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A sexualidade e a Igreja Católica

por Zulmiro Sarmento, em 28.02.11

 

«É interessante ver que Jesus, perante a sexualidade, mesmo confrontado com desvios, é tolerante e perdoa. A Igreja parece ter posto o acento no sexo e nos seus desvios, mas Jesus o que condenou de forma veemente foi fundamentalmente a ganância, a avareza, a opressão: "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." É necessário distinguir entre a Bíblia, onde se encontra um dos livros mais exaltantes do amor erótico, que é o Cântico dos Cânticos, e, depois, o mal-estar do cristianismo histórico em relação à sexualidade, que provém fundamentalmente dos gnósticos e de Santo Agostinho. Santo Agostinho é herdeiro de uma escola gnóstica, que é o maniqueísmo, que leva a gnose à radicalidade.

Então, Santo Agostinho trouxe também problemas...
Ele é um génio, mas trouxe ao Ocidente e ao cristianismo histórico verdadeiras tragédias do ponto de vista sexual. Ele era maniqueu e, a partir do maniqueísmo, tinha resolvido o problema do mal: há dois princípios, um do bem e outro do mal. Há uma questão que se coloca sobretudo aos crentes: se Deus é infinitamente bom e omnipotente, como se explica o mal? Através do maniqueísmo, ele tinha resolvido o problema. Mas, uma vez convertido, precisa de encontrar uma solução, pois o cristianismo diz que Deus, quando olhou para o mundo, viu que tudo era bom. Donde vem então o mal? Quando se converte ao cristianismo, Santo Agostinho tem de encontrar a origem do mal. Vai à Carta aos Romanos, de São Paulo, e lê: "Adão, no qual todos pecaram." Mas o grego (ele só conhecia o latim) diz: "Porque todos pecaram." Uma coisa é Adão ser o primeiro que peca, outra é dizer que, nele, todos pecaram. E de tal modo pecaram, que todos transportam esse pecado, que tem uma origem sexual e se transmite sexualmente. Este é o mal que vem ao Ocidente através da gnose, do maniqueísmo, de Santo Agostinho. Todos são concebidos em pecado e desse pecado original só o baptismo liberta. Assim, não hesitou em "enviar" para o Inferno as crianças não baptizadas, porque vinham com o pecado original»...

Num dos seus textos, diz que a Igreja perdeu a credibilidade em termos de doutrina sexual. É assim?

A sexualidade também tem a ver com o prazer e este confronta-se com o poder. Na medida em que a Igreja se tornou numa instituição de poder, tem muita dificuldade em lidar com o prazer e a autonomia. Não sabe, por isso, como lidar com a sexualidade, com as pessoas que estão no mundo de modo autónomo. Essa é uma das questões fundamentais da Igreja.


Por isso surgem as questões relativas ao planeamento familiar, aborto, eutanásia...
A Igreja lutou contra a modernidade, embora, por outro lado, os grandes valores da modernidade venham, fundamentalmente, da Bíblia. Não é por acaso que é no Ocidente que se dá a modernidade, a secularização, a separação da Igreja e do Estado, que tem a ver com a autonomia, os direitos humanos... São valores que vêm da Bíblia, mas que os iluministas tiveram de impor contra a Igreja oficial.
Há um Papa que proibiu a leitura da Bíblia, outro refere-se à "detestável doutrina" dos direitos humanos. No entanto, são valores que vêm fundamentalmente da Bíblia. Afirmam-se a partir da ideia de um Deus transcendente, que cria por amor, livremente. Se Deus cria livremente, só pode criar criaturas autónomas, homens e mulheres livres, e as realidades terrestres seguem as suas leis, sem precisarem da tutela da Igreja. Por outro lado, o cristianismo trouxe ao mundo a ideia da dignidade divina de todos os seres humanos, independentemente da cor, etnia, sexo, posição social, nacionalidade ou religião.

