” no mundo e dará testemunho da salvação que Deus quer oferecer aos homens.
A primeira leitura mostra exactamente a comunidade cristã a dar testemunho da Boa Nova de Jesus e a ser uma presença libertadora e salvadora na vida dos homens. Avisa, no entanto, que o Espírito só se manifestará e só actuará quando a comunidade aceitar viver a sua fé integrada numa família universal de irmãos, reunidos à volta do Pai e de Jesus.
A segunda leitura exorta os crentes – confrontados com a hostilidade do mundo – a terem confiança, a darem um testemunho sereno da sua fé, a mostrarem o seu amor a todos os homens, mesmo aos perseguidores. Cristo, que fez da sua vida um dom de amor a todos, deve ser o modelo que os cristãos têm sempre diante dos olhos.

Padres dehonianos

ECCLESIA

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publicado às 01:28

O ‘último a sair’(*) que apague a luz!

por Zulmiro Sarmento, em 28.05.11

Com o decorrer da ‘campanha eleitoral’ – embora ainda sem a oficialidade da mesma – temos vindo a apercebermos que há ‘artistas’ – cognome que daremos aos actores do espectáculo... político/partidário – que tentam fazer-nos crer que não tiveram nada (ou pouco) a ver com a situação a que o país chegou: endividamento, descrédito e bancarrota.

A frase supra referida é mais completa, pois diz: ‘o último a sair que apague a luz e que feche a porta’. Este desejo como que perpassa pela mente de muitos dos nossos concidadãos, na medida em que, depois do descalabro a que nos fizeram chegar, já pouco mais nos resta do que começar do zero, subindo – qual mito de Sísifo o de termos de carregar uma pedra até ao alto do monte e, quando estávamos prestes a chegar, ela rebola até à base da montanha... recomeçando, de novo – ciclicamente, na nossa tragédia (quase) sem rumo!

= Vendedores de ilusões?
Os artistas continuam a parecer viverem num país que não existe. Fazem-nos duvidar da sua palavra. Enrolam-nos com patranhas e muitos caem na ilusão. Dizem-se senhores de (quase) tudo, mas o que nos dão é uma mão cheia de nada. Azedam-se uns com os outros, mas comem à mesma mesa – senão do mesmo prato – não tendo os seus (pretensos) apoiantes mais do que migalhas. Precisam dos votos, mas esquecem-se daqueles que os elegem. Dizem-se respeitadores da democracia, mas comportam-se como ditadores, quando ascendem ao poder... seja qual for a cor ou a instância de (co)mando.
Há dinossaúrios e aprendizes: uns foram criando redes de favores, outros tentam ser favorecidos. Há artistas que cuidam da sua imagem e outros que se imaginam insubstituíveis. Há fiéis pela ideologia e outros que deambulam para estarem à superfície do pântano, coachando em maré de concorrência.
Até quando teremos estes – actuais e gastos – intérpretes a fazerem do país a sua coutada? Até quando forças subterrâneas – esotéricas ou transnacionais – irão colocando no pedestal (sobretudo) os seus confrades? Até quando a autêntica cidadania – educada, com valores e princípios – terá de encolher-se no espectro desta feira de vaidades?

= Combate, confronto ou conflito?
Num país farto em verborreia, as mais recentes trocas de palavras entre os artistas têm vindo a criar distinção: há, de facto, visões que têm de ser claras, pois a escolha tem de ser adequada ao momento histórico em que vivemos. Há clichés vazios e palcos esburacados. Há iniciativas sem nexo e enganos que nos têm custado caro... agora e no futuro. Há confrontos que devem esclarecer e conflitos que só servem para distrair. Há obras que não passam de projectos megalómanos e opções que pecam por tardias.
Que dizer da certificação escolar sem cultura assimilada? Que dizer de choques – tecnológico ou para a desburocratização – se as pessoas são mais mal tratadas e menos bem atendidas? Que dizer de certos combates à educação não-estatal, se com isso perdermos a qualidade de aprendizagem? Que dizer da transferência de responsabilidades nas áreas da saúde e da segurança social, se continuarmos a fazer reproduzir pobreza camuflada?

Breves questões em ordem ao bom discernimento na hora de votar:
Quando vemos sair do país os melhores, ainda teremos futuro? Quando vemos desertificar os campos, ainda saberemos cuidar daquilo que nos pertence? Quando vendemos a honra por uns trocos, ainda teremos dignidade nos nossos heróis? Quando nos escapa a verdade, ainda nos merecerão confiança aqueles que nos querem governar?
Está na hora de decidir sem peias nem medos. Basta de mentira. A bem da Nação!

(*) Embora esta expressão seja agora nome de programa (sarcástico) de televisão nada tem de ofensivo... antes pelo contrário!

A. Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)

ECCLESIA

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publicado às 01:55

Eu Acredito

por Zulmiro Sarmento, em 27.05.11

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publicado às 01:50

Que Deus seja servido! Já não aguentava mais tanta carne de frango ... e de perú!

por Zulmiro Sarmento, em 26.05.11

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publicado às 01:20

TAIZÉ: Testemunho de um jovem

por Zulmiro Sarmento, em 25.05.11
José Miguel Rocha:
«Recarregámos baterias e regressámos 
com mais ânimo e com outras motivações»
«Em Taizé, vivi uma experiência muito diferente de tudo o que eu já tinha feito e sentido; no último dia, a atividade programada incluía uma hora de silêncio, isolados de toda a gente; inicialmente, achei aquilo estranho, mas alguém me disse que eu acabaria por gostar muito, pois iria ouvir todas as vozes de revolta que havia dentro de mim; acabei por passar hora e meia como se fossem cinco minutos; talvez não se tivessem dissipado algumas dessas vozes, mas fiquei a conhecer-me melhor.» Esta foi a conclusão de uma entrevista que o José Miguel Rocha nos concedeu, sobre a peregrinação à comunidade ecuménica de Taizé, França, organizada pelas Escolas Mário Sacramento e José Estêvão, no âmbito da aula de Educação Moral e Religiosa Católica. A peregrinação decorreu no Carnaval, entre 5 e 13 de março, envolvendo 80 alunos e respetivos professores, José Joaquim Pedroso Simões e Teresa Grancho.
O Silêncio fala muito
José Miguel Rocha, 16 anos, aluno do 11.º, havia sido motivado pela experiência vivida em Taizé e contada pelo seu professor, José Joaquim Pedroso Simões, mas, quando chegou, sentiu de imediato que tudo seria superior ao que poderia imaginar. «Para melhor», fez questão de sublinhar. E até nos garantiu que, se Deus quiser, no próximo ano voltará. Esta certeza vem-lhe das vivências que o tocaram profundamente.
O sentido ecuménico da Comunidade de Taizé está bem presente em tudo o que se faz com os peregrinos, sejam católicos e de outras confissões cristãs, sejam de outras religiões mesmo não cristãs. José Miguel chegou a privar de perto com jovens indiferentes e porventura ateus, que ali se congregaram decerto numa procura do transcendente.
Cânticos e leituras bíblicas conduzem a reflexões que vão crescendo à medida que o tempo passa. Programações diversas à volta dos temas, individualmente e em grupo, apontam para «uma mudança de vida ou de aperfeiçoamento pessoal». E dessas ações, o nosso entrevistado destaca o Teatro, uma linguagem universal, em que, várias vezes, «só por mímica, conseguíamos transmitir o sentido das meditações que interiorizávamos».
José Miguel percebeu, logo à chegada, que era fundamental respeitar o silêncio. «O silêncio fala-nos mais do que se estivéssemos a conversar ou a ler; o silêncio é muito valorizado e nós sentimos que ele pode ser muito bem aproveitado, mesmo na nossa vida de todos os dias», salientou.
O nosso entrevistado explica que, no templo, todo o ambiente se torna convidativo. Impera, realmente, o convite à meditação. O espaço «não é muito luminoso», sobressaindo «algumas velas» que permitem «o enquadramento ideal» para todo o programa. Contudo — adianta —, «em Taizé nada é imposto; cada pessoa é livre de pensar e de programar a sua vida». Aliás, neste ambiente, «nunca notou a presença de qualquer “ovelha” fora do rebanho». E acrescenta: «O próprio ambiente convida a isso e as pessoas integram-se perfeita e livremente; todos são contagiados pelo que se passa, nas celebrações e fora delas.»
Para o José Miguel, «as sensações de recolhimento e de descoberta pessoal de nós mesmos são uma realidade muito grande; há uma magia especial, valorizada pelo respeito ecuménico que se respira em Taizé». E refere: «Além de crentes de várias confissões religiosas, predominantemente cristãs, há jovens não crentes, com quem cheguei a conversar; mas todos se envolvem numa perspetiva de descoberta, participando abertamente, sem problemas nem preconceitos».
Meta e ponto de partida
Foram seis dias únicos e no regresso todos sentiram que foi bom ter estado naquela comunidade tão carismática. «Na viagem de regresso, uma certa tristeza se instalou no grupo; sentimos até vontade de pedir ao motorista que desse uma volta e voltasse connosco para trás, porque aquilo foi, de facto, muito bom; quando nos tiram o fantástico que vivemos, custa um bocado», refere o nosso jovem entrevistado.
Agora — frisa o José Miguel — continuamos ligados àquele movimento ecuménico, porque em Aveiro há celebrações periódicas. «Esta experiência não termina quando abandonamos Taizé; não vale a pena deixar lá tudo o que vivemos e aprendemos; importa partilhar com outros a riqueza do que experimentámos», disse. E ainda sublinha: «Taizé foi meta quando saímos de Aveiro; a partir do momento em que lá chegámos, deixou de ser meta, para passar a ponto de partida na caminhada da vida, testemunhando o que colhemos naquela comunidade.»
O José Miguel reconhece que há outros centros de espiritualidade em Portugal, e não só, mas considera «difícil igualar Taizé», onde se valoriza o silêncio de maneira única. Daí que todos reconheçam que ficaram «mais fortes, mais conscientes do que somos, mais alegres, mais enérgicos; em Taizé recarregámos baterias e regressámos com mais ânimo e com outras motivações».
Fernando Martins

