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Dizer «obrigado»

por Zulmiro Sarmento, em 28.08.07

          Agradecer, — dizer «obrigado» — ou mais ainda, manifestar gratidão pelas acções é uma atitude que vem rareando nestes tempos de egoísmo que vamos vivendo.

          Há pessoas que recebem uma expressão de atenção, de generosidade, mas uma esponja mágica apaga rapidamente da lembrança o bem que receberam, a ajuda que lhes foi concedida, o favor que obtiveram.

          Há também pessoas que , pagando os serviços prestados, julgam saldar tudo, sem dívida nenhuma de gratidão. Esquecem que não há dinheiro que pague o espírito de colaboração de um empregado, a dedicação de um servente, o carinho que a esposa põe no tratamento do marido, ou o sacrifício que o marido faz para ganhar o pão para o seu lar, tantas vezes num trabalho cansativo e desgastante.

          Dizer «obrigado» — é mais que um gesto rotineiro, de verniz social.

          Tem de sair de dentro, do coração.

          E se sair do coração, cria um ambiente de harmonia, de compreensão recíproca, de bem-estar, abrindo para mais generosidade o coração da pessoa a que se agradece. Receberá muito quem for grato por pouco...

          A gratidão é uma virtude cada vez mais rara que devemos ensinar — pela palavra e pelo exemplo — aos mais novos, pois muitos deles nunca ouviram seu pai ou sua mãe dizer entre si «obrigado».

          A ingratidão tanto para com as pessoas como para com Deus viceja e cresce nos nossos ambientes como erva daninha... 

          Por isso termino, como crente, com esta súplica: «Senhor, deste-me tudo. Dá-me uma coisa mais: um coração agradecido».

          P.S. Toda a gente que me conhece sabe o quanto tenho sido agraciado ao longo de toda a minha vida por Deus e por aqueles e aquelas que Ele foi colocando no meu caminho. Irei contando alguns exemplos.

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publicado às 22:02

Adivinhei!

por Zulmiro Sarmento, em 18.08.07

          Durante este dia cheirou-me a esturro para o lado das "hostes encarnadas". Qualquer coisa me fez dizer esta tarde aos meus amigos: —1º jogo da Liga e pode logo começar o aceno dos lenços brancos à equipa do Benfica e seu presidente e seu treinador...

          Pois não querem  ver que há instantes, pela noite dentro, os encarnados meteram água por todas as juntas que tinham!

          Mal, mesmo muito mal, vai o Reino do Senhor Luís Filipe Vieira!...

         

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publicado às 23:27

Aceitar as críticas

por Zulmiro Sarmento, em 18.08.07

          Fui ao cinema várias vezes neste Agosto. Impressionou-me e fez-me pensar o filme «Ratatui», em animação. Os adultos captam certamente outras facetas que as crianças, para quem é também dirigido, não chegam lá. Nesta comédia aparece a crítica gastronómica (sempre injusta, até que...) e fez-me , nesta noite, antes de repousar, escrever sobre aceitar as críticas quando elas fazem crescer, por dentro, cada um de nós.

          Normalmente, quando fazem uma entrevista a um escritor, a um compositor ou arranjista, ou a qualquer outro artista, lançam esta pergunta habitual:

          — Como reage perante as críticas? 

          As respostas são variadas, de acordo com o nível emocional das pessoas. Uns não dão importância, outros dão alguma, outros aproveitam-nas para melhorar.

          Todos nós somos alvo de observações críticas, quer seja na nossa casa, no nosso trabalho, nas nossas actuações, quaisquer que sejam. Na paróquia então nem se fala, deve ser o lugar por excelência, com os "cristãozinhos" que temos. E quanto mais efeminados pior. Têm uma língua afiada e viperina e, mal conseguem fazer uma tempestade num copo de água, querem logo saber do número do telefone do bispo... Por isso precisamos de estar preparados para enfrentá-las: para aceitá-las, se são positivas, ajudando-nos a corrigir defeitos e a aperfeiçoar qualidades e a ter uma paciência de Job.