Anselmo Borges em entrevista à Pública (06.02.2011)

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publicado às 05:24

Tema do 8º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 27.02.11

A liturgia deste 8º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre as nossas prioridades. Recomenda que dirijamos o nosso olhar para o que é verdadeiramente importante e que libertemos o nosso coração da tirania dos bens materiais. De resto, o cristão não vive obcecado com os bens mais primários, pois tem absoluta confiança nesse Deus que cuida dos seus filhos com a solicitude de um pai e o amor gratuito e incondicional de uma mãe.
O Evangelho convida-nos a buscar o essencial (o “Reino”) por entre a enorme bateria de coisas secundárias que, dia a dia, ocupam o nosso interesse. Garante-nos, igualmente, que escolher o essencial não é negligenciar o resto: o nosso Deus é um pai cheio de solicitude pelos seus filhos, que provê com amor às suas necessidades.
A primeira leitura sublinha a solicitude e o amor de Deus, desta vez recorrendo à imagem da maternidade: a mãe ama o filho, com um amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito, incondicional; e o amor de Deus mantém as características do amor da mãe pelo filho, mas em grau infinito. Por isso, temos a certeza de que Ele nunca abandonará os homens e manterá para sempre a aliança que fez com o seu Povo.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a fixarem o seu olhar no essencial (a proposta de salvação/libertação que, em Jesus, Deus fez aos homens) e não no acessório (os veículos da mensagem).

 

ECCLESIA, padres dehonianos

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publicado às 05:26

Quem foi?...

por Zulmiro Sarmento, em 26.02.11
- Ó Pai....quem foi Salazar?
- Foi um Senhor que pôs correntes ao povo português durante 40 anos.
- Ó Pai.... e o Mário Soares, quem é?
- Esse, meu filho, foi o homem que tirou as correntes ao povo português.
- Ó Pai....e o que são as correntes?...
- Era aquela coisa de ouro que o teu avô trazia e usava no colete para segurar o relógio!......

 

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publicado às 05:37

Frases célebres

por Zulmiro Sarmento, em 25.02.11
Na ausência de justiça, o que é a soberania senão o roubo organizado?
Santo Agostinho

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publicado às 06:24

CEP: Bispos reconhecem importância dos voluntários na acção da Igreja

por Zulmiro Sarmento, em 24.02.11

destaca voluntariado «ao serviço da evangelização»

Lisboa, 16 Fev (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reconheceu hoje a importância dos voluntários na acção da Igreja Católica, “especialmente nas paróquias e movimentos”.

Os bispos sublinham a necessidade do “voluntariado ao serviço da evangelização” na sua nota pastoral sobre o Ano Europeu, divulgada esta quinta-feira, dia 16, com o título «Voluntariado e nova Consciência Social».

Segundo o documento, esta dinâmica “conta com milhares de voluntários, gratuitamente empenhados nas diversas acções eclesiais, nomeadamente a catequese, a animação litúrgica, a pastoral familiar, a participação nos órgãos de administração e corresponsabilidade pastoral”.

A nota fala, especificamente, no “voluntariado missionário, próximo do Voluntariado Internacional para a Cooperação, sobretudo destinado para acções fora do país, inserido em projectos de promoção humana e social, em áreas como a educação e formação, a saúde, o associativismo, o apoio comunitário e social, a capacitação técnica de agentes locais”.

Esta realidade, assinala a CEP, “procura ser sinal de fraternidade global, despertando a opinião pública para as questões do desenvolvimento”.

“Lembramos, em atitude de reconhecimento e gratidão, os vários milhares de voluntários que, nas últimas décadas, partiram de Portugal em missão, na sua maioria ligados a institutos missionários «ad gentes»”, pode ler-se.

No documento destaca-se o "trabalho específico em hospitais, em prisões e em instituições de solidariedade social, para o qual se exige uma preparação adequada e uma integração nas normas das instituições onde actuam".

A nota alude ao voluntariado na educação, "seja através dos alunos na resolução dos problemas da vida real, seja na participação das famílias e das comunidades nas actividades da escola, falando também do “voluntariado na dimensão cultural, que ganha cada vez mais adeptos”.

“Dedicar os tempos livres ao cultivo da música, seja em filarmónicas ou grupos corais, à conservação e promoção do património, arquivos, bibliotecas, museus e outros centros culturais valoriza quem se dedica e permite disponibilizar os bens culturais à comunidade, de modo mais rápido e económico”, indicam os bispos.