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publicado às 02:43

Para os pais portugueses...

por Zulmiro Sarmento, em 24.05.11

Exortação do senhor Bispo de Santarém aos responsáveis pela educação das crianças, adolescentes e jovens:

 

 

Estão em curso as matrículas nas Escolas. Os pais e encarregados de educação, que são os principais e mais influentes educadores, mostram-se cada vez mais empenhados no desenvolvimento integral dos seus educandos.

Este crescimento harmonioso que todos desejamos não se realiza apenas através da inteligência, da aquisição de competências ou da obtenção de resultados; a educação do espírito, a educação para a beleza e para a cultura, para a ética e para a moral, a educação para os afectos, também concorrem para o desenvolvimento das potencialidades dos mais novos.

A educação para a ‘pessoa’ alcança-se com o conhecimento e com a aprendizagem de uma atitude interessada e construtiva, com o exercício da honestidade e da responsabilidade pelo bem comum, com o cultivo da alegria e da boa relação. 
Só conseguiremos alcançar uma educação integral e harmoniosa com o contributo conjugado de todas as forças vivas da sociedade: da família e encarregados de educação; das escolas; das comunidades cristãs; das associações culturais e desportivas; dos meios de comunicação social, etc. A educação global não se alcança apenas com os programas do “Ministério da Educação” - embora estes sejam fundamentais, mas com a colaboração empenhada e complementar de pessoas e instituições apostadas em construir uma sociedade mais justa e fraterna.

A Igreja Católica sempre se dedicou à educação de todas as idades (infância e adolescência, juventude, adultos e idosos) e ao desenvolvimento de todas as dimensões da pessoa humana: cognitiva, ética, afectiva, cultural, espiritual.

Esta preocupação pela plenitude da pessoa humana levou à criação do serviço de educação moral nas escolas públicas através da disciplina da “Educação Moral e Religiosa Católica” (EMRC). Não é ensino confessional, como a catequese, mas transmissão dos valores humanos e das referências que constituem o nosso património cultural de matriz cristã: compreensão do mundo e do homem, história e papel das religiões, participação activa na comunidade, promoção da solidariedade, educação para a responsabilidade, para a alegria e para a boa relação.

Procurem os pais exercer o seu direito de matricular os filhos na disciplina da educação moral (EMRC) desde os primeiros anos da escola. O primeiro ciclo do básico é muito importante por ser o alicerce do percurso escolar. Até aos dezasseis anos pertence aos pais fazer a matrícula. Após essa idade são os educandos que fazem a opção. A frequência é facultativa mas, quando pedida, a oferta é obrigatória da parte dos estabelecimentos de ensino. Se os pais desejarem as escolas não deixarão de responder.

A crise que nos preocupa não é só económica mas também ética. O egoísmo é maior, as fraudes aumentam, as desigualdades são mais gritantes, o respeito pela dignidade do outro parece diminuir. São os próprios fundamentos éticos da sociedade que estão hoje em questão. A educação moral e religiosa escolar pode ser um bom contributo para vencer a crise moral e incutir uma atitude construtiva e responsável perante a vida.

Santarém 12 de Maio de 2011

+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém
ECCLESIA

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publicado às 01:33

Canção americana dedicada ao Faial e ao Pico

por Zulmiro Sarmento, em 23.05.11

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publicado às 03:23

Tema do 5º Domingo da Páscoa - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 22.05.11


A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir sobre a Igreja – a comunidade que nasce de Jesus e cujos membros continuam o “caminho” de Jesus, dando testemunho do projecto de Deus no mundo, na entrega a Deus e no amor aos homens.
O Evangelho define a Igreja: é a comunidade dos discípulos que seguem o “caminho” de Jesus – “caminho” de obediência ao Pai e de dom da vida aos irmãos. Os que acolhem esta proposta e aceitam viver nesta dinâmica tornam-se Homens Novos, que possuem a vida em plenitude e que integram a família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito.
A primeira leitura apresenta-nos alguns traços que caracterizam a “família de Deus” (Igreja): é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo com os irmãos; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.
A segunda leitura também se refere à Igreja: chama-lhe “templo espiritual”, do qual Cristo é a “pedra angular” e os cristãos “pedras vivas”. Essa Igreja é formada por um “povo sacerdotal”, cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.

Padres dehonianos

ECCLESIA

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publicado às 02:24

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