          Há pessoas que, em vez de concordar com críticas objectivas e justas, reagem mal. Se o marido faz uma observação que até é merecida, a esposa reage mal. Se a esposa mostra o seu desagrado com razão, há maridos que reagem pessimamente, sem reflectir na observação construtiva da felicidade do lar.

          Se o pai ou a mãe chamam a atenção a algo que não está bem, logo o adolescente, o jovem ou a moça reagem com os quatro pés, não aceitando a crítica amiga. O que vem dos pais e dos adultos é sempre mal vindo. Os media meteram-lhes na cabeça que eles são os maiores, os eternos, que este tempo que vivem se vai prolongar indefinidamente e que eles sabem viver nele como peixe na água...

          E no mundo do trabalho acontece o mesmo, com frequência. Se um chefe ou responsável chama a atenção para qualquer imperfeição, logo depara com uma resposta ou atitude de menos aceitação. E então se vem dalgum mexerico da bufaria!...

          Mas toda esta reacção negativa às observações críticas surge muitas vezes entre amigos que, para não destruir a amizade, nem sequer usam de franqueza.

          Aceitar uma crítica honesta, objectiva e bem intencionada, exige humildade para reconhecer os erros e defeitos. E é essa humildade que falta neste mundo presunçoso e orgulhoso, que tantas vezes, à semelhança do bêbado, recusa a mão que o ajuda a subir, a progredir e a aperfeiçoar-se...

         

                                                                                  

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publicado às 22:23

Oração do cão

por Zulmiro Sarmento, em 17.08.07

          No tempo de férias, muita gente abandona cruelmente os seus animais, principalmente os seus gatos e os seus cães.

          A propósito disto lembro o meu «Noddy» à conta de meu irmão, enquanto estou ausente, que com unhas e dentes proteje a minha casa, mas também uma curiosa oração que qualquer pessoa pode encontrar esculpida na pedra, à entrada de uma ermida dedicada a Santo António, numa aldeia perto de Málaga, na Espanha.

          É a «oração do cão, com bastante profundidade e realismo.

          Diz assim:

          Senhor de todas as criaturas,

          faz que o homem que é meu amo

          seja tão fiel para com os outros homens

          como eu sou para ele.

          Faz que ame a sua família e os seus filhos

          como eu os amo.

          Faz que guarde honestamente

          os bens que lhe hás confiado,

          como honestamente guardo os seus.

          Dá-lhe, Senhor, um sorriso fácil e espontâneo,

          como fácil e espontâneo

          é o mexer da minha cauda.

          Faz com que esteja tão inclinado ao agradecimento,

          como eu estou pronto a acarinhá-lo.

          Conserva nele a minha juventude de coração

          e a minha alegria.

          Senhor de todas as criaturas,

          do mesmo modo que eu sou sempre verdadeiro cão,

          faz que ele seja sempre verdadeiro homem.

          Para lição dos homens, pouco mais há a acrescentar.

          A petição final — do mesmo modo que sou um verdadeiro cão, faz que ele seja sempre um verdadeiro homem — recorda-me o apelo do fundo do coração do papa Paulo VI quando veio a Fátima em 1967: «Homens, sede homens».

          Há muita gente que não é verdadeiramente homem: no seu pensamento, nos seus sentimentos, nas suas emoções, no seu comportamento.

          E aquela gentinha de agora que gosta de se afirmar, com o que tem e o que não tem, com cães de raça e perigosos, sem o mínimo de preparação para os ter?! Que quer mostrar aos outros essa gentinha? "Status" social? Francamente!!

          Este "novo riquismo"... tema para outra conversa.

Post scriptum(depois do que está escrito):  Na revista «Nova Gente» nº 1614 deste mês de Agosto lia a seguir: « Há um ano que o número de cães abandonados disparou em Portugal. A Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais alerta que os canis estão a abarrotar e que o abandono deixou de ser um fenómeno de Verão. O abandono de cães de raça também está a aumentar, em especial as raças pitbull e rottweiler. Se têm o azar de ir parar a um canil municipal, passados sete dias são abatidos. Nos outros, podem ter esperança de ser adoptados.»