A CEP aponta ainda os exemplos que chegam de áreas como o “voluntariado de socorro de emergência, sobretudo através de instituições como os Bombeiros, a Cruz Vermelha e a Caritas”, o “voluntariado no campo ecológico” e o “voluntariado dos direitos humanos, com especial significado na defesa da vida, na promoção da justiça e da paz entre as pessoas e entre os povos”.

“Entrevemos na experiência do voluntariado o paradigma de uma nova visão da sociedade para a qual nos impele o anúncio do Reino novo de Jesus”, concluem os bispos.

2011 é o Ano Europeu do Voluntariado, por decisão do Conselho de Ministros da União Europeia, com o objectivo de estimular o desenvolvimento de “actividades voluntárias que promovam uma cidadania activa”.

OC

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publicado às 05:11

PASSO A REZAR

por Zulmiro Sarmento, em 23.02.11

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publicado às 06:00

Jesuítas: «Passo-a-rezar» comemora primeiro aniversário com dois milhões de downloads

por Zulmiro Sarmento, em 23.02.11

Site prepara novas iniciativas para continuar a «oferecer oração» aos portugueses

 

Lisboa, 17 Fev (Ecclesia) – O sítio «passo-a-rezar», página que oferece orações na Internet, comemora hoje o seu primeiro aniversário, prometendo uma aposta renovada neste “novo modo de rezar em português”.

Dados divulgados esta quinta-feira falam em 600 mil visitantes, dois milhões de downloads e 2,5 milhões de páginas visitadas.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA pelos responsáveis desta iniciativa, dinamizada pelos jesuítas, sublinha-se o sucesso da “proposta diária de encontro com Deus”.

Música, páginas da Bíblia e momentos de reflexão marcam mais de uma dezena de minutos de proposta diária, disponível em formato mp3 (áudio) para poder ser descarregada e ouvida “em qualquer lugar”.

“Durante este ano, foram muitos os momentos especiais”, assinalam os promotores do “passo a rezar”, com destaque para a visita de Bento XVI a Portugal, em 2010, e a iniciativa “Sete Pausas na Beleza” de José Tolentino Mendonça, nas vozes de Susana Arrais e Pedro Granger.

“Quinze escritores, trinta leitores, trinta editoras musicais tornam possível o passo-a-rezar”, referem os jesuítas portugueses.

A iniciativa já chegou ao Brasil e à rede social Facebook, prometendo agora novidades: uma campanha de donativos, uma “surpresa para a Semana Santa”, um livro e “oração diária, para todos”.

O projecto www.passo-a-rezar.net é uma iniciativa do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, uma obra da Companhia de Jesus (jesuítas) que se dedica à promoção da oração pessoal.

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publicado às 05:55

Oportunidades de resposta para novas situações

por Zulmiro Sarmento, em 22.02.11

 

Os problemas e as dificuldades, hoje verificadas a todos os níveis, pedem uma especial atenção aos responsáveis, em cada campo e situação, para que aproveitem as oportunidades que então surgem. A partir delas se responderá melhor. Os problemas que aguardam resposta estão na sociedade, na família, na escola, na vida empresarial e, também, na comunidade cristã, em todo o lado onde há vida.
É sobre as comunidades, de que agora tanto se fala, ao repensar para renovar a acção da Igreja, que oriento a minha reflexão, na esperança de que se atenda mais e melhor às oportunidades que, não raro, são pouco atendidas e mal aproveitadas. O dever de servir e a criatividade pastoral exigem esta atenção.
Nas comunidades e na Igreja em geral há mais gente repetitiva que inovadora. Ora, as tradições religiosas vão perdendo força, o passado deixou de ser dinâmico e de apego generalizado, as respostas repetidas e pouco reflectidas são normalmente estéreis. Deste modo, o ângulo estreito de percepção da realidade empurra para as desilusões e dificulta um empenhamento persistente, sério e que envolva as pessoas.
Dá-se, hoje, uma quebra notória na prática dominical e na procura do Baptismo e do Matrimónio; persiste o abandono de muitos jovens, após a Confirmação; não se pode ignorar a escalada das uniões de facto, do crescente número de divórcios, das famílias desestruturadas e com valores alterados; há poucos cristãos esclarecidos na vida social e política; a alergia de muitos à vida associativa é manifesta; os mais jovens, e não só eles, fogem a opções que implicam compromissos permanentes…
Ao mesmo tempo, as paróquias com gente apresentam uma nova fisionomia: para além do costumeiro, que persiste ainda em muitos casos, há muitos pais não praticantes que querem os filhos na catequese e acabam por pedir o seu baptismo na idade escolar, se o não fizeram antes; há jovens, e são milhares, que frequentam livremente a catequese dez e mais anos, em ordem ao Crisma, e, se muitos deles depois partem, também ficam sempre alguns, mais comprometidos e activos; tornou-se normal a prática de reuniões de preparação para o casamento, mas não se consegue travar a saída de muitos para um divórcio fácil; alguns casais, ao lado de outros indiferentes, formam grupos e equipas que reúnem mensalmente para, em comum, esclarecerem e partilharem a sua fé, aprofundarem a riqueza da vida conjugal e familiar e se empenharem em acções apostólicas; há operários e empresários, não muitos, é certo, que procuram orientar a sua vida e acção pela Doutrina Social da Igreja e por força de um cristianismo esclarecido; depara-se-nos um número crescente de leigos voluntários nas actividades da paróquia e da comunidade civil, mas outros só pensam em si e no que lhes dá prazer. Tudo isto, em comunidades com gente, porque já as há quase desertificadas, traduz problemas, mas também um mundo novo de oportunidades para uma acção nova e realista.
Sublinha-se hoje, mais do que antes, quando as pessoas se conheciam, a importância de um acolhimento cordial e aberto a todos, que crie laços e não feche portas, feito por gente preparada para escutar e dialogar, mais do que para afirmar normas secas e fechar caminhos abertos. Sem se acolher bem, não haverá nem tempo, nem clima para escutar as razões de quem vem e procura. Quem acolhe, seja clérigo ou leigo, numa paróquia onde surgem cada dia caras novas, é chamado a mostrar o rosto de um Deus que é Pai, de uma Igreja aberta e serva, que sabe respeitar as pessoas, ser educadora da fé, promotora da comunhão e porta e espaço de uma inequívoca fraternidade. É no acolhimento que melhor se ilustra a missão da Igreja, num tempo e num lugar. Numa comunidade cristã há que acolher sempre bem quem aí vive, quem passa ocasionalmente, quem nela procura alguma coisa. Uma comunidade adulta, responsável e aberta, esconjura o clericalismo e as ideias deturpadas da Igreja e da fé, que enchem ainda a cabeça de muita gente.
É agora a oportunidade de um catecumenato a sério ou de uma catequese de pedagogia catecumenal para os adultos que pedem os sacramentos da iniciação; de uma iniciação cristã, a realizar na família e na catequese paroquial; da formação de cristãos adultos para que vivam e testemunhem a fé, num mundo plural e laico. Nada disto se faz com acções de rotina ou com objectivos de mera conservação. As oportunidades para ir mais longe estão nestes casos à vista: pelos filhos se vai aos pais; pela Confirmação, se formam e motivam jovens a ir mais longe; pelo pedido do Matrimónio, hoje que as razões sociológicas pesam menos, se podem propor acções de formação com mais tempo e pedagogia mais activa; pelas experiências negativas e dolorosas que afectam muitas famílias, se faz apelo a formas de presença mais respeitadoras e fraternas; pela acção nos meios urbanos, onde há colmeias cerradas que favorecem o individualismo, a massificação, o esquecimento de quem delas não pode sair, se devem fazer propostas que personalizem e vençam a solidão, o isolamento, o desgaste diário, a desagregação familiar.
As comunidades para serem evangelizadoras e missionárias têm hoje de ser mais criativas ante as novas situações sociais, culturais e religiosas O dever de servir pede inovação e abandono de velhos critérios e esquemas de uma ruralidade que já não existe. Os mais aptos não se podem gastar no serviço do templo, mas têm de ser estimulados a ser apóstolos fora de portas.
Repensar a acção pastoral e planeá-la, com realismo e esperança, é procurar que cada cristão e cada comunidade entrem num dinamismo de missão, onde todas as pessoas são caminho da Igreja, e todas as oportunidades, graças a aproveitar. Os de fora só serão tocados pela riqueza de dentro, quando virem os permanentes do templo, empurrados para fora dele, a testemunhar o que vivem e a construir o que propõem.