          Dá mais trabalho e despesa tratar um cão das tais raças do que ter uma criança no casal... A vida tá muito cara... "Crienças" não!!

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publicado às 19:24

O murmúrio das florestas

por Zulmiro Sarmento, em 13.08.07

          Dois homens passeavam lentamente por uma rua de uma cidade da Alemanha. Um alemão, bem vestido, habituado ao movimento superbarulhento citadino de carros e outros ruídos indecifráveis e que põem os nervos em franja de dia e de noite.

          O outro homem era um indiano, de pés quase descalços, vestindo um sari colorido e simples.

          Caminhavam, conversavam, observavam...

          De repente, o indiano disse para o companheiro: — Estou a ouvir um passarinho a cantar!

          — É lá possível ouvir um passarinho neste burburinho da cidade — respondeu o alemão.

          Continuaram a andar e a certa altura o alemão ouviu um ruído qualquer e disse, olhando para o pavimento: — Ouvi cair uma moeda!

          Não era moeda nenhuma. Habituado a pensar em dinheiro, só em negócios e dinheiro, todo o ruído lhe parecia o cair de uma moeda no chão.

          Mas o indiano, habituado a ouvir o murmúrio das florestas e o canto simples dos pássaros, tudo lhe parecia o cantar das avezitas na sua terra.

         (Que saudades e bem-estar ao acordar no Porto Novo de São Mateus do Pico, ao chilrear afinado de melros, canários, tentilões... Em Taizé, pequeníssima aldeia no sul da Borgonha, na França, no meio de uma colina com imensos bosques, os pássaros eram outros mas a sensação de paz era a mesma, neste início de Agosto!...)

          O indiano disse então ao alemão: Vós estais materializados. Os vossos ouvidos, os vossos olhos, os vossos sentidos, estão fechados para a beleza, para as coisas simples. Viveis fascinados pelo dinheiro — pelos negócios, pela bolsa, só por aquilo que produz riqueza. Tudo vos parece dinheiro a cair perto de vós e a não perder...

          A quanta gente se pode aplicar esta resposta do indiano. Gente que perdeu a sensibilidade para apreciar os valores das pessoas quer de sua casa, quer do seu mundo profissional ou social, que não tem tempo para dialogar, para ouvir os outros, para se encantar com a beleza que a rodeia, gente que a febre do dinheiro a estonteia, de dia e de noite, tudo lhe parecendo tilintar de moedas...

          Dois homens diferentes: um que encontra a sua felicidade nas coisas simples. Outro materializado, para quem existe apenas um único valor no mundo acima de todas as coisas: o dinheiro.

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publicado às 14:11

Uma frase do nosso saudoso papa João XXIII

por Zulmiro Sarmento, em 11.08.07

          Encontrei uma frase do papa João XXIII tão sábia, tão oportuna que me pareceu útil trazê-la para aqui.

          Diz assim: «Veja tudo, deixe passar muita coisa, corrija um pouco».

          Serve para os pais, para os chefes, para os professores, para muita gente.

          Veja tudo: Tenha os olhos abertos - sobretudo os olhos do coração - abertos à realidade do seu mundo: ao mundo da família, ao mundo do trabalho, ao mundo do ensino escolar, ao mundo onde gravita exercendo as suas funções. Não viva de olhos fechados, indiferente aos problemas, às alegrias ou às tristezas das pessoas que o cercam, e interessados muitas vezes em coisas sem importância objectiva.

          Observe o caminhar dos seus filhos, dos seus alunos, o trabalho dos seus trabalhadores.

          Mas deixe passar muita coisa. - diz o fantástico papa João.

          Se não cultivamos a virtude da compreensão e da tolerância, desculpando faltas simples, então estamos em permanente irritabilidade e litígio. A pessoa implicativa e intransigente não constrói a paz.

          Temos de desenvolver um certo grau de tolerância: talvez para a criança ruidosa e buliçosa, talvez para o adolescente rebelde e a sair da fase do armário, talvez para as pessoas impertinentes e melgas, talvez para as lacunas dos que vivem ou trabalham connosco dado que não há nada pior que o contacto com uma alma vazia..., com uma comunidade cristã que no dizer do Apocalipse de São João não é quente nem fria.

          Corrija um pouco - diz João XXIII.

          Embora transigindo com erros e imperfeições acidentais, há que corrigir alguma coisa. Corrigir um pouco, isto é, aperfeiçoar aquilo que deforma o essencial da imagem.

          « Veja tudo. Deixe passar muita coisa. Corrija um pouco».

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publicado às 11:41

Contrastes vivenciais

por Zulmiro Sarmento, em 09.08.07

          O escritor americano, George Carlin , atento aos problemas do nosso tempo, descreveu os seus contrastes, a nossa maneira de viver. Eis alguns sugestivos:

  • Temos edifícios cada vez mais altos, mas a moralidade cada vez mais baixa.
  • Temos estradas cada vez mais largas, mas horizontes cada vez mais estreitos.
  • Temos casas cada vez maiores, mas famílias cada vez mais pequenas.
  • Temos cada vez mais instrução e estudos, mas cada vez menos sabedoria.
  • Temos mais peritos em todos os assuntos, mas cada vez mais problemas.
  • Temos muitos e variados remédios para as doenças, mas uma vida pouco saudável.
  • Adoramos a televisão, mas não adoramos a Deus sobre todas as coisas.
  • Falamos muito de amor e paz, mas amamos pouco e somos violentos.
  • Procuramos a vida noutros planetas, mas permitimos a morte por fome na Terra.
  • Conseguimos dominar os átomos, mas não dominamos os nossos preconceitos.
  • Somos ricos em coisas e mais coisas, mas  mais pobres nas relações humanas.
  • Multiplicamos os nossos bens, mas não aumentaram os valores humanos.
  • Acrescentamos anos à vida neste mundo, mas não damos mais vida aos anos.

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publicado às 11:34

O pacote de biscoitos (roubado!)

por Zulmiro Sarmento, em 08.08.07

           Pelo facto de andar em viagem e de finalmente ter um computador disponível por algum tempo, lembrei-me de algo que aconteceu num aeroporto qualquer e que passo a descrever tal como me contaram.

           Certo dia uma jovem estava à espera do seu voo na sala de embarque. Como deveria esperar algumas horas resolveu comprar um livro para passar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos para ir trincando ao mesmo tempo que lia. Sentou-se numa cadeira a fim de descansar e ler em paz. Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou no primeiro biscoito, o homem também pegou num. Sentiu-se indignada, mas não disse nada. E pensou para si: Mas que «cara de pau»!... Precisaria dar-lhe uma sarabanda para que ele nunca mais esquecesse... A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava num. Aquilo deixava-a tão indignada que não conseguia reagir.

          Restava apenas um biscoito e pensou: O que será que este «abusador» vai fazer agora? Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Aquilo, imaginem, deixou-a completamente irada e a bufar de raiva. Pegou no livro e nas suas coisas e dirigiu-se para o embarque.

         Quando se sentou finalmente no avião, para surpresa dela, o seu pacote de biscoitos estava ainda intacto, dentro da sua bolsa. Sentiu muita vergonha: afinal o tal homem tinha dividido os seus biscoitos sem se sentir indignado e feito qualquer reparo à  jovem.

          Já não havia tempo para se explicar nem pedir desculpas.

          Existem quatro coisas que jamais se recuperam:

          - A pedra... depois de atirada!

          - A palavra... depois de proferida!

          - A ocasião... depois de perdida!

          - O tempo... depois de passado!

          Pensemos nisto em tempo útil. Vale a pena!...

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publicado às 20:02


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