D. António Marcelino

ECCLESIA

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publicado às 06:17

Morrer é só não ser visto

por Zulmiro Sarmento, em 21.02.11

Num número que ninguém ainda consegue bem quantificar, mas que os poucos indicadores dão como preocupante e crescente, multiplicam-se as situações de isolamento humano, sobretudo na terceira idade

 

O verso certeiro de Fernando Pessoa que diz «Morrer é só não ser visto» ganhou, nos últimos dias, significados que nos deveriam desassossegar. As notícias que dão conta dos idosos que vivem e morrem em total solidão mostram-nos como a frase de Pessoa não é apenas uma alusão simbólica à invisibilidade dos mortos, mas se tornou uma descrição literal do que, entre nós, acontece aos vivos. Num número que ninguém ainda consegue bem quantificar, mas que os poucos indicadores dão como preocupante e crescente, multiplicam-se as situações de isolamento humano, sobretudo na terceira idade, precisamente quando o cuidado e o acompanhamento deveriam ser redobrados.

Por vezes, no cruzamento apressado das horas, deparamos com um rosto idoso que nos olha por detrás de uma janela, na nesga quase oculta de uma cortina, e fazemos por não pensar muito nisso. Mas que nos dizem esses olhos?  Que nos dizem esses olhos que nos olham em silêncio, sedentos de proximidade e de palavra; esses olhos para quem tudo é adiado; esses olhos que se sabem deixados para o fim ou nem isso; esses olhos impotentes e, ainda assim, tão doces; esses olhos que tacteiam as coisas e já não estão certos de as reconhecer ou de as poder activar; esses olhos que desistem um milhão de vezes por dia e nenhuma delas sem dor; esses olhos que se deixaram sequestrar pela televisão a tempo inteiro; esses olhos vazios do que não viram, mas que não desistem de esperar; esses olhos atrapalhados na geografia que alteramos sem aviso; esses olhos que não conseguem perceber a literatura incluída de um mundo que, sem o merecerem, lhes é hostil? Sim, que nos dizem os olhos que encontramos regularmente por anos a fio, ou mesmo só por uns meses, que nos habituamos a reconhecer na nossa paisagem anónima e distraída e, de repente, deixamos de ver? «Morrer é só não ser visto». Deveríamos escrever o verso de Pessoa na Constituição da República e no nosso coração.

José Tolentino Mendonça

 

ECCLESIA

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publicado às 06:25

Tema do 7º Domingo do Tempo Comum - Ano A

por Zulmiro Sarmento, em 20.02.11

A liturgia do sétimo Domingo do Tempo Comum convida-nos à santidade, à perfeição. Sugere que o “caminho cristão” é um caminho nunca acabado, que exige de cada homem ou mulher, em cada dia, um compromisso sério e radical (feito de gestos concretos de amor e de partilha) com a dinâmica do “Reino”. Somos, assim, convidados a percorrer o nosso caminho de olhos postos nesse Deus santo que nos espera no final da viagem.
A primeira leitura que nos é proposta apresenta um apelo veemente à santidade: viver na comunhão com o Deus santo, exige o ser santo. Na perspectiva do autor do nosso texto, a santidade passa também pelo amor ao próximo.
No Evangelho, Jesus continua a propor aos discípulos, de forma muito concreta, a sua Lei da santidade (no contexto do “sermão da montanha”). Hoje, Ele pede aos seus que aceitem inverter a lógica da violência e do ódio, pois esse “caminho” só gera egoísmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, também, o amor que não marginaliza nem discrimina ninguém (nem mesmo os inimigos). É nesse caminho de santidade que se constrói o “Reino”.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto – e os cristãos de todos os tempos e lugares – a serem o lugar onde Deus reside e Se revela aos homens. Para que isso aconteça, eles devem renunciar definitivamente à “sabedoria do mundo” e devem optar pela “sabedoria de Deus” (que é dom da vida, amor gratuito e total).

 

ECCLESIA, padres dehonianos

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publicado às 05:45